INSTABILIDADE
Bahia ainda não tem titulares e passa por mudanças na mão de Enderson
Treinador já utilizou 25 atletas diferentes como titulares desde que chegou


Quem se arriscaria a prever o time titular do Bahia que entrará em campo na próxima rodada? Certamente, apenas alguém que não tem acompanhado o time sob o comando de Enderson Moreira. Caso fosse um chef de cozinha, seria plausível imaginar que novos ingredientes ainda estão sendo testados, mas a receita está longe do seu sabor ideal. Como não dá para por todas as opções no caldeirão – ou na realidade do futebol, dentro das quatro linhas – a tendência é que ainda mais opções sejam testadas pelo professor.
Após iniciar a rodada com uma derrota contra o Sport, o elenco do Esquadrão retornou ontem a Salvador e folgará hoje. A equipe ainda pode ser ultrapassada pelo Grêmio, que jogará somente na sexta-feira, e cair para a terceira posição. Contudo, a situação ainda está sob controle, já que possui gordura para queimar em relação ao primeiro fora do G-4. Se o problema fosse só a tabela no atual momento, a vida do torcedor tricolor estaria bem mais tranquila, mas não é bem isso o que tem acontecido. Sem conseguir atingir uma estabilidade satisfatória, o mestre cuca Enderson Moreira ainda parece estar em ‘fase de testes’ com os jogadores. Para o clássico nordestino, as mudanças, de acordo com o próprio treinador, foram motivadas por questão de necessidade.
“A gente fez uma escolha em cima do desgaste que teve em Criciúma. Chegou em um ponto que a gente não tinha outra escolha, precisava fazer mudanças. Criamos oportunidades no primeiro tempo. Não tem que lamentar. A gente tem que fazer escolhas”, explicou Enderson após a partida.
Com a decisão, Raí, Igor Torres e Rodallega começaram a partida ao mesmo tempo pela primeira vez no ano. Apesar do contexto, as mudanças têm sido frequentes na equipe que começa a cada rodada, já que a média de alterações no time de um duelo para o outro é maior do que três. No total, foram 44 modificações de atletas no time inicial de uma partida para a outra, nos 15 jogos que Enderson disputou no comando do Bahia pelo Campeonato Brasileiro.
A campanha tem sido suficiente para se manter na zona de acesso para a elite, mas com muito mais gosto de alívio do que de tranquilidade. Do momento que chegou até agora, o treinador ainda não conseguiu repetir a equipe. Dessa forma, a formação teve sempre ‘surpresa’ nos 15 confrontos, mesmo que a diferença tenha sido só de um jogador. Sem tempo para desenvolver o entrosamento dentro de campo, o resultado torna-se cada vez mais imprevisível, o que ajuda a entender a dificuldade em emendar uma sequência positiva no torneio. Outro dado que corrobora com essa ideia é o de que 25 jogadores diferentes foram utilizados nesse recorte de 15 partidas.
Solução mágica?
Depois da derrota para o Cruzeiro por 1 a 0 no Mineirão, o Esquadrão de Aço voltou à Arena Fonte Nova para enfrentar o Náutico com seis mudanças na escalação titular. Mais de meia equipe foi trocada, com motivos diversos, desde atletas que cumpriram suspensão automática aos que voltaram de lesão e opções do técnico.
Naquela noite, os comandados de Enderson Moreira bateram o adversário por 3 a 0, para delírio da torcida tricolor. Porém, aquele dia também foi a maior representação de um hábito difícil de lidar para a equipe, a exacerbada quantidade de mudanças. Não é como se fosse necessário insistir no erro, mas o diagnóstico aparente é o de que o técnico ainda não entendeu bem quais ingredientes da receita ele usou errado. Inclusive, o próprio resultado positivo tem que ser colocado na balança, já que foi contra um adversário muito inferior ao atual líder da Série B.
Com oito rodadas restantes e somente uma competição para disputar, utilizar a força máxima na maioria das ocasiões é desejável, mas improvável. “A gente está em uma fase que, dos últimos cinco jogos, vamos fazer quatro fora de casa. É o deslocamento que a gente tem, uma série de coisas. E não só para a gente. Todo mundo está com dificuldade de vencer fora de casa. O campeonato é assim, chega o momento em que o desgaste é enorme. Estamos buscando soluções. Estamos rodando um pouco para ter time mais fresco”, disse o treinador, após duelo contra o Sport.
Se for dessa maneira, que o mais importante seja seguir o plano de jogo, independentemente das peças. Porém, Enderson terá que identificar a mistura correta para cada receita.