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Questionado, Jean quer provar que merece a camisa 1

Vitor Villar
Por Vitor Villar
| Atualizada em
Jean tenta mostrar que merece confiança
Jean tenta mostrar que merece confiança - Foto: Felipe Oliveira l EC Bahia

Nenhuma posição gera tanta apreensão e controvérsia entre os torcedores do Bahia neste início de temporada como a de goleiro. É nela que o único titular oriundo da base tricolor precisará provar, duelo a duelo, que merece o posto.

O problema é que esse prata-da-casa tem uma bagagem que poucos garotos na sua idade deveriam carregar. Jean, de 21 anos, ainda é marcado pelas falhas contra o Ceará, na final da Copa do Nordeste de 2015, e no amistoso com o Orlando City, em fevereiro do ano passado. Eventos já distantes, mas que retornam com força toda vez que o camisa 1 entra em campo.

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Na sua primeira partida oficial em 2017, contra o Fortaleza, na quinta-feira, 26, o goleiro espalmou para longe boa parte dessa desconfiança. Um dos destaques em campo, Jean fez pelo menos duas defesas complicadas, que garantiram o empate em 0 a 0 como visitante para o Esquadrão, que atuou por quase uma hora com um homem a menos.

“Aumenta bastante a minha confiança, sem dúvida. Acho que não só essa partida contra o Fortaleza, mas também as três partidas que fiz no ano passado (na Série B), nas quais, na minha opinião, já tinha ido muito bem. Mas a partida (de quinta) foi boa mesmo, pelas defesas que fiz. Por isso acho que o empate não foi um resultado ruim, pois ficamos sem um homem quase o jogo inteiro”, considerou Jean.

Para que outro goleiro?

Não é segredo para ninguém, principalmente para Jean, que o Tricolor está no mercado em busca de um goleiro mais experiente. Mas a contratação visaria a disputa da Série A, ou seja, o reforço não deve chegar antes disso.

O prata-da-casa, portanto, terá até abril para mostrar, no Campeonato Baiano e na Copa do Nordeste, que o Esquadrão não precisa buscar outro atleta para a posição. As competições funcionarão, assim, como um ‘vestibular’: “Elas são muito diferentes, na minha concepção. Acho a Copa do Nordeste mais complicada, mas isso não tira a dificuldade do Baiano. Teremos grandes adversários em ambas as competições. Temos que respeitá-los independentemente da camisa”.

Jean sabe que, nessa batalha diária, um dos seus principais obstáculos será parte da própria torcida. Para encará-la, criou uma estratégia: “Nunca me preocupei com o que a torcida fala, não. Acho que não tenho que mostrar nada para ninguém. Tenho é que procurar dar o meu máximo quando estiver embaixo das traves e ajudar o Bahia”, disparou.

Quando toca no assunto, o goleiro se exalta um pouco: “Tem alguns torcedores que me apoiam, outros não gostam de mim, é normal. Mas eu não jogo para mostrar nada a eles, não. Eu jogo é para ajudar a equipe a sair com o triunfo. Enquanto estiver no clube, será sempre assim”.

Mais comportado

Em entrevista para o A TARDE há 20 dias, o preparador de goleiros Thiago Mehl explicou que a aposta em Jean neste primeiro semestre se daria porque o garoto evoluiu comportalmente ao longo dos últimos seis meses: “A questão de Jean é mesmo psicológica. Tecnicamente, ele é um fenômeno da posição: é rápido, ágil, sabe jogar com os pés. Mas ele é muito competitivo, não gosta de perder nada, defende o Bahia sempre. Mas ele estava extrapolando demais nisso”.

“Meu maior desafio foi mostrar para ele que precisava amadurecer, deixar de ser um menino irresponsável. E ele entendeu. Eu sei que existe desconfiança por parte da torcida, mas ele é uma joia que o Bahia tem e merece ser tratado com carinho”, completou Mehl.

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