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"Sofria muito preconceito na escola, vindo das meninas", diz Jordana

Volante de apenas 20 anos tem sido um dos destaques das Mulheres de Aço

Léo Silva
Por Léo Silva
Jordana: "Quando era mais nova, uma das principais barreiras que eu tive que enfrentar foi jogar contra os meninos"
Jordana: "Quando era mais nova, uma das principais barreiras que eu tive que enfrentar foi jogar contra os meninos" - Foto: Letícia Martins | EC Bahia

De volta à Série A1 do Brasileiro Feminino, o Bahia tenta uma campanha superior à de dois anos atrás, quando na primeira participação na elite foi rebaixado. Um dos destaques das Mulheres de Aço é a volante Jordana. Ela tem 20 anos, nasceu em Salvador e carrega toda a baianidade no sangue. A mãe dela, Nilda do Acarajé, também é baiana.

Nessa entrevista ao A Tarde, ela fala sobre as perspectivas da equipe feminina do Tricolor, sobre as barreiras enfrentadas em um ambiente historicamente ligado aos homens, e revela ter sofrido preconceito das próprias colegas na época da infância por gostar de jogar bola.

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No último sábado, o Esquadrão levou a melhor em cima do Ceará e aplicou uma incrível goleada por 10 a 0, no estádio de Pituaçu. O duelo foi válido pela terceira rodada do Brasileirão. Jordana marcou um dos gols. Nathane e Ary (3x), Fabi Ramos (2x) e Juliana completaram o placar.

Como você avalia esse início de Brasileiro do Bahia? Quais os objetivos da equipe? E quais as reais perspectivas?

O time passou por uma reformulação de 2022 para 2023. Ainda estamos ajustando algumas coisas. A gente sabe que conseguiu um ponto importante fora de casa, contra o São Paulo, mas infelizmente tropeçamos dentro de casa. Mas independente disso, o nosso foco, nosso objetivo, é nos classificarmos entre os oito melhores e estamos em busca disso. Temos um ponto bastante positivo que é lutar até o final. O jogo só acaba depois do apito final. E eu acredito que a equipe ainda vai surpreender muito durante o campeonato.

Teve apoio da família quando resolveu tentar carreira no futebol? Qual o principal tipo de conselho?

Foi um apoio passivo. Eles nem interferiam nas minhas decisões, nas minhas escolhas, e também não me davam um suporte, um incentivo. Sempre foi a minha vontade e o meu querer que me fizeram seguir.

O futebol ainda é um ambiente muito associado ao masculino. Quais as principais barreiras que você já enfrentou até hoje na vida por causa disso?

Quando eu era mais nova, uma das principais barreiras que eu tive que enfrentar foi jogar contra os meninos. Porque não tinha time feminino na época. Então, eu tive que lutar contra isso. Sempre que eu ia participar de alguma competição, eu era a única menina do grupo. Então foi uma das maiores barreiras que eu tive que enfrentar.

Hoje, se discute muito mais sobre o machismo na sociedade. Poderia citar situações que você tenha vivido ou presenciado, que eram normalizadas, e que hoje são devidamente combatidas?

Sim. Sim. Na época da escola, eu evitava bastante jogar bola com os meninos porque eu sofria muito preconceito, vindo das próprias meninas, por eu ter escolhido o futebol, que na época era um esporte associado ao homem. Só que hoje eu vejo que já é mais aceito. Eu vejo escolas criando time feminino, tendo competições femininas nas escolas. Então, hoje eu vejo que isso já foi quebrado.

Como você avalia o atual momento do futebol feminino no país e no mundo, com o aumento de visibilidade? Jogos de clubes em TV aberta, maior espaço na cobertura.

Ah, sim. Hoje em dia com a visibilidade dos jogos transmitidos já é muito melhor do que 10 anos atrás. Mas eu acredito que ainda vai evoluir muito mais.

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