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ELEIÇÃO NO RUBRO-NEGRO

"Fazer o Vitória figurar entre os melhores", promete Ângelo Alves

Economista e gestor de futebol, Ângelo Alves é um dos candidatos à presidência do Vitória

Filipe Ribeiro
Por Filipe Ribeiro
| Atualizada em
Ângelo Alves deu entrevista exclusiva ao Portal A TARDE
Ângelo Alves deu entrevista exclusiva ao Portal A TARDE - Foto: Arquivo Pessoal

Candidato de oposição ao cargo executivo do Vitória, Ângelo Alves defende um projeto de inovação e valorização do clube a médio e longo prazo. Opção à presidência pelo grupo Vitória Para Todos, defende a capacitação de profissionais, recuperação das divisões de base, além de uma gestão responsável e transparente.

O mestre em economia e gestor de futebol foi o terceiro entrevistado pelo Portal A TARDE, em uma série de entrevistas com os pré-candidatos à presidência do Vitória. O pleito que vai escolher o novo presidente do clube está marcado para o dia 10 de setembro, no Complexo do Barradão, das 9h às 19h, e também terá uma cobertura especial. Confira a entrevista:

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1 - Gostaríamos primeiro de uma apresentação e saber por que você é o melhor candidato para presidir o Vitória?

Meu nome é Ângelo Santos Alves. Sou formado em Economia pela UFBA e tenho mestrado em Economia. Não parei de estudar ou pesquisar nesta área, motivo pelo qual sou doutorando em Economia. Sobre minha profissão: sou servidor público federal no INPI, com passagem pelo IPEA. Formado em Gestão de Futebol pela CBF Academy. Sou, acima de tudo, um torcedor apaixonado pelo Esporte Clube Vitória, além de colecionador entusiasta de itens antigos do clube, principalmente as camisas do time de futebol. Meu acervo pessoal supera a marca de 500 camisas futebolísticas do clube.

Sou idealizador e fundador do Grupo Vitória para Todos e principal mentor do projeto que irá colocar o Vitória no rumo do sucesso e entre os melhores clubes do Brasil. Em médio prazo, é possível fazer com que o nosso Clube volte a figurar entre os melhores do mundo, principalmente, no tocante às categorias das divisões de base. O nosso diferencial nestas eleições é ter um projeto robusto e detalhado de gestão que pode ser executado pela presidência do Conselho Gestor, resultado de um grande esforço intelectual para estudar e analisar o Vitória.

2 - Formado em gestão de futebol pela CBF Academy, você ainda não tem uma experiência prática de um clube de futebol. Como você encara a possibilidade do seu primeiro trabalho ser justamente comandando o Vitória?

Praticamente todos os candidatos à presidência do clube não têm experiência como gestor de um clube de futebol, incluindo o atual presidente, Fábio Mota - que nunca tivera trabalhado em clube de futebol, nem foi eleito presidente gestor (recordemos que ele assumiu a presidência da gestão por conta da cadeia sucessória prevista no Estatuto do clube), muito menos ter formação em gestão de futebol. A nossa segurança em dirigir um clube do porte do Vitória é: ter um projeto que vem sendo construído há algum tempo; ter profissionais capacitados que já possuem experiência no mercado futebol e que aderem à nossa gestão, se formos eleitos; já ter um nome gabaritado para assumir a direção de futebol, com grande aceitação no meio e que aceitaria vir para o Vitória; ser formado na área de negócios; ter estudado e me aproximado do mercado do futebol, frequentando cursos e congressos sobre o tema; ter estudado exaustivamente o ECV; e ter um profissional que irá nos ajudar a buscar os recursos que necessitaremos para gerir o clube durante o ano de 2023. Uma parte do valor já está fechada através de contatos com empresas que acreditaram no nosso projeto. A prática dar-se-á no momento que entrarmos no Vitória e pudermos transformar as nossas ideias em ações. Sem uma boa teoria, sem a formação necessária, sem um excelente projeto, todas as ações se tornam, basicamente, empíricas. Nosso grupo possui diversas competências que quando somadas endossam o nosso preparo para esse que, talvez, seja o maior desafio que o Vitória tem nos últimos anos; não precipitarmos uma SAF nem calarmos de vez a voz do nosso maior patrimônio: a nossa torcida.

3 - Quais são as propostas de inovação para o clube, um dos pilares da sua promessa de campanha?

O Vitória já possui know-how na formação de atletas. Entretanto, após um diagnóstico na divisão de base do clube, verificou-se a necessidade de melhorar a tomada de decisões dentro e fora de campo pelos atletas da base. Dessa forma, propomos uma metodologia complementar que denominamos de Neuronball, que é baseada em neurociência, para complementar a formação educacional-futebolística dos atletas da base. Os benefícios são: ter melhores atletas para o profissional, reduzir a dependência de contratações (que envolvem gastos vultosos em comissões para atletas e empresários) e ajudar na criação de receitas não recorrentes em caso de venda. Com o destaque da nossa divisão de base, os patrocinadores cada vez mais irão ser atraídos para uma parceria com o clube. É preciso deixar claro para o torcedor que a metodologia melhora o desempenho do atleta dentro de campo e o comportamento fora dele, reduzindo os efeitos negativos, oriundos de situações extracampo sobre seu desempenho futebolístico.

Observe que é uma inovação e diferente como algumas pessoas imaginam (de forma errada), já trará resultados a curto prazo, que prevemos em torno de 1 ano. A metodologia possui atividades para melhorar o foco, a concentração, a educação emocional, e a melhoria do aprendizado no futebol. Por ser experimental, não foi aplicada em nenhum clube, mas foi desenvolvida em conhecimento científico. Vários clubes do mundo estão se utilizando da ciência de fronteira, por que não fazer no Vitória?! Além do mais, seu custo será praticamente financiado por empresas parceiras, inclusive os recursos irão manter a nossa divisão de base, cujos valores estimados são de 6 milhões de reais. Com isso, os recursos que atualmente gastamos na divisão de base serão destinados ao departamento de futebol. Portanto, a viabilidade está totalmente garantida a um custo praticamente zero ao clube. Não valeria a pena tentar?

4 - Em janeiro você teve a oportunidade de fazer um estudo sobre a divisão de base do Vitória. Qual a sua avaliação sobre ela e quais mudanças serão feitas na sua gestão?

Uma das principais críticas que pode ser feita é que, atualmente, os gestores da divisão de base não são profissionais da área. A primeira atitude que iremos tomar é colocar um gestor profissional da área para que, de forma mais profissional, preparar este setor para implementação do nosso projeto Neuronball. Outra ação que pretendemos fazer é a análise dos contratos de formação de atletas, principalmente no quesito direitos econômicos. Recentemente conversamos com uma empresa e mostramos nosso projeto, a qual se predispôs a ajudar no financiamento das ações a serem tomadas. Desta forma, há possibilidade de buscar e trazer mais recursos para executar o planejado.

5 - O seu projeto conta com a expectativa do Vitória ter um time competitivo a partir de 2026, expectativa essa que conta com uma reeleição. Até conseguir chegar a esse patamar na sua gestão, o Vitória irá sangrar nas competições que disputar?

Quando realizamos o nosso planejamento, o Vitória estava na zona de rebaixamento da Série C. Então, fizemos a projeção de nos mantermos na Série C e em 2024 subirmos para a B. Chegaríamos à Série A em 2026. Assim, de certa forma já teríamos um time competitivo antes para poder voltar a Série A. Entretanto, acreditamos que teríamos um time muito mais competitivo à medida em que nossa inovação já estivesse amadurecida e totalmente aplicada, colhendo os frutos, via formação nas divisões de base, para ter um time competitivo para a Série A em 2026. Clubes, como o Vitória, com orçamento dependente de receita de televisão dificilmente serão estáveis na Série A se não tiverem uma inovação como a que estamos propondo. Portanto, acreditamos que em 2026 teremos grande parte do time principal formado na base e grandes receitas de vendas de atletas, que irá ajudar a complementar o elenco com jogadores de qualidade.

6 - O Vitória vive uma crise financeira grande por conta de gastos excessivos de presidentes anteriores e os rebaixamentos sofridos pelo clube. Como você acredita que possa reverter essa dificuldade financeira?

No futebol brasileiro, o Vitória é um clube que tem receitas e valor de mercado abaixo de grandes clubes brasileiros, como Flamengo e Palmeiras, por exemplo. Adicionalmente, uma parte de nossas receitas tem que ir para pagamento de dívidas. O Vitória tem no seu ‘DNA’ a formação de atletas e isto pode ser mais bem explorado para buscar receitas não recorrentes. O amadurecimento da nossa inovação será o ponto de inflexão para a mudança de chave, quando economizaremos com contratações e pagamentos de altas comissões, resultando em grande parte do time profissional formado na base. Por isso, é necessário um projeto maduro, com um planejamento estratégico que coloque o clube nos rumos, que defina sua missão, visão, valores, objetivos, captação de receitas, responsabilidade social, e o projete para frente. Além de tudo isso, acreditamos nas premissas de mercado e afirmamos que não há qualquer necessidade na figura de um ‘mecenas’ ou de um ‘salvador-da-pátria’. As empresas parceiras, incluindo os patrocinadores, não se orientam por estes elementos: antes, querem saber qual marca pode lhes trazer retorno e, nesse sentido, uma boa estrutura de governança corporativa apoiada em um projeto sólido chama a atenção dos atores de mercado, pois estes elementos falam muito fortemente acerca da profissionalização. Resumindo: os recursos são mais facilmente captados quando a empresa que quer captá-los se mostra com uma apresentação profissional, em acordo com as expectativas de mercado.

7 - Qual a sua posição em relação a composição de uma SAF. Acha que o Vitória deveria buscar um investidor ou manter o seu modelo atual?

Se 80% do nosso projeto for implementado até 2026, não haverá a necessidade de SAF por alguns anos. Atualmente, o clube não possui profissionalismo suficiente, nem governança corporativa necessária para atrair grandes investidores, e nem um projeto com um plano de desenvolvimento, como o nosso, que eleve o valor (valuation) do clube. Tive acesso a uma valuation realizada em 2019 que calculou o valor imobiliário do barradão em 200 milhões. Na nossa apresentação no youtube utilizamos o método das múltiplas receitas e calculamos o valuation do clube em R$206.865.526. Se fôssemos eleitos e conseguíssemos implementar o projeto por completo até 2029, após 6 anos, a nossa valuation seria de R$1.585.515.324,61, ou seja, o clube estaria valendo 8 vezes mais em termos nominais. O fortalecimento do clube possibilitaria, em caso de negociação com investidores para compra de um possível Vitória SAF, um poder de barganha maior da associação civil em deter uma porcentagem maior dos ativos do clube. Na atual situação, nosso clube estaria à mercê do investidor porque está desestruturado e com baixo valor.

8 - Sua chapa propõe projetos sociais e atenção aos esportes alternativos no clube?

A chegada do clube na região da Canabrava possibilitou a sua transformação social e urbana, principalmente a partir da década de 80. Entretanto, a região ainda é carente de investimentos públicos e privados, tendo índices socioeducacionais muito baixos. Assim, ainda se trata de uma região de vulnerabilidade social. Dessa forma, o nosso projeto formaliza o clube como um vetor de transformação social na região de Canabrava, ao colocar a responsabilidade social na orientação do seu planejamento estratégico. Com isso, o clube irá trazer recursos e prover o desporto educacional para as crianças da região. O projeto da academia de futebol, idealizado pelo ex-gestor (o recém-afastado Paulo Carneiro), que considero um projeto de relevância, deverá receber recursos financeiros e ser usado, de forma organizada e planejada, pela região e para o clube formar atletas de alto rendimento. O intuito é alcançar quase 12 mil alunos, nas categorias masculino e feminino, da região. O retorno para a população local será reduzir a evasão escolar, melhorar os indicadores sociais e epidemiológicos contrários à saúde coletiva. As empresas parceiras e financiadoras terão visibilidade da marca com a responsabilidade social, melhorando no ranking de ESG (sigla em inglês à expressão Enviromental, Social and Governance). Em relação aos esportes amadores do clube, incluindo o futebol feminino, que também terá captação de recursos.

9 - Qual recado que você deixa para o torcedor do Vitória para os próximos anos em caso de vitória?

Esta candidatura presta-se, principalmente, a fomentar uma considerável mudança no processo eleitoral do clube, que é a do sócio procurar conhecer os projetos e as propostas de gestão que os candidatos oferecem ao clube. Apelamos ao sócio do ECV para que este conheça o nosso projeto, que é exequível e factível com a realidade do clube. Que o sócio se junte a nós para ajudar a reerguer o clube. Que o sócio não se esqueça dos atores que nos levaram à derrocada em que nos encontramos, cuja expressão principal se dá pela participação na Série C. Que o sócio não se esqueça que a história recente do clube é marcada pela falta de profissionalização das gestões. O sócio precisa ser exigente com aqueles que se apresentam como gestores. Um dos nossos compromissos é fazer com que o sócio seja mais bem tratado após uma revisão do plano de sócios. Estimularemos a produção de conteúdo histórico do clube, com a produção de livros, revistas, exposições de camisas e itens históricos.

Promoveremos a diversidade de torcidas e representações do Barradão. Usaremos nosso santuário fora dos dias de jogos para trazer eventos não restritos ao futebol, de forma a criar uma renda extra ao clube, ao mesmo tempo em que abre o clube de forma organizada e correta. O clube precisa de um projeto sólido, mas o que temos visto é que, atualmente, o ECV é gerido ‘de qualquer jeito’, sem qualquer fundamento técnico em muitas das decisões tomadas. Além de uma gestão profissional, nosso compromisso também é com a transparência. Então, torcedor, nessas próximas eleições procure ser mais exigente e não se deixe levar por peças de marketing, pois passam os dirigentes, os jogadores e as pessoas, mas fica a instituição e o amor do torcedor dentro da família rubro-negra. Que a instituição ECV seja próspera e que o amor do torcedor não se torne sofrimento. Acreditamos que o vetor de crescimento do clube se dá, principalmente, com o voto consciente do sócio-torcedor. Acreditamos na Democracia. Essa é o nosso pilar base.

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