ELEIÇÃO NO RUBRO-NEGRO
Victor Mendes projeta "novo modelo de gestão” para o Vitória
Empresário visitou o Grupo A TARDE e falou como pretende colocar o clube de volta aos anos de conquistas


Presente em momentos bons e nos ruins nas arquibancadas do estádio Manoel Barradas, popularmente conhecido como Barradão, o pré-candidato Victor Mendes e apresentou sua plataforma de campanha e como fazer para colocar o Vitória de volta aos anos de conquistas em mais de cem anos de história.
Em visita à sede do Grupo A TARDE, o empresário foi o terceiro entrevistado da série com os pré-candidatos à presidência do Esporte Clube Vitória. O pleito que vai escolher o novo presidente do clube está marcado para o dia 17 de setembro, no Complexo do Barradão, das 9h às 19h, e terá uma cobertura especial. Confira a entrevista:
1- Gostaríamos primeiro de uma apresentação e saber se você, como um administrador de empresas, já tem alguma experiência dentro do futebol?
O fato de eu ser um torcedor de arquibancada é o primeiro requisito, mas não é o suficiente. Eu tenho formação em Gestão na UFBA, mestrado e doutorado, tenho uma atuação empresarial. A gestão é meu dia a dia profissional. O terceiro ponto é a minha experiência com o futebol. Eu sou Conselheiro do clube há três anos, participo da vida ativa do clube. Eu não tenho a caneta, mas tenho a voz. Conheço os números, a operação e o funcionamento do clube. Eu tenho muita clareza da situação do clube e o que precisa. Não vou chegar de paraquedas, depois da eleição, sem saber o que aconteceu.
2 - Quais as suas principais propostas junto com o 'Movimento Novo Vitória' para recuperar o clube, que vive anos de crise?
O Vitória precisa transitar para um novo modelo de gestão. Uma gestão profissional. Não temos espaço para presidente e vice, por exemplo, atuando em órgãos públicos executivos. É necessário uma dedicação ao clube. Lá atrás serviu, mas é um modelo que não permite mais. Precisamos ter um clube para ultrapassar os R$ 100 milhões. Hoje, estamos com orçamento 40 vezes menor que alguns clubes. A gente precisa crescer a receita em 30% ao ano. Outra situação é reestruturar o nosso modelo de base. Não cabe fazer peneira com uma quantidade enorme de atletas e, às vezes, perdemos muitos jogadores bons. Vamos colocar time de Fut-7 e futebol de Salão. Outra solução é multiplicar o número de escolinhas, sair de uma unidade para 80 no país.
Vamos implementar uma política agressiva de marketing, reestruturar o Sou Mais Vitória. Montamos um plano de negócios específico para trabalhar essa questão de produto e mercado, que vai melhorar a relação com os associados. Na questão financeira, queremos aumentar em R$ 8 milhões as receitas do clube já no primeiro ano. No ponto de vista operacional operacional, iremos melhorar o contentamento do sócio, deixando um nível de satisfação elevada. Então, a receita é construir essa política de marketing agressiva, em termos de vendas de produtos, experiências dentro do estádio, comodidade para o torcedor, criando um ambiente de prazer qu também gere esse aumento de receita ao clube ao longo das partidas. Isso acarretará em um relacionamento intensivo, com os torcedores e os admiradores da nossa marca.
3 - Qual a sua posição em relação a composição de uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Acha que o Vitória deveria buscar um investidor ou manter o seu modelo atual?
O caminho do Vitória passa primeiro pela reformulação interna, para a gente enfrentar os nossos problemas e não terceirizar as soluções. Para a SAF, a gente precisa organizar o clube e, de forma orgânica, com envolvimento da torcida, sócios, venda de produtos e organizando a casa com elevadíssima governança, você passa a ter o clube mais atrativos e pode começar a receber propostas. Você não negocia um clube de 123 anos com um pires na mão. No cenário atual, todos os grandes fundos estão procurando todos os clubes. O que não pode fazer é negociar a instituição com a faca no pescoço. Outro ponto é que o modelo de SAF não está consolidado. Precisamos entender que é uma transação que não tem volta. Vender o nosso clube não tem volta, por isso defendo que tem que ter clausula de desempenho e estipular metas. Vai brigar na Série B, ficar entre os 10 na Série A ou brigar para não cair?
4 -Como fazer para aumentar o número de sócios do Vitória e ajudar a equipe na parte financeira, que vive uma crise grande?
Para o aumento de receita é necessário um maior envolvimento da torcida. Ela responde, não é à toa que tem 30 mil pessoas por jogo. O Brasil inteiro sabe da força. Agora, a gestão do clube precisa facilitar esse aumento no quadro de sócios. Na base do Sou Mais Vitória, seguramente existe mais de 10 mil CPFs que foram sócios algum dia. O clube precisa ligar e entender o motivo de terem deixado a associação e o que é preciso para trazer de volta. É necessário ter novos planos para o torcedor que reside no interior e não está no Barradão todos os jogos, além de um plano popular para o torcedor que recebe um salário mínimo. O Vitória precisa ser um time de todos e com capacidade de acolher pessoas com poder aquisitivo diferente.
5 - Você conversa com outros pré-candidatos?
Eu particularmente tenho relação muito boa com todos os candidatos, de falar com eles por telefone. Pessoalmente não tenho problema de conversar com todos. Converso pautado em plano de gestão e estratégico por quem propõe para o futuro do clube, de sugestões e de críticas. Não sou mais dono e torcedor que ninguém. O que eu não abro mão é a gente ter uma governança mais forte no nosso clube. Isso é inegociável. Dito isso, converso com todos no propósito de provocar o sócio e a instituição para temas que não estavam sendo abordados, como inovação, gestão contemporânea, governança, relacionamento torcedor com sócio. Quem acompanha, sai convencido que as nossas propostas são as melhores. Converso com torcedores e sócios sempre. Negociação e cargo não serão feitos como leilão. Vamos discutir propostas, ideias e visão de gestão.
6 - O atual presidente Fábio Mota anunciou a sua candidatura. Qual a sua avaliação da gestão atual?
Fábio assumiu o clube com o compromisso de, com muito cuidado, passar o bastão de uma velha guarda para uma nova era de sócios do clube. Acho que esse era o grande desafio que todo mundo tem na cabeça. Se ele vai conseguir cumprir isso, vai ficar mais claro no próximo mês. Tenho certeza que Fábio saberá conduzir da melhor forma possível para a nova gestão que vai chegar. O que me deixou descontente com a gestão de Fábio é a forma de tratar o clube como uma instituição terra arrasada. Nossa crença é que uma gestão profissional, dedicada ao clube e com o apoio da torcida. Ele cometeu o erro de ficar preso na urgência, que é difícil, mas ele teria que ter um planejamento para o futuro, não do time do futebol. Ele olhou muito para o dia a dia com conta que tem que pagar hoje e amanhã. Quando ficamos preso na urgência do dia a gente, termina andando de lado. Ele tem que olhar, sim, para o dia a dia do futebol, mas ao mesmo tempo para o futuro e futuras competições. Ele não pode abrir mão de cuidar do dia a dia, da competição que disputa, mas precisa planejar o futuro de forma simultânea.
7 - Qual o recado que você deixa para o torcedor do Vitória, para os próximos anos caso seja eleito?
A solução para o clube é a associação em massa. O torcedor não pode deixar de ser sócio por conta da dificuldade em campo e isso não pode ser motivo para o torcedor desistir do Vitória. A gente tem que saber que nós torcedores carregamos o nosso time e a torcida é responsável pelo nosso acesso. O torcedor precisa ter dimensão da instituição. Ela existe antes de estarmos aqui nesse planeta, ela vai continuar a ser depois. É minha, de meu pai, foi de meu avô, é de minha filha vais ser de meus netos, ela ultrapassa o campo. Tem que avaliar o que é melhor para instituição. O recado é para que mais torcedores se associem, tragam amigos e, na hora de uma eleição, contribua sugerindo e criticando sobre os planos. No dia da eleição, também possam avaliar a questão central e enxergar o que é melhor para a instituição. O torcedor quer mudar o modelo antigo, que no passado chegou a dar certo, para um modelo contemporâneo, que atenda as mudanças do futebol.