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Globalizada, Copa Africana de Nações começa neste sábado


É bom já começar a se preparar. Em 2026, a Copa do Mundo terá 48 seleções, 16 a mais do que no formato atual. Entre elas, 10 (21%) poderão ser africanas. Uma boa maneira de saber mais sobre o ainda obscuro futebol jogado no mais pobre continente do planeta é acompanhar a Copa Africana de Nações, que começa neste sábado, 14, no Gabão.
Às 13h (da Bahia), o confronto entre a equipe anfitriã e Guiné-Bissau abre a competição. Depois, Burkina Faso e Camarões se pegam às 16h. Desses quatro times, apenas Camarões já disputou Mundiais – sete no total.
Outras três das demais 12 seleções que vão jogar no Gabão também nunca participaram de uma Copa do Mundo: Zimbabwe, Uganda e Mali. A possibilidade de haver estreantes na edição de 2026 é enorme, afinal, apenas 13 times africanos já disputaram o Mundial. De acordo com o novo formato definido pela Fifa nesta semana, nove equipes da África terão vaga direta e uma ainda poderá se classificar via repescagem.
A CAF (Confederação Africana de Futebol) só perderá para a Uefa em número de vagas – os representantes europeus vão passar de 13 a 16.
A mudança nas regras da Copa é a grande chance para os africanos afirmarem sua evolução do futebol. Eles só passaram a ter, regularmente, equipes no torneio a partir de 1970 – no formato atual, são cinco seleções (16% do total de 32). Quanto a resultados, as equipes do continente não impressionam. A primeira vitória veio com a Tunísia em 1978. Oito anos depois, a seleção marroquina foi a primeira a passar de fase e jogar as oitavas de final. O melhor desempenho histórico é o avanço às quartas de Camarões (em 1990), Senegal (em 2002) e Gana (em 2010).
Mirando já o Mundial da Rússia no ano que vem, vale ressaltar que um bom resultado na Copa Africana não costuma significar bom desempenho no Mundial seguinte. Dos últimos seis campeões continentais, apenas um conseguiu vaga na Copa do Mundo subsequente. O último vencedor que confirmou o bom momento sendo o melhor africano do Mundial seguinte foi a Nigéria, em 1994.
Clã Aubameyang
De olho no inédito título continental, o Gabão abriga a Copa Africana pela segunda vez em cinco anos – esta edição seria realizada na Líbia, mas a sede teve de ser transferida por conta dos conflitos no país.
Nação com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da África subsaariana – superior ao da África do Sul, por exemplo – o Gabão só começou a ter alguma relevância no futebol a partir da década de 1990. Disputou a Copa da África pela primeira vez em 92, e tem como melhor desempenho o avanço às quartas de final em 96 e 2012, quando sediou o torneio junto com a vizinha Guiné Equatorial.
Nos duas ocasiões, valeu o brilho do clã Aubemayang. Estrela do Borussia Dortmund, Pierre-Emerick Aubameyang foi o artilheiro do time há cinco anos e chega para esta competição no auge, com seu nome especulado nos maiores clubes do mundo.
Em 1996, seu pai, Pierre-François Aubameyang atuou com destaque na primeira boa campanha gabonesa na história.
Fora da família, outro atleta que chama atenção na equipe é o meia Mario Lemina, da potência italiana Juventus.