HEBERT X YAMAGUCHI
Hebert Conceição: do ouro olímpico ao desafio do clã Falcão
Campeão olímpico enfrenta medalhista olímpico que chega com a missão de vingar o irmão após dois anos afastado do ringue
Por Marina Branco

"Ele vem com a missão de vingar o irmão. Eu tenho a missão de não deixar". A frase dita por Hebert Conceição resume a luta histórica que acontecerá entre o baiano e Yamaguchi Falcão na Spaten Fight Night 2, no dia 27 de setembro, em São Paulo. Dentro do ringue, Hebert enfrentará um adversário inédito, mas ainda assim dará continuidade a uma história que começou lá atrás.
Na primeira edição do Spaten Fight Night, em junho de 2024, Hebert encontrou com Esquiva Falcão, irmão de Yamaguchi, dentro do octógono. Na luta, o cinturão ficou com o baiano, que afirma ter sido muito subestimado pelo adversário. Agora, a segunda edição traz a continuação dessa história, com Yamaguchi dando tudo de si para vingar o irmão mais novo e Hebert convicto de que não tornará isso possível na briga pelo cinturão nacional da categoria peso médio (74 kg).
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“Diferente do irmão dele, que me subestimou, ele não está me subestimando. Tenho certeza que vai ser uma luta muito mais difícil, muito mais pegada", projetou Hebert em entrevista ao Portal A TARDE, na preparação para enfrentar outro medalhista olímpico no ringue.
Crias dos Jogos Olímpicos
Enquanto Yamaguchi foi medalhista de bronze nas Olimpíadas de 2012, Hebert foi campeão em 2020, colocando dois medalhistas olímpicos na briga do mês que vem. “Vai ser uma luta histórica no boxe brasileiro. Se fosse lá fora já seria gigantesca. Dois medalhistas olímpicos se enfrentando no Brasil é um privilégio", comenta.
“Estou muito honrado em ser um dos protagonistas de mais um momento histórico no esporte, na minha modalidade. Está todo mundo achando que vai ser uma grande luta, dois atletas de nível muito páreo. Estou treinando bastante, já em ritmo de luta", completa.

O objetivo, então, é simples - "dar um show". "Minha expectativa é mostrar um Hebert cada vez melhor, mais preparado fisicamente, tecnicamente e psicologicamente. Se eu tiver a oportunidade de vencer a luta por nocaute, farei de tudo para acabar na primeira oportunidade", garante.
Segundo capítulo com a família Falcão
Do outro lado, no entanto, a meta é a mesma, como Yamaguchi afirmou ao Combate: "Isso me dá uma empolgação. Motiva muito mais a querer vencer a luta e mostrar para ele que eu sou o clã. Eu que trouxe o boxe para a família. Para mim é muito importante estar nessa luta da melhor forma para no final ter a mão levantada".
Dono do cinturão brasileiro dos super-médios após manter o título contra Thiago Ferreira, Hebert garante estar preparado para encarar Yamaguchi, e até o adversário parece concordar. "Eu conversei pouco com o Esquiva sobre o Hebert. O Esquiva é um bom atleta, tem uma experiência enorme, mas ele não estava preparado para lutar contra o Hebert", avaliou.
"Eu tenho o costume de falar que o erro da equipe dele foi ter me dado tempo para treinar. Estou bem focado e treinado. O Esquiva passou umas dicas, mas na hora lá é o Yamaguchi que faz a diferença", comentou.

"Eu tenho uma grande admiração pelo Hebert. Ele fez história nos Jogos Olímpicos, igual eu fiz. Tem um talento enorme, mas está lutando com alguém que é o clã da família. O Esquiva vai ficar brabo comigo, mas aquilo que ele fez com o Esquiva eu fiz a vida toda", disse.
Se de um lado o Falcão mais velho sabe vencer o irmão, do outro, Hebert aprendeu tudo que pôde ao vencer o Falcão mais novo, e promete trazer muitos aprendizados de lá. "Aquela luta me trouxe um grande aprendizado. Foi minha primeira luta de 10 rounds, consegui lutar todos os rounds, venci a maioria deles e provei que sou capaz", afirma.
“O aprendizado é: se eu achar a oportunidade de acabar a luta, como tive no quarto round contra o irmão dele, vou acabar logo. Se eu tiver uma oportunidade mínima de vencer por nocaute, vou para cima com tudo para finalizar. É como no futebol: se eu tiver a chance na cara do gol, vou fazer com certeza", promete.
Preparação a longo prazo
Assim como Yamaguchi, Hebert vem sentindo a vantagem de saber o adversário com antecedência, já que o card foi anunciado mais de um mês antes da data da luta. Para ambos, esse privilégio do boxe profissional é muito positivo, já que o costume de atletas olímpicos é descobrir em cima da hora quem enfrentarão.
“Tenho a prioridade de saber meu oponente muito antes da luta, coisa que era diferente no Olímpico, onde só sabia na véspera. Consigo fazer uma preparação mais direcionada e planejada. Estou trazendo parceiros de treino com características parecidas para treinar o mais próximo do estilo dele possível", explica Hebert.
“Quero mostrar que me preparei para essa luta com muita seriedade. Isso é o que demonstra que sou um grande atleta.O que diferencia atleta de lutador é o atleta que se prepara independente de data de luta. Eu quero provar que sou atleta acima de tudo", garante.

Em família e em casa
O duelo já é mais que histórico por si só - dois medalhistas olímpicos e uma história de revanche em jogo. No entanto, além de tudo, há ainda o gostinho especial de ter duas grandes figuras do boxe brasileiro lutando dentro do Brasil, sob os olhos de suas famílias, seus fãs e seus torcedores.
Para ambos, o significado é grande, especialmente levando em conta que Yamaguchi estava sem lutar profissionalmente por dois anos até voltar no mês passado e vencer o baiano e ex-campeão brasileiro Sergio Dantas.
“A galera espera muita intensidade. Não vai se contentar com uma luta cadenciada, porque são dois medalhistas olímpicos experientes se enfrentando. O público não espera nada menos que uma luta de altíssima intensidade, nível de agressividade lá em cima e nível técnico gigante", reconhece Hebert.
“Estou me preparando fisicamente de uma maneira muito forte, porque sei que essa luta vai me exigir muito fisicamente e psicologicamente. Quero que o público saia vibrando e aplaudindo", promete.

A expectativa vem até do meio profissional, como da boxeadora e medalhista olímpica baiana Bia Ferreira, que protagoniza a luta feminina do card com a uruguaia Maira ‘La Panterita’ Moneo. "Vai ser uma noite incrível, um show. O Hebert e o Yamaguchi vão fazer um belo combate, estão se provocando o tempo todo", projetou Bia.
Para ele, então a luta nada mais é do que uma grande oportunidade: “Enfrento um adversário do calibre do Yamaguchi dentro do Brasil. Para arrumar um rival desse nível lá fora já é muito difícil".
“Ter essa oportunidade é importante para que eu firme ainda mais meu nome no boxe profissional e deixe de ser visto como promessa. Quero ser visto não só como promessa, mas como uma grande realidade e um futuro campeão mundial profissional", diz.
A luta será transmitida ao vivo na Globo, SportTV e Combate, e conta com outros confrontos históricos no card, com a baiana Bia Ferreira enfrentando a uruguaia Maira “La Panterita” Moneo e uma revanche entre Vanderlei Silva e Vitor Belfort.

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