ESPORTES
Leitores de A TARDE são contra sugestão do MP de torcida única em Ba-Vis


Pouco tempo depois da sugestão do Ministério Público da Bahia (MP-BA) de implantar torcida única nos próximos clássicos para garantir a segurança dos torcedores, Bahia e Vitória se manifestaram contrários à medida por meio de notas oficiais.
Se por um lado o MP, através do procurador Olímpio Campinho, alega que a medida deu certo em São Paulo, onde episódios de brigas de torcidas organizadas são recorrentes, os dois times baianos sustentam que os casos de violência ficam fora do estádio.
Bahia e Vitória enalteceram a paz na torcida mista, reimplantada no último Ba-Vi, e lamentaram a morte do estudante Carlos Henrique de Deus, de 17 anos, morto a tiros na saída do mesmo jogo.
“O problema não está no esporte, mas nas crises de segurança pública, educação e desemprego. (...) Ninguém tem o direito de trancafiar milhões de apaixonados em casa. Que julguem e prendam os criminosos”, diz parte da nota do Esquadrão de Aço.
“O Vitória vem a público declarar que não acredita que a torcida única seja a melhor solução para combater a violência. O clube vem caminhando em direção oposta ao concentrar esforços em promover a paz nos estádios para, justamente, resgatar a cultura de uma torcida mista”, completou o Rubro-Negro.
Em enquete promovida nesta quarta-feira, 12, nas redes sociais do A TARDE, a maior parte dos torcedores concorda com os clubes e é contra a torcida única.
Até as 22h45 desta quarta, 67% dos internautas acreditavam que a torcida única não solucionaria a violência nos estádios; 22% eram a favor da medida e 11% disseram não ter opinião formada.
Para coibir a violência nos estádios,MP sugeriu a adoção de torcida única em dias de BaVi.Bahia e Vitória foram contrários. E você?
— atardeesporteclube (@atardeesporte) 12 de abril de 2017
Para muitos torcedores, o maior problema é a violência fora do estádio, e não nas arquibancadas. “Sou totalmente contrário. Medida ineficiente contra a violência e tira boa parte da graça dos clássicos. Quero meu direito de ir”, disse o tricolor Luís Alberto Junior.
O também tricolor Charles Cavalcante foi além, e disse que, na torcida mista, no último Ba-Vi, o clima foi de tranquilidade. “Não houve conflitos nas arquibancadas. É sempre fora, isso cabe à segurança pública agir!”, opinou.
O rubro-negro Alex Borges completou: “Que melhorem a segurança pública e que prendam os marginais infiltrados nas torcidas”.
Mas teve quem achasse que a medida pode trazer segurança. Foi o caso de Marcelo Ferreira, torcedor do Bahia. “Talvez eu volte a ir ao Ba-Vi se for desse jeito, apesar de que o problema mesmo nem é dentro do estádio”, ponderou.
O lado da lei
De acordo com o advogado especialista em legislação esportiva e um dos autores do Estatuto do Torcedor, Carlos Eduardo Ambiel, a melhor saída é encontrar punição para os torcedores infratores sem colocar em xeque as torcidas.
“Como conceito, eu sou contrário à torcida única. Acho que não há um apreciador do futebol, torcedor ou pessoa que vivenciou jogos no estádio, que não queira as duas torcidas nos jogos, a essência do futebol”, disse.
“Quem trabalha com segurança pública, afirma que a existência de duas torcidas, geralmente a torcida reduzida, a visitante, gera mais dificuldade de controle, portanto, mais casos de violência. A gente espera que se encontre meios, a partir do que a legislação prevê, de punir os indivíduos que praticam violência, e, assim, permitir que o cidadão comum, que vai ao estádio apreciar o espetáculo possa acompanhar os jogos”, opinou.
Procurada, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) disse que só vai emitir um parecer quando for notificada oficialmente pelo MP.