ESPORTES
Luxemburgo do Nordeste II

Quando treinava o Sport Recife, o técnico Mauro Fernandes, que já passou tanto por Bahia quanto por Vitória, ganhou a alcunha de Vanderlei Luxemburgo do Nordeste, apesar de ser mineiro.
Quando chegar a Salvador para treinar o Esquadrão de Aço, Paulo Comelli também poderá ser chamado assim. Em seu site oficial, o novo comandante tricolor dá claros sinais de ser um seguidor fiel do trabalho do técnico carioca.
“Comelli utiliza como suporte para o trabalho a informática, simulando situações reais de jogo e apresentando para os seus atletas, individualmente ou em grupo. Ele faz também o uso de filmagens de treinamentos, edições de imagens de clubes adversários e da sua própria equipe”, diz um trecho do seu perfil, no site oficial (www.paulocomelli.com).
Além do uso da tecnologia, caracterísitica marcante do trabalho de Luxemburgo, Comelli, assim como o atual treinador santista, também se vale da sua capacidade motivacional. “Um aspecto que ilustra de forma altamente positiva este técnico é a sua maneira de motivar os seus atletas, com palestras previamente estudadas”, citando outra parte do perfil.
O repórter do Correio Popular de Campinas, Paulo Santana, que acompanhou Comelli de perto quando ele treinou a Ponte Preta, confirma a semelhança entre os trabalhos dos técnicos. “Ele tem o estilo de Luxemburgo. Usa muito a conversa e, para jogar em seu time, tem que ser amigo dele”, revelou.
Santana afirma que Comelli é “um cara esforçado, trabalhador e gente boa”, mas confessa que a passagem dele pela Macaca foi desastrosa. Em 11 partidas no comando do time, ele conseguiu apenas duas vitórias. Pior ainda foi o desempenho em casa: quatro empates, três derrotas e nenhum triunfo. “Coisa que nunca aconteceu com a Ponte”, garantiu.
A justificativa do treinador era que ele não havia formado a equipe e pouco podia fazer. “Ele dizia que gostava de trabalhar montando o time, participando do planejamento”, contou Paulo Santana.
Neste ano, Comelli teve uma breve passagem pelo São Caetano e também não agradou, como expõe o repórter Anderson Rodrigues, do Diário do Grande ABC: “Acabou não dando certo porque mexeu muito com o grupo. Ele surgiu bem em São Paulo, mas não teve sucesso aqui”. Pelo Azulão, ele conseguiu três vitórias, um empate e foi derrotado quatro vezes.
A equipe que Comelli montou para a disputa da Série B foi o Marília, onde, na primeira passagem, teve um bom aproveitamento, de 59,26%. Porém, uma proposta melhor do São Caetano o fez abandonar o MAC. Em sua volta, o desempenho caiu muito: 23,81%.
O treinador despontou mesmo para o cenário nacional quando treinou o Noroeste, de Bauru. Ele assumiu a equipe em 2005 e a levou de volta à elite do futebol paulista, após penar durante 13 anos nas divisões inferiores. No ano seguinte, chegou em quarto lugar no Paulistão e ficou cheio de moral por lá.
“Aqui ele tem a fama de ser o primo do Vanderlei Luxemburgo. Eles são muito parecidos, fisicamente e no estilo de treinar”, afirmou o repórter Gabriel Carvalho, do Diário da Cidade, de Bauru.
“Para montar um time ele é ótimo, mas para mudar ele leva uma vida e a torcida acaba ficando impaciente”, disse Gabriel, que complementou citando nomes de jogadores que ele costuma levar sempre consigo: o atacante Leandrinho, o goleiro Fernando e os volantes Hernani e Deda. “O pessoal ficou chateado quando ele foi para o Marília, principal rival do Noroeste”, finalizou.
Contratos – Nesta quarta, o Bahia acertou a permanência do preparador físico Dudu Fontes, que vai fazer parte da comissão técnica de Paulo Comelli.
Na lista de prioridades para renovação, os nomes que aparecem primeiro são os de Alison e Moré. O beque está em Natal esperando o final das negociações entre seus empresários e o Bahia.
Como não há interesse em um novo empréstimo, o tricolor terá que comprar a parte do passe de Alison que pertence aos empresários, se quiser ficar com ele. Segundo o diretor de futebol do clube, Ruy Accioly, o valor está sendo negociado. Depois de resolvida a situação de Alison, o Bahia vai partir para Moré, que desperta o interesse do tricolor, mas a renovação será mais difícil.