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Próximo de ser um dos maiores medalhistas do Brasil, Isaquias fala em simplicidade

Publicado sábado, 07 de agosto de 2021 às 08:08 h | Atualizado em 07/08/2021, 08:13 | Autor: AFP e Redação
Isaquias disse que "um negro baiano tem que ser a maior estrela deste Brasil" | Foto: Philip FONG / AFP
Isaquias disse que "um negro baiano tem que ser a maior estrela deste Brasil" | Foto: Philip FONG / AFP -
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Sobreviver a mil e uma adversidades forjou o caráter do canoísta Isaquias Queiroz, que agora está a um pódio de alcançar o recorde de maior medalhista olímpico do Brasil, após a conquista do ouro na C1 1000m nos Jogos de Tóquio, neste sábado.

Na Rio 2016, com apenas 22 anos, o baiano se tornou o único atleta brasileiro a ganhar três medalhas (duas de prata e uma de bronze) em uma única edição das Olimpíadas.

O lugar mais alto do pódio alcançado neste sábado nas águas japonesas, na prova individual de 1000 metros da canoagem, o coloca no seleto grupo de atletas brasileiros com quatro medalhas nos Jogos Olímpicos: Serginho, que tem dois ouros e duas pratas com a seleção de vôlei, e Gustavo Borges, com duas pratas e dois bronzes, sendo três medalhas em provas individuais e uma no revezamento. No topo desta lista estão os velejadores Torben Grael e Robert Scheidt, com cinco conquistas cada.

E o baiano ficou bem perto da quinta medalha no Japão, após terminar em quarto na final do C2 1000m, na última terça-feira, prova em que competiu ao lado de Jack Godmann.

"Quero ser um ídolo nacional. O que para tantos é muito, para mim é pouco. Sei que ainda falta", afirmou o atleta nascido Ubaitaba (BA) ao jornal O Globo.

- "Forjado na dificuldade" -

Mas seus 27 anos de vida provavelmente foram muito mais agitados do que os de qualquer outra pessoa. Nasceu em uma família humilde em Ubaitaba, nome que na língua tupi significa "terra das canoas".

Aos 4 anos, ele perdeu seu pai, e sua mãe, Dona Dilma, criou sozinha Isaquias e seus nove irmãos, quatro deles adotivos.

Aos três, foi hospitalizado por um mês por queimaduras provocadas em um acidente doméstico, quando foi atingido por água fervente de uma panela. Foi vítima de um sequestro aos 5 anos e ainda perdeu um rim aos 10 anos, quando caiu de uma árvore.

Na adolescência, a dificuldade continuou a moldar seu caráter indomável, o que o levou até a enfrentar a Confederação Brasileira de Canoagem ao exigir melhores condições para os atletas antes dos Jogos Rio 2016.

Em 2009 ingressou na Seleção Brasileira pela primeira vez. Sem estudar nem trabalhar, morou em um quarto sem camas que dividia com seis atletas.

Por mais de um ano ele não ouviu a voz da mãe, porque não tinha celular.

"Fui forjado na dificuldade e sou assim. Isso me fortaleceu como atleta", afirma.

De olho em Paris 

No caminho para Tóquio, a adversidade o atingiu novamente. Seu técnico, o espanhol Jesús Morlán, o homem que revolucionou a canoagem brasileira, morreu de câncer no cérebro em novembro de 2018.

Isaquias Queiroz tinha o espanhol como um pai, o homem que fez de David Cal o atleta da Espanha com mais medalhas olímpicas: cinco, incluindo o ouro em Atenas-2004.

"Devo a ele minha vida e tudo o que tenho", disse o brasileiro após sua morte.

Morlán pretendia acompanhar seus "meninos" no Japão e em Paris-2024, evento em que o canoísta terá uma nova oportunidade para ampliar seu legado.

"Quero reconhecimento. Não estou falando de dinheiro. Vivo bem, graças a Deus. Quero que um negro baiano seja a maior estrela deste Brasil. Respeito todos os atletas, mas o baiano aqui está motivado. Em Paris vou conseguir. Depende de mim", avisou Queiroz, com a mesma convicção com que afunda o remo na água.

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