FUTEBOL
Seleção feminina estreia contra a Argentina na Copa América
Canarinho precisa superar carência de ícones como Marta na transição para um time mais jovem


Quando se trata de Copa América Feminina, a seleção brasileira nunca está para brincadeira. Desde que começou a competição, já foram sete títulos em oito edições. Agora, a missão é buscar o octa, junto com a vaga para o Mundial e para os Jogos de Paris-2024. Contudo, desta vez a trajetória será um pouco diferente. Sem ícones como Formiga e Marta, a Canarinho vai precisar buscar experiência em atletas como Debinha e Rafaelle, sobretudo para vencer jogos truncados como um clássico. Hoje, o Brasil estreará contra a Argentina, às 21h, no estádio Centenário Armenia, na Colômbia.
Além de ser o primeiro jogo da Canarinho no torneio, o clássico ainda reeditará a final de outras quatro Copas América. Nos anos de 1995, 1998, 2003 e 2006, Brasil e Argentina se enfrentaram na decisão, com vantagem para as Guerreiras, que conquistaram o título três vezes nessas quatro oportunidades. A única vez em que a Albiceleste levou a melhor foi em 2006, quando a sede do torneio foi a própria Argentina. Esse foi o primeiro e único título delas até aqui.
Dado o nível das seleções participantes, a Copa América da Colômbia parece só mais um torneio para o currículo das Guerreiras. Porém, essa é a primeira vez desde 2003 que a maior estrela da Canarinho, a atacante Marta, não disputará uma competição com a camisa verde e amarela, por conta de uma lesão no ligamento do joelho que sofreu em março. Sem a presença da volante Formiga, que já se aposentou, e da atacante Cristiane, que não figura na lista de convocações há algum tempo, o Brasil vai precisar superar não só seus adversários dentro das quatro linhas, como vai testar sua própria força em um time recheado de novas atletas.
O primeiro teste provavelmente é o melhor possível. No maior clássico das Américas, o duelo não assusta a Canarinho por conta de sua superioridade técnica, já que como time, a seleção brasileira é inegavelmente melhor. Mas o detalhe está na experiência. Enquanto a Argentina tem Sole Jaimes, atacante de 33 anos que já passou pelo Santos e foi campeã da Champions pelo Lyon em 18/19, o Brasil vai ter que passar pela prova de fogo sem suas grandes referências.
A meio-campista de 22 anos Angelina Alonso é a cara do momento de transição que o Brasil passa. Hoje, ela joga no OL Reign (EUA), mas na seleção cumpriu o passo a passo para chegar até o time profissional. Desde o trabalho na base até fazer parte do plantel que foi para Tóquio-2020, a jogadora não pulou etapas, mas chegou rapidamente onde almejava. “A base é fundamental porque é lá que você aprende muita coisa, cresce como atleta e pessoa. Não só os treinamentos são importantes, mas também os amistosos e jogos oficiais em competições, por me deram mais maturidade e experiência”, comentou ao site da CBF.
Liderança em campo
Sem os maiores nomes da história da seleção por perto, jogadoras mais experientes como Debinha, Bia Zaneratto, Tamires e a baiana Rafaelle são o porto seguro do Brasil. Em uma ocasião em que 18 das 23 convocadas são estreantes em uma Copa América, por exemplo, ter uma campeã do torneio como a atacante Debinha se tornou fundamental para Pia. Além de vencer a competição de forma invicta em 2018, ela tem sido presença assídua nas listas de convocação da treinadora sueca e deixou a sua marca nos últimos amistosos contra Dinamarca e a Suécia, mesmo com a derrota em ambos os jogos.
Ainda que em meio a um processo de renovação, Debinha ressalta a rivalidade como combustível para levantar mais um troféu. “Acredito que o grupo encara da melhor forma possível esse retrospecto. É importante, mas não pelo fato da pressão do grupo que está indo para esta competição. Claro que o nosso foco é sempre vencer e desempenhar um bom papel. Então, nós vamos para esta competição com o foco de evolução, de fazer uma boa campanha e ainda mais se tratando de seleções rivais”, afirmou ao portal Yahoo Esportes.