LUTO NO SURFE
Morre Marjorie Mariano, brasileira que sobreviveu a ataque de tubarão
Surfista radicada no Havaí lutava contra câncer no cérebro

Por Redação

A surfista brasileira Marjorie Mariano morreu aos 62 anos, em Oahu, no Havaí, em decorrência de complicações de um câncer no cérebro. A morte ocorreu na última quarta-feira, 7, após meses de luta contra a doença, diagnosticada em abril de 2025. Paulista de origem, Marjorie era conhecida no mundo do surfe e entre amigos como uma verdadeira amante do mar.
Radicada no Havaí desde a década de 1980, Marjorie construiu uma trajetória marcada por pioneirismo e versatilidade. Foi uma das primeiras mulheres a se destacar no bodyboarding antes de migrar para as pranchas longas. Ao longo da vida, também atuou como atriz, cantora, dançarina e professora de surfe, criando uma sólida rede de amizades nos Estados Unidos.
A brasileira ganhou projeção internacional em 2017, quando sobreviveu a um ataque de tubarão-tigre de cerca de quatro metros, na praia de Laniakea, no dia 31 de dezembro, às vésperas do Ano Novo. Na ocasião, sofreu uma mordida que atingiu da coxa direita até a parte de trás do joelho, passou por cirurgia e conseguiu se recuperar. O episódio se tornou uma das histórias mais marcantes de sua vida, descrita por amigos como alguém que viveu intensamente, não apenas pelas "altas ondas" que encarou, mas também por experiências extremas de sobrevivência.
O início da batalha contra o câncer veio após um susto no mar. Em abril de 2025, durante uma sessão de surfe em Sunset Point, no North Shore, Marjorie passou mal dentro d’água e precisou ser resgatada com a ajuda do amigo Rico de Souza e da equipe de salva-vidas da região.
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Foram cerca de cinco minutos de uma tensão absurda, desde o momento em que a resgatamos até ela chegar à areia. Naquele momento, ela estava sem vida - contou Rico, que auxiliou no salvamento.
Após ser reanimada, a surfista ficou em coma por quatro dias. Pouco tempo depois, já em casa, sofreu mais um "apagão" e foi levada às pressas por uma amiga ao The Queen's Medical Center, onde os médicos confirmaram a presença de um tumor cerebral agressivo.
Durante o tratamento, amigos se mobilizaram para oferecer apoio. O surfista Ricardo Taveira, próximo de Marjorie, organizou uma vaquinha para ajudar nos custos do processo de recuperação. Apesar de ter reagido bem à cirurgia, a brasileira não apresentou evolução significativa no quadro clínico. No fim de dezembro, com os sentidos e a mobilidade bastante comprometidos, passou a receber cuidados paliativos em uma casa de acolhimento, prática comum nos Estados Unidos.
Na manhã da última quinta-feira (8), o irmão de Marjorie, que vive em Portugal, recebeu a confirmação do falecimento por meio da cuidadora e comunicou a notícia aos amigos mais próximos. A morte gerou comoção na comunidade do surfe. O cinegrafista Bruno Lemos publicou uma homenagem nas redes sociais, que reuniu mensagens de carinho de nomes importantes das ondas, como Guilherme Tâmega, Danilo Couto e Alemão de Maresias, entre outros.
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