Busca interna do iBahia
HOME > ESPORTES

ESPORTES

“Todo dia tenho que provar alguma coisa”, Emily Lima

Juliana Lisboa
Por Juliana Lisboa
Emily Lima, treinadora da seleção brasileira feminina
Emily Lima, treinadora da seleção brasileira feminina - Foto: Luciano da Matta | Ag. A TARDE | 15.01.2017

À frente da seleção feminina desde novembro último, quando assumiu o cargo de Vadão, a técnica Emily Lima prestigiou a final do Baiano Feminino 2016 e disse que pretende circular pelo país à procura de talentos. Para Emily, é importante que campeonatos estaduais ganhem força, mas lembra que faltam melhorias sensíveis, como a profissionalização da modalidade.

O que fez dessa final tão importante para você resolver assistir? O fato de ser uma final inédita ajuda?

Tudo sobre Esportes em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

A mudança é importante. Tirar a hegemonia de uma equipe que já vinha há muitos anos vencendo é importante para todos nós. Tem novos valores aparecendo. A minha vinda foi para prestigiar os clubes, claro, mas para observar atletas, também. Tanto do Vitória como do Juventude.

Este ano não tem jogos oficiais para a seleção feminina, apenas amistosos. Qual será a prioridade da seleção para chegar em 2018, ano de Copa América, de forma competitiva?

Aproveitar ao máximo as datas-Fifa. Nós criamos de quatro a cinco convocações para atletas que apenas atuam no Brasil, como observação mesmo, para que a g ente possa observar o máximo de atletas possível. Com isso vai precisar de apoio dos membros da comissão técnica de ir observar essas atletas... Por exemplo, hoje estou aqui, mas o preparador físico poderia estar em outro estado observando uma final ou qualquer outro jogo. Nossa intenção é de regionalizar essa comunicação. É bem estratégico, para que a gente possa dar o máximo de apoio para o máximo de atletas que nós temos. O Brasil é muito grande e a gente não pode centralizar em três, quatro estados.

O Brasileirão feminino tem Série A e Série B, com times novos e tradicionais. O que você acha desse novo formato?

Foi uma conversa que eu tive nessa semana com o Diretor de Competições da CBF, Manoel (Flores), que esse novo formato agregou muito para a modalidade. Mas a gente não pode tirar uma competição para fazer outra. Hoje a gente não tem mais a Copa do Brasil para ter a Série B. Eu acho que a gente tem que manter e acrescentar. É uma opinião minha, de quem ama a modalidade e quer ver o crescimento dela. Mas ele me disse que sim, que, futuramente, a Copa do Brasil vai retornar. Mas, neste primeiro momento, será assim. E a gente deve aproveitar como puder.

Ainda não batemos o martelo sobre o fim da seleção permanente, mas esse modelo atual não me agrada. Esse novo formato do Brasileiro agregou muito. Mas a gente não podia perder a Copa do Brasil

As equipes participantes já estão todas definidas?

A Série A1 ainda não está completamente definida, porque tem equipes que acabaram saindo, como é o caso do Palmeiras. Ainda não tenho exatamente todos os nomes fechados. E mudando a Série A1 vai mudar a A2, porque vai ter que incluir outras equipes. Mas começa pela Série A1 para depois fechar a A2.

Esse seu esforço em procurar novas atletas se dá também pelo fim da seleção feminina permanente?

Ainda não batemos o martelo desse término da seleção permanente. Essa semana eu tive uma reunião com o presidente (Marco Polo Del Nero) e ainda está em conversa. A seleção permanente não é uma ideia que a gente que entrou agora quer, por vários fatores. E com essa permanente não acontecendo mais a gente daria seguimento às cinco convocações regionalizadas, dando oportunidades a mais meninas.

Você considera que o fim da seleção permanente pode ser uma coisa boa?

Eu acho que a seleção permanente é importante, mas não nesse formato em que está hoje. Seu eu tiver uma seleção permanente com todas essas atletas que hoje temos jogando fora do Brasil, eu acho bacana. Acho que é o ideal. Não tem nada melhor do que a gente fazer um planejamento anual dentro da nossa realidade. É que nem um clube: você tem uma sequência, você tem as competições, você pode criar metas dentro do planejamento. Mas numa seleção permanente em que você só convoca meninas do Brasil quando tem 16 meninas jogando fora que, teoricamente, estariam dentro das competições, a gente acha que isso não dá muito resultado. A ideia de uma seleção permanente seria trazer essas meninas que jogam fora dois, três meses antes de um Mundial, por exemplo, para fazer um trabalho direcionado. Isso é interessante. Mas esse formato de agora não me agrada, e eu estou tentando mostrar que a gente não vai ter muito resultado se ele for mantido.

Inclusive, Marta, Cristiane e Andressa Alves, nomes consagrados, não jogaram no Torneio Internacional de Manaus, em dezembro. Você pretende diminuir o protagonismo e priorizar o grupo?

Eu e toda a comissão. A comissão foi toda montada com pessoas que pensam parecido. Queremos jogar mais em equipe, em grupo, não centralizar tanto em um nome. Nós temos muitos talentos, e isso sem levar em conta os que ainda vamos descobrir nas próximas competições. O trabalho está só começando.

Mas muitos campeonatos regionais, inclusive o Baiano, não são considerados profissionais. Isso incomoda?

Não incomoda, mas a gente espera que eles continuem acontecendo. Porque a profissionalização é um passo natural. Demora. Eu conversei agora com a Solange (Bastos, ex-zagueira da seleção brasileira e treinadora do Flamengo de Feira) que tem 20 anos que a gente não se vê e os campeonatos continuam amadores. Mas o nível subiu muito. Daqui a pouco a gente pode se reencontrar e o feminino já estar profissional. Está tudo se transformando. A gente já esperou tanto, não custa esperar mais um pouco. Mas claro que precisamos de ajustes mínimos, como horários mais atraentes para as partidas.

Quais foram seus principais desafios à frente da seleção?

É um desafio todo dia. Todo dia eu tenho que provar alguma coisa. Mas vejo que essa é uma tendência. Muitas ex-atletas estão fazendo cursos para treinadora depois da minha chegada. O pensamento era ‘não vou ter espaço’, e agora estamos chegando mais forte. Somos mais todos os dias.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas