ESPORTES
Velejadora baiana de 15 anos é cotada para olimpíadas de 2016

A vontade de competir na Olimpíada de 2016 está levando a velejadora baiana Juliana Duque a mostrar serviço. Até mesmo nas competições dominadas por velhos ‘lobos do mar’, como a Regata Aratu-Maragogipe, disputada em sua 42ª edição no último sábado.
Aos 15 anos, a menina topou ser capitã do veleiro Skipper 21 e comandar as velejadoras Manuela Pedreira, de 16 anos, Mila Backerat, 23, e Daniela Harfush, 17. E venceu a prova, que teve os medalhistas olímpicos Eduardo Penido (ouro em Moscou 1980) e Lars Grael (bronze em Seul 88 e Atlanta 96).
“Já tinha disputado duas vezes a Aratu-Maragogipe, mas esta foi a primeira vez em que fui capitã, e num barco tripulado só por mulheres”, comentou a atual campeã sul-americana de vela, na classe optmist.
“Nem sabia que tinha ganho. Só depois é que disseram para a gente”, admitiu Juliana, declarada vencedora, apesar de o veleiro Sorsa III, comandado por Grael e Penido, ter sido o fita azul (aquele que chega primeiro).
A explicação para o resultado é que, na vela, para compensar a diferença de velocidade entre os barcos, se estabelece uma compensação nos tempos. O termo usado é ‘pagar tempo’. Na gíria náutica, equivale a corrigir os tempos entre os barcos. O objetivo é equilibrar a disputa.
Pagar tempo - “Nem sei quanto o barco de Grael tinha de pagar para mim, mas fizemos em menor tempo (do que o estabelecido pela arbitragem) e venci na minha classe e na geral”, festejou Juliana.
A jovem velejadora, no entanto, está mesmo voltada para Rio-2016. “Quero ir para a Olimpíada. Já estou pré-convocada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) desde o ano passado”, afirmou Juju, como é chamada carinhosamente pelos amigos.
A agenda rumo ao Rio inclui uma clínica com a americana Sally Barcow, campeã mundial da classe Match Race, de 21 a 26 de setembro. E a compra do barco classe 29ER, com o qual vai treinar para a Olimpíada.
”Tomara que chegue no meu aniversário”, brincou Juju, que faz 16 anos no dia 2 de outubro. O barco custa R$ 25 mil e não existe no País.
Entenda o critério de classificação da regata - O fita azul Sorsa III, de Lars Grael e Eduardo Penido, foi o primeiro a completar a regata. Chegou a Maragojipe às 15h49min25, no tempo real de 5h14min25. Quando aplicado o critério técnico do tempo corrigido, o Sorsa III levou 4h35min05 e acabou caindo para quarto lugar na classificação. Aplicado igual critério para o veleiro Skipper 21, comandado por Juliana Duque, o tempo corrigido e final é de 3h12min30, o que lhe confere o título da regata.
A velejadora baiana terminou a competição às 16h33min31, no tempo real de 5h58min31. Pelo resultado, Juju ganhou três troféus. O principal deles, de campeã geral da regata.