Organizações humanitárias lutam para entrar em cidades sitiadas

A falta de acesso humanitário torna praticamente impossível entregar ajuda alimentar

Publicado domingo, 20 de março de 2022 às 07:00 h | Atualizado em 19/03/2022, 19:59 | Autor: AFP
Porto cercado de Mariupol (sudeste) e cidades de Kharkiv e Sumy vivem momentos críticos
Porto cercado de Mariupol (sudeste) e cidades de Kharkiv e Sumy vivem momentos críticos -

As organizações de ajuda humanitária estão se esforçando para chegar a cidades sitiadas na Ucrânia, onde milhares de pessoas estão presas e precisam urgentemente de assistência, disseram autoridades do Programa Mundial de Alimentos (PAM) neste sábado, 19.

"O desafio é chegar às cidades que estão cercadas ou prestes a ser cercadas", disse à AFP Jakob Kern, coordenador de emergências do PMA para a crise na Ucrânia. A situação é "catastrófica", enfatizou.

A falta de acesso humanitário torna praticamente impossível entregar ajuda alimentar de emergência ao porto cercado de Mariupol (sudeste) e às cidades de Kharkiv e Sumy, no nordeste.

É uma tática de "cerco" que é "inaceitável no século XXI", disse Kern.

O PMA, uma agência das Nações Unidas com sede em Roma, teve que começar a encher os armazéns ucranianos "do zero". Substituir as cadeias de suprimentos destruídas pelos combates é uma "tarefa gigantesca".

A agência espera alcançar 3,1 milhões de pessoas na Ucrânia, mas os esforços para levar produtos como macarrão, arroz e carne enlatada são prejudicados pelas dificuldades em encontrar voluntários para o transporte, explicou.

"Quanto mais nos aproximamos dessas cidades, mais eles se preocupam com sua segurança. E isso significa que não temos a capacidade de alcançar as pessoas em Mariupol, Sumy e Kharkiv, cidades que estão quase ou completamente cercadas no caso de Mariupol", declarou Kern.

Mais de 3,25 milhões de pessoas já fugiram da Ucrânia, mas muitas continuam presas, incluindo "centenas de milhares de mulheres e crianças", enfatizou. "Não podem sair e nós não podemos chegar até elas".

Graves consequências

Kern, que trabalhou para o PAM por três anos na guerra da Síria, explicou que a tática de cerco usada na Ucrânia é semelhante, mas com consequências mais graves devido ao tamanho maior das cidades cercadas.

"Há dois dias, um comboio de alguns caminhões conseguiu entrar em Sumy com comida para cerca de 3.000 pessoas por alguns dias. Mas estas são cidades grandes e é necessário acesso regular, em escala muito maior", disse ele.

"Seria necessário quase um comboio diário para fornecer alimentos básicos a uma população de meio milhão ou um milhão de pessoas. Isso implica estabelecer um corredor humanitário permanente com essas cidades", explicou.

No entanto, na Ucrânia, como na Síria, mesmo uma pequena ajuda pode sustentar psicologicamente aqueles que estão presos em condições terríveis, porque "para as pessoas cercadas, ver que não são esquecidas é muito importante", sublinhou o coordenador. 

A Ucrânia é historicamente um celeiro de trigo para o mundo. Antes da guerra, o PAM comprava quase metade de suas necessidades de trigo lá. 

Atualmente - com o fechamento dos portos ucranianos e o congelamento dos contratos de compra de trigo russos devido a sanções - 13,5 milhões de toneladas de trigo e 16 milhões de toneladas de milho estão bloqueadas na Rússia e na Ucrânia. 

O aumento dos custos de alimentos e energia, exacerbado pela invasão russa da Ucrânia, aumentou o custo das operações internacionais do PMA em US$ 70 milhões por mês, e a agência está buscando doações urgentemente.

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