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Por que esses condomínios estão virando os imóveis mais desejados do país

Imóveis podem mudar como o Brasil envelhece (e como investe)

Joana Lopes
Por Joana Lopes
Senior living: o modelo de moradia que promete dominar o mercado antes de 2030
Senior living: o modelo de moradia que promete dominar o mercado antes de 2030 -

O número de idosos cresce em ritmo acelerado no Brasil — foram 52% a mais de pessoas com 60 anos ou mais entre 2010 e 2022 — e o IBGE projeta que esse grupo representará mais de 35% da população em 45 anos. Paralelamente, o potencial de consumo dessa faixa etária já alcança R$ 1,6 trilhão ao ano e deve mais que dobrar até 2044. Esse contexto impulsiona um movimento ainda embrionário no país, mas que começa a ganhar forma: o senior living, modelo de moradia que propõe um envelhecimento ativo, comunitário e com autonomia.

Muito difundido nos Estados Unidos e na Europa, o senior living se diferencia das tradicionais Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) ao oferecer unidades residenciais para pessoas independentes, com serviços de saúde, lazer, nutrição e convivência social adaptados às necessidades da maturidade. A proposta não é acolher idosos dependentes, mas oferecer estrutura para que vivam de forma ativa e segura, sem abrir mão da privacidade e do estilo de vida.

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É exatamente essa lacuna que a Söderhem pretende preencher no Brasil. Criada por Daline Hällbom e Beatriz Pons, a empresa nasce para desenvolver condomínios sênior com inspiração nórdica e foco na construção de comunidades. “Queremos um mundo em que envelhecer seja sinônimo de qualidade e de convivência”, afirma Hällbom. Ela destaca que o modelo predominante no país ainda é marcado por soluções improvisadas ou residências adaptadas. “Existe um espaço entre a qualidade na moradia e a possibilidade de construir comunidades, e é exatamente esse espaço que viemos preencher”, reforça.

Os projetos da Söderhem terão unidades amplas, áreas verdes, ambientes de convivência e curadoria de serviços para estimular experiências. “A ideia é atingir um público que tem condições de viver bem, consome bons serviços e ainda quer ter experiência, não ser considerado velho e, com isso, perder a chama pela vida”, diz. O primeiro empreendimento da marca, previsto para 2026, já negocia com uma incorporadora consolidada e busca aporte de cerca de R$ 16 milhões para compra do terreno. A expectativa é lançar também projetos fora de Florianópolis, ampliando a presença nacional.

Em Santa Catarina, o LOMA Pedra Branca, desenvolvido pela DOM Senior Living em parceria com a incorporadora Hurbana, é um dos casos mais concretos dessa nova tendência. Com investimento de R$ 70 milhões e entrega prevista para 2026, o empreendimento terá 110 unidades de 35 a 90 m² exclusivamente para moradores com mais de 60 anos. Além de academia, piscina térmica, spa e restaurante, o LOMA se diferencia pelo programa de longevidade personalizado, criado por uma equipe multidisciplinar. Ao chegar ao condomínio, cada morador passa por uma avaliação médica e recebe um plano individual de saúde e bem-estar. “Se uma pessoa vem morar com a gente com 80 anos, a chance de viver até os 100 anos é enorme. Queremos encher esses 20 anos de propósito”, afirma Renata Stringhini, CEO da DOM.

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O pacote básico, por volta de R$ 11.900 mensais, inclui aluguel, condomínio, serviços assistenciais e monitoramento com sensores inteligentes, home care, administração de medicamentos e equipe de emergência 24h. Renata reforça que o conceito não é voltado a idosos doentes, mas àqueles que querem viver plenamente. “O empreendimento precisa olhar para a esfera biossocial dos inquilinos”, diz.

O modelo também avança com força nas grandes capitais. Em São Paulo, o Naara Longevità Residence, idealizado por Joseph Nigri, herdeiro da Tecnisa, aposta no público de altíssima renda. Localizado na Alameda Barros, em Higienópolis, o empreendimento terá 68 unidades de até 145 m², com serviços como hidroginástica, pilates, cuidador, motorista e central de emergência médica 24 horas. O metro quadrado, estimado em R$ 28 mil, posiciona o Naara entre os projetos mais sofisticados do segmento. Segundo Nigri, o diferencial está em transformar o desejo de envelhecer bem em experiência concreta: “Queremos que a pessoa tenha desejo de morar ali, não que vá porque precisa”.

Outro projeto emblemático na mesma região é o condomínio Sênior Living by Housi e Vitacon, com 400 unidades de 27 m² a 85 m² e VGV de R$ 400 milhões. O condomínio terá elevadores preparados para macas, corredores largos, central de emergências, serviços pay-per-use e monitoramento remoto por familiares. As unidades menores devem custar cerca de R$ 1 milhão. Segundo o CEO da Vitacon, Ariel Frankel, a proposta é romper paradigmas culturais ao oferecer independência com suporte integral.

Segurança e convívio

Em Curitiba, a incorporadora Laguna investe no Bioos, um complexo de duas torres — uma residencial, outra comercial — que integra consultórios médicos, serviços de saúde e unidades de 50 m² para idosos. O projeto inclui botão de emergência, pulseiras de monitoramento, restaurante, academia e sala de artes, com o objetivo de permitir o “aging in place”: envelhecer no próprio lar com segurança e convivência. “O desafio da terceira idade é o isolamento. Por isso pensamos em uma estrutura que estimule a convivência em comunidade”, explica Gabriel Raad, presidente do conselho da empresa.

A adaptação arquitetônica é um dos pilares do setor. Os empreendimentos são projetados com rampas, iluminação noturna, banheiros maiores, mobiliário seguro, áreas silenciosas de contemplação e espaços de convivência. Para o consultor Caio Calfat, que participa do desenvolvimento de empreendimentos para a ABF Developments em Porto Alegre, o foco é estimular o movimento: “O quarto deprime. Quanto mais atividades esse idoso tiver para fazer fora do seu quarto, melhor”.

Embora o segmento avance, ainda se concentra entre consumidores de alta renda. “É um produto de nicho. São famílias que podem pagar R$ 10 mil, R$ 15 mil por mês para manter o serviço de senior living”, avalia Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica. Para ele, a tendência é que os preços se tornem mais acessíveis conforme o mercado ganhe escala. “A vontade de utilização é crescente, mas a capacidade de pagamento ainda é menor. Isso vai mudar à medida que mais projetos forem desenvolvidos”.

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