CADERNO IMOBILIÁRIO
“A gente assume quando o mercado começa a receber boas notícias”


Há pouco mais de uma semana, a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) realizou uma eleição extraordinária para a presidência depois que Luciano Muricy renunciou ao cargo para assumir a secretaria de obras de Candeias, a convite do prefeito Pitágoras Alves da Silva (PP). Para o seu lugar foi eleito o ex-diretor comercial da entidade, Cláudio Cunha, que assume a associação em meio a uma grande crise enfrentada pelo setor. Um período de queda nas vendas iniciado em 2014 e que se agravou com a paralisação que tomou conta do país com o processo de impeachment de Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato e as suas consequências na economia. Engenheiro civil formado em 1986, sempre trabalhou no setor, como empresário na área de construção e incorporação e depois migrou para a parte de comercialização. O novo presidente assume com os números do setor ainda ruins, mas declara-se otimista e feliz por chegar ao posto no momento em que o governo anuncia medidas que podem revitalizar o setor, como o aumento do teto do Minha Casa Minha Vida Faixa 3 para R$ 9 mil e, principalmente, a redução dos juros, que deve baratear o financiamento de novos empreendimentos e desafogar o orçamento de quem paga prestações da casa própria. Essas medidas econômicas junto ao novo PDDU e às obras de mobilidade, para ele, tornam o mercado de Salvador atraente. Esta semana, Cunha esteve em A TARDE e falou sobre os seus planos à frente da Ademi.
O Ministério da Justiça está elaborando um anteprojeto que regula a questão do distrato na compra de imóveis. Qual a posição da Ademi em relação ao tema?
É um assunto que precisa ser resolvido, é um tema primordial para quem compra e para as empresas que constroem imóveis. A pessoa adquire um imóvel e pode desistir dele a qualquer momento, diferente da compra de um automóvel através de consórcio, em que quando há desistência, o comprador paga uma taxa e só recebe o que foi investido ao final do consórcio, porque é preciso não comprometer o direito das outras pessoas que adquiriram o bem. No setor imobiliário, é preciso que haja uma regra para que o cliente saiba seus direitos e para que as construtoras tenham segurança. O dinheiro que é pago no início de uma obra é usado para comprar material de construção, pagar mão-de-obra e demais custos. As empresas precisam ter segurança de que não vão ter prejuízo.
Outra medida anunciada pelo governo federal esta semana foi a ampliação do teto do Minha Casa Minha Vida para famílias com renda até R$ 9 mil mensais. O que o senhor achou desta mudança?
Excelente. Vai ampliar uma o acesso a uma faixa grande de pessoas que vão poder comprar imóveis com vantagens de uma taxa de juros menor. É uma notícia muito boa que vai movimentar mais o programa na Faixa 3 (que atualmente beneficia famílias com renda entre de R$ 3.600,00 e até R$ 6.500,00).
Quais serão as prioridades em sua gestão?
A Ademi sempre tem como prioridade movimentar o mercado e defender os interesses de seus associados, fornecer a eles garantia jurídica para que possam ser feitos investimentos na cidade. E a gente tem como meta pacificar ainda mais esses pré-requisitos. Para que se possa facilitar a comercialização dos imóveis que vão ser feitos e incentivar os novos empreendimentos que a gente possa porventura viabilizar.
A gestão anterior estava muito empolgada com o processo de interiorização da Ademi, com o crescimento de mercados como Feira de Santana e Vitória da Conquista. Quais são as suas expectativas em relação ao desenvolvimento imobiliário no interior do estado?
A Ademi olha a Bahia e a gente vai continuar essa iniciativa que já vem de duas gestões. O processo de interiorização vem de duas gestões, a de Muricy (2015-2017) e a de Nilson (Nilson Sarti, que dirigiu a entidade entre 2010 e 2014). A ideia é aprofundar mais, envolver mais os representantes de outros municípios em nossas decisões, nas nossas associações e em nossos eventos. Para que a gente possa fazer com que a Ademi assuma o seu protagonismo no estado.
Que municípios baianos estão se desenvolvendo mais em termos de mercado imobiliário e que têm presença da Ademi?
Vitória da Conquista, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Mata de São João, ali com o Baixio, Camaçari, estamos iniciando Ilhéus, e temos perspectivas em Juazeiro e Jequié, onde temos a atuação de alguns associados. É um processo que vai se disseminar até porque o mercado tem que ser estadual.
O senhor já se manifestou com otimismo em relação a uma retomada da atividade no segundo semestre em função da redução dos juros. Dá mesmo para ficar confiante que a economia se recupera ainda este ano?
Estou muito animado e mais ainda motivado. Acho que a gente assume no momento em que o mercado começa a receber essas boas notícias. O mercado vai assimilar essas notícias e refletir isso em novos estudos que devem se configurar em novos lançamentos ao longo deste ano de 2017. E com certeza a economia, com previsão de inflação de 4,5% a 4,7% a gente vai ter o crédito de novo facilitado não só para o mutuário, mas também para o investidor. Isso vai fazer com que a economia funcione e novos investimentos sejam feitos de uma forma mais acelerada dentro de Salvador e de nossos outros municípios.
Como o senhor avalia a decisão do governo de liberar o saque em contas inativas do FGTS? Isso foi minimizado por algumas pessoas, já que a maioria dos beneficiários tem menos de um salário-mínimo a receber. Mas de qualquer forma são mais de R$ 30 bilhões no total. Esse dinheiro não vai fazer falta ao setor da construção civil?
Os recursos do FGTS são importantes principalmente para o setor do Minha Casa Minha Vida. É um recurso que vem movimentando em um setor que não foi muito afetado pelo momento que nós vivemos. Continua ativo. Tem que ser aperfeiçoado e está sendo. E de certa forma você tira da construção, mas também coloca na economia um valor que é significativo e permite um movimento que acaba voltando para todos e principalmente para o setor da construção.
A cidade tem recebido obras importantes de mobilidade, como o metrô, as linhas vermelha e azul, deve vir também o VLT no Subúrbio. Como essa estrutura vai impactar o mercado imobiliário? Que bairros devem ser mais valorizados, em termos de empreendimentos para a classe média segundo a sua ótica?
O PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) também permite edificações e investimentos em praticamente toda a cidade. Eu acho que a população tem que ter a opção de escolher onde morar. A abertura de novas vias, os veículos de locomoção como o metrô, o VLT, o BRT, também, que está para sair o edital, fazem com que a gente tenha mais mobilidade da população e menos carros nas ruas. Isso permite também que novos bairros surjam, porque maiores distâncias serão percorridas num curto espaço de tempo. Não existe um local específico. Há várias oportunidades e o nosso mercado vai saber usar e aproveitar desse momento que a gente está vivendo.
O senhor já tem sentido movimento de procura por terrenos em algumas dessas áreas?
O incorporador, o investidor, sempre está mapeando a cidade. A gente sempre está estudando o mercado para saber onde há uma demanda para que os empreendimentos sejam feitos. Há várias empresas estudando terrenos nessa região da Avenida Orlando Gomes, a 29 de Março, que ligar até a BR, e outros locais onde vai haver os corredores de tráfego.
O senhor pode antecipar algumas novidades que serão trazidas em sua gestão?
Nós ontem (segunda, 23) oficializamos o calendário da Ademi. A gente vem com uma ação para garantir a segurança dos nossos associados. Defender os interesses deles. E segundo é fazer eventos onde a gente possa propiciar à população a comercialização dos nossos imóveis, não só os que ainda estão em estoque, mas também os novos lançamentos. Nós começaremos agora já em março com a Semana do Metro Quadrado, iniciativa da Ademi-BA, para comercializar os imóveis através da web, nosso Fórum de Sustentabilidade, o evento de aniversário da Ademi, com o Prêmio Ademi, a nossa convenção, um fórum de líderes, em que a gente traz todo o setor e toda a cadeia produtiva para a Bahia para discutir o mercado e a economia, e ações que a gente vai fazer ao longo do ano à medida em que a gente veja uma janela para aprofundar a comercialização e propiciar novos lançamentos.
O aplicativo para a comercialização de imóveis, que foi anunciado no semestre passado, já está pronto?
Já está pronto e vai ser lançado agora em março na Semana do Metro Quadrado. Estamos fazendo as inscrições dos associados que vão participar e na segunda semana de março a gente começa o evento. O aplicativo vai estar funcionando e vai facilitar ainda mais a busca e a compra do imóvel pela web pelo seu iphone, pelo seu aparelho de celular.
Fale um pouco da sua trajetória profissional.
Sou engenheiro civil, sempre trabalhei em construção civil e incorporação. Faço 31 anos de formado este ano, comecei em 1986. e desde 2007 eu trabalho na área de comercialização. Participo da Ademi há 13 anos. Fui duas vezes diretor técnico, diretor de marketing, vice-presidente, diretor comercial e agora presidente.