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Cronistas de A TARDE brilham em prêmio de contos na Espanha

Certame teve Franklin Carvalho em segundo lugar e Evanilton Gonçalves entre os finalistas

Chico Castro Jr.
Por Chico Castro Jr.
Evanilton e Franklin escrevem no caderno Muito
Evanilton e Franklin escrevem no caderno Muito -

Cronistas de A TARDE, publicados mensalmente no suplemento dominical Muito, os escritores baianos Franklin Carvalho e Evanilton Gonçalves foram destaque em um concurso de contos promovido pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, na Espanha. Ambos terão seus textos publicados em um e-book da Ediciones Universidad de Salamanca, que trará os dois primeiros colocados e mais dez finalistas.

Segundo a divulgação da premiação, “foram inscritos 200 contos, provenientes de cinco países diferentes”, o que “representou um desafio para o júri, devido à variedade e à qualidade dos textos recebidos”. Esta foi a oitava edição do certame, este ano dedicada ao 475º aniversário da fundação da cidade de Salvador.

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O vencedor (ganhou 400 Euros) foi Guido Guimarães Santos, autor do conto Água de Meninos, uma narrativa sobre um adolescente de Salvador, nos anos 1960, dividido entre a disciplina do colégio militar e o duro trabalho na feira popular de Água de Meninos, até que o incêndio que destrói o mercado arrasa também seu mundo e suas certezas.

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O segundo prêmio (200 Euros) foi concedido a Franklin Carvalho, pelo conto Antes na minha carne, enquanto Evanilton, com o conto Mulheres incorrigíveis, foi um dos dez finalistas contemplados com publicação no livro.

Os outros finalistas que também terão seus contos publicados são: Os salvadores da pátria, de Nelson Dias Silva; Onde mora Salvador, de Pedro Henrique do Nascimento Lino; Templo de passagem: Conto de uma tragédia anunciada, de Antonio Carlos Moreira; Roda de samba ou encosto maior, de Luiz Claudio Machado de Santana; O dia em que a Terra parou, de Daphine dos Santos da Silva Gordo; Na cidade de Jorge, de Eduardo Emilio Maurell Müller Neto; Alinhavos, de Raphael Carmesin Gomes; A volta de Quincas, de Clarisse Fukelman e Casa de las Siete Muertes, de Bianca Costa da Silva.

‘Antes na minha carne’

Franklin conta que enviou dois contos para o concurso: um ambientado na atualidade e outro nos anos 1970. “O conto vencedor (o primeiro) imagina um roubo no Museu do Carmo, na Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Ali existe um Cristo de madeira de tamanho natural, incrustado de rubis, uma peça de arte maravilhosa feita pelo escravizado Francisco das Chagas em 1730. No conto, essa estátua é encontrado num lixão, no centro da cidade. As pessoas acham que se trata de um corpo humano, e quando a polícia chega, verifica que é uma escultura, que tem um grande valor histórico, e que os rubis foram destacados, roubados”, relata.

Daí que a mãe do rapaz, negro e pobre, que é incriminado pelo roubo, toma a frente da situação, a fim de garantir que ele não é marginal e seja solto pela polícia. “O título (Antes na minha carne) é uma frase que a mulher diz, como ‘Antes eu sofresse na minha carne o que meu filho deve estar sofrendo’”, conta Franklin.

“Fiquei muito feliz de ter sido contemplado nesse prêmio, porque pude jogar luz sobre a situação social da Bahia, as contradições, os conflitos ocultos. Também por falar de um cenário que eu acho que o baiano precisa conhecer mais, que é a igreja da Ordem Terceira, seu subsolo misterioso, a história de que esse prédio foi incendiado e reduzido a quase nada na Semana Santa de 1787 , depois reconstruído, e sobrou somente essa estátua daquele incêndio. Logo nós teremos isso aí disponível na internet para veicular para toda a comunidade”, acrescenta.

‘Mulheres incorrigíveis’

Curiosamente, Evanilton, o outro finalista que é cronista de A TARDE, se inscreveu no concurso justamente por uma dica do amigo Franklin.

“Ele é meu amigo e vizinho de bairro aqui no Dois de Julho, então ele compartilhou comigo, em fevereiro de 2025, a notícia da abertura desse concurso”, relata Evanilton.

“Escrevi um conto intitulado Mulheres incorrigíveis, que narra a história de Idalina e de outras mulheres capoeiristas que precisam lidar com uma situação conflituosa no centro antigo de Salvador. Escrevi atraído pela força do tema, por gostar de ser um escritor brasileiro, cidadão de Salvador, mas não esperava ser premiado por esse concurso internacional”, conclui.

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crônica da muito literatura baiana

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