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CRÔNICA

O que é amor pra você? Como adultos autistas nos ensinam a buscar conexões

O que a neurodiversidade tem a ensinar a uma sociedade que esqueceu o respeito

Evanilton Gonçalves*
Por Evanilton Gonçalves*

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O amor real é sem máscaras, ensina escritor
O amor real é sem máscaras, ensina escritor -

É essa a pergunta recorrente aos participantes do “Amor no Espectro U.S.”, uma série estilo reality show que acompanha um grupo de adultos solteiros no espectro do autismo enquanto exploram o mundo do namoro. Programas reality show de namoro não fazem parte de minhas referências audiovisuais. Pelas propagandas arbitrárias e aleatórias que via desses programas populares, sempre desconfiei da objetificação dos participantes com o evidente apelo às suas aparências físicas fabricadas em laboratório, em detrimento da busca de conexões emocionais profundas com pessoas de corpos reais, isto é, resistentes às construções sociais e midiáticas que perpetuam o estereótipo físico “ideal”. Também é verdade que eu nunca pesquisei sobre o autismo e senti vergonha de minha própria ignorância. Mas estamos em abril e a ignorância pode ser justamente a mola propulsora para o desejo de aprender.

A série em questão, que assisti e achei muito boa, foge totalmente do estereótipo que condeno. Por meio de uma seleção de participantes, em geral, adoráveis e cativantes, fui percebendo como pessoas no espectro me ajudavam a olhar a vida com mais carinho e gentileza. A vida é simples, eu pensava. A vida é muito complicada, também pensava. Acompanhando o surgimento dos desejos e a construção de intimidade, era como se eu assistisse à encenação do poema “A vida na hora”, da poeta Wisława Szymborska. E mesmo que o enredo da série contrarie alguns versos da poeta, como “Cena sem ensaio”, é emocionante acompanhar os desafios reais dos participantes em busca do amor. As situações enfrentadas por eles, cada qual com suas singularidades, como é típico do ser humano, me mostraram que, no fundo, estamos todos em busca de uma boa companhia.

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Enquanto muita gente passa a vida inteira sustentando pesadas máscaras que as afastam de suas autenticidades, os autistas da série nos relembram a importância e o impacto da honestidade em nossas vidas. Vão além, expõem constantemente em suas ações dois conceitos civilizatórios que a nossa sociedade parece ter esquecido como usar. Vamos relembrar? Limites – barreiras essenciais para o bem-estar emocional, definindo o que é aceitável ou não para cada um. Consentimento – manifestação livre, informada e inequívoca da vontade de uma pessoa.

No início do mês foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Aí com mais ênfase fomos todos convidados a pensar na diversidade que constitui o mundo que habitamos. Sabemos que ela existe, as pessoas de bom senso a defende e respeita, mas a falta de convivência direta com pessoas neurodivergentes faz com que, às vezes, a diversidade nos escape. Sem dúvidas, a empatia pelos autistas deve nos acompanhar não só em abril, mas ao longo de nossa breve jornada na Terra.

Eu sigo tentando responder à pergunta feita aos participantes do reality show. Penso comigo: O amor me parece algo como aceitar as idiossincrasias que nos constituem como verdadeiramente humanos enquanto celebramos a sorte de poder partilhá-las com alguém que as envolve em uma redoma de atenção e cuidado.

Então, como sempre, eu penso em uma música. E com meus passos imaginários e enamorados de dança, escuto Jorge Ben Jor cantar: “Mas eu não quero ser o primeiro / Nem ser melhor do que ninguém / Só quero viver em paz / E ser tratado de igual para igual / Pois em troca do meu carinho, do meu amor / Eu quero ser compreendido e considerado / E se for possível, também amado / Pois não importa o que eu tenho / E sim o que eu possa fazer com o que eu tenho.”

*Evanilton Gonçalves é autor de Ladeira da Preguiça (Todavia)

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