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De britas de rua a gemas raras: conheça os baianos que dedicam a vida a colecionar rochas e minerais raros

Museu Geológico da Bahia recebe exposição inédita sobre rochas, cristais e colecionismo mineral

Gilson Jorge
Por Gilson Jorge
O fascinante mundo do colecionismo mineral: baianos revelam seus tesouros escondidos
O fascinante mundo do colecionismo mineral: baianos revelam seus tesouros escondidos - Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Os olhos do menino Rafael Daltro, então com cinco anos de idade, brilharam igual diamantes quando o Museu Geológico da Bahia chegou à Escola Bom Pastor, no bairro de Brotas, com o Programa Exposição Itinerante, exibindo amostras de pequenos tesouros recolhidos no subsolo baiano. "Eu fiquei fascinado ao ver petróleo, rochas, fósseis. Aquilo me deixou inebriado e eu comecei a querer visitar museus”, lembra o agora geólogo Rafael.

Mesmo sem ter a mínima noção do que era geologia, aquela criança estava absolutamente encantada com as coisas que se retiram do solo. Ao visitar o museu com os pais, o menino se deu conta de que havia muito mais por conhecer do que a escola lhe mostrou. "A partir disso, eu comecei a colecionar minerais", conta.

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Rafael, que trabalha em uma mineradora e atualmente se encontra em uma mina no município de Muritiba, se tornou um colecionador mineral e parte do seu acervo está na exposição Cristais, Rochas e Tempo Geológico: a arte natural da Terra, no Museu Geológico da Bahia (MGB), no Corredor da Vitória, até 19 de setembro. Na sequência, o museu exibirá o acervo de outros colecionadores.

Imagem ilustrativa da imagem De britas de rua a gemas raras: conheça os baianos que dedicam a vida a colecionar rochas e minerais raros
Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

As primeiras pedras guardadas por Rafael foram britas reluzentes retiradas por ele no terreno da loja de materiais de construção de seu avô, em Muritiba. No momento de prestar o vestibular, Rafael não teve dúvidas em escolher a carreira que lhe permitiria ganhar dinheiro com o seu hobby de infância.

O menino Rafael fez uma redação profetizando que trabalharia no MGB, se tornou estagiário da casa e desenvolveu amizade com Elizandra Pinheiro Rios, a coordenadora da instituição, que lhe apresentaria a outros aficionados por minerais.

Rafael, que trabalha em uma mineradora, se tornou um colecionador mineral
Rafael, que trabalha em uma mineradora, se tornou um colecionador mineral - Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Com a graduação em geologia, Rafael dedicou-se à pesquisa e exploração. "Foi uma maneira que encontrei de estar em campo, coletar amostras", explica o geólogo, que lamenta o fato de o colecionismo mineral não ser tão desenvolvido aqui no estado, como é em outras partes do Brasil, notadamente São Paulo e Minas Gerais, e em outros países, como a Austrália, onde esteve como turista e aproveitou para conhecer feiras de minerais, além de visitar cavernas na Tasmânia (Austrália), com depósitos de crocoita, um mineral raro. "É a mina que produz os melhores exemplares do mundo", garante Rafael.

Sobre a Bahia, o geólogo afirma que no estado há quatro minerais-tipos, ou seja, que foram identificados e catalogados originalmente em nosso estado – Bahianita, Almeidaíta, Brumadoíta e Parisita-(La) – e que é um importante produtor de cobre, de cromo, de níquel e magnesita.

Uma das peças preferidas por Rafael em seu acervo é a Dolomita de Brumado, cujas jazidas no interior da Bahia foram tema de uma reportagem de capa da Mineralogical Record, publicação bimestral dos Estados Unidos, especializada em mineração.

Amostras dados pelo avô

Outro colecionador mineral "fisgado" pelas pedras e rochas ainda na infância é o geólogo e engenheiro de segurança no trabalho Leonardo Mascarenhas, que tinha dez anos de idade quando o MGB foi inaugurado no Corredor da Vitória, perto de sua casa. A essa altura de sua jovem vida, Leonardo já possuía amostras de rochas que lhe foram dadas pelo seu avô.

"Eu morava no Edifício Júpiter e comecei a frequentar o museu desde aquela época. E meu pai, em suas viagens, sempre trazia uma pedra para mim", lembra Leonardo, que se formou em geologia há 27 anos.

Com cerca de 430 minerais e 160 rochas em sua coleção, o geólogo deve expor parte do seu acervo pessoal no MGB daqui a quatro meses, tão logo se encerre a exposição atual. "São mostras com perfis diferentes. A coleção de Rafael tem peças maiores do que a minha. Certamente, a minha terá um número maior de pedras", afirma o geólogo.

Leonardo tem um interesse maior por alguns grupos minerais. "Eu tenho um gosto especial pelos carbonatos, por óxidos metálicos, principalmente óxidos de ferro, como o manganês e cobre. Gosto também de sulfetos e sulfatos", afirma. No tocante aos materiais rochosos, o geólogo admira especialmente as rochas vulcânicas.

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Leonardo tem um interesse maior por alguns grupos minerais
Leonardo tem um interesse maior por alguns grupos minerais - Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Encantado

Às vésperas de se formar em direito e se preparando para fazer concursos públicos, Bruno Almeida começou a se interessar pelos minerais em 2013, quando visitou pela primeira vez o MGB. Natural de Muritiba, Bruno havia se mudado para a capital e quando teve a chance de ir ao museu ficou encantado com o que viu.

"Eu achei tudo muito bonito, os minerais, as rochas. Aquilo ficou em mim e foi criando uma sementinha para que eu fosse me interessando cada vez mais por minerais", afirma o universitário, que antes tinha desenvolvido o interesse também por aquários.

A pedra mais antiga de sua coleção é um quartzo rosa. "Essa peça foi proveniente do meu outro hobby. Eu procurava pedras interessantes para decorar os aquários e tornar os ambientes mais naturais", lembra Bruno, que estuda a geologia por diletantismo e tem em torno de 1.100 peças.

A sua predileção pelas unidades de seu acervo varia ao longo do tempo. "Atualmente, eu definiria três pedras como favoritas, uma turmalina rubelita, uma fluoropatita laranja e uma sugilita, que é da minha cor favorita, o roxo", declara Bruno.

Leonardo e Rafael, que foram apresentados um ao outro pela coordenadora do MGB, e começaram a planejar uma exposição com o intuito também de formar uma comunidade de colecionadores. "A Bahia é um dos estados que mais têm minerais bonitos, gemas. Não é possível que a gente não consiga fazer um encontro e trazer para perto mais colecionadores", afirma Leonardo. Assim surgiu o 1° Encontro de Colecionadores de Minerais da Bahia, no último domingo, no MGB, mesmo dia da abertura da exposição.

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