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Muito além do relaxamento: como o yoga se tornou essencial para a saúde mental dos soteropolitanos

Conheça os estilos de yoga que estão ganhando cada vez mais adeptos na Bahia

Pedro Resende
Por Pedro Resende

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Veja como a prática do yoga pode transformar o seu dia a dia
Veja como a prática do yoga pode transformar o seu dia a dia - Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Cresce em Salvador um movimento de quem tenta sair do descompasso da correria do dia a dia. A prática do yoga deixou de ser um hábito restrito a nichos e passou a ocupar a rotina de uma maior parte de pessoas, que busca algo cada vez mais raro: respirar com presença.

A psicóloga Thaís Prado testemunha o aumento desta busca na clínica. Para ela, há um conflito estrutural nesse cenário contemporâneo. “O nosso organismo não foi feito para sustentar esse nível de aceleração constante”, explica. O resultado aparece em forma de sintomas. “Vai criando um conflito interno e aí aparecem ansiedade, depressão, como uma tentativa de o corpo se organizar”.

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A leitura da psicóloga aponta para um descompasso entre o ritmo biológico e as exigências externas. É justamente no intervalo entre o cansaço e a tentativa de reorganização que práticas como o yoga ganham espaço.

A influenciadora Nathalia Bulcão, de 27 anos, encontrou no kurunta yoga uma forma de aliviar as tensões da semana. A modalidade utiliza cordas presas à parede para sustentar o corpo, permitindo aprofundar posturas com mais apoio, alinhamento e relaxamento. “É a minha válvula de escape", diz Nathalia. "Me sinto menos relaxada quando não vou, parece que lá me liberto de tudo aquilo que não preciso carregar”.

A ideia de acolhimento aparece com frequência entre praticantes do exercício. O engenheiro civil Bruno Almeida, por exemplo, não se via nesse universo. Acostumado a uma rotina de alta responsabilidade, ele acreditava que não dava para desacelerar. “Eu sempre achei que era muito difícil parar, respirar e relaxar”, lembra.

A aproximação com a yoga restaurativa foi, inicialmente, uma tentativa e acabou se tornando hábito. “Você começa a entender como o seu corpo funciona, mostra para ele que você precisa descansar", conta.

A modalidade praticada por Bruno utiliza posturas sustentadas com apoio de acessórios, como almofadas e blocos, para promover relaxamento profundo e descanso do corpo e da mente.

Os efeitos foram percebidos de forma concreta no cotidiano dele. “Toda vez que eu faço aula, volto para casa e consigo dormir maravilhosamente bem”, diz. Mais do que um momento pontual, a prática passou a atravessar sua rotina. “São exercícios que eu consegui levar para meu dia a dia”.

Se antes o yoga era associado a um imaginário específico, com corpos muito flexíveis e em ambientes silenciosos, hoje a modalidade se apresenta de forma mais diversa. Professora de yoga há cinco anos, Renata de Gino observa essa mudança no perfil dos alunos. “A principal busca é por saúde mental", testemunha. "A maioria chega ansiosa, acelerada, com excesso de pensamentos e desconectada do próprio corpo”.

Para ela, o crescimento dessa procura está diretamente ligado ao modo de vida contemporâneo. De acordo com Renata, existe uma urgência em aprender a viver com mais conforto dentro do próprio corpo. Nesse contexto, ferramentas simples ganham protagonismo. “Respirar de forma lenta e consciente é um luxo que deveria ser comum”.

A fala de Renata toca em um ponto central: a dificuldade de sustentar a pausa. Em um ambiente marcado por estímulos constantes, parar exige quase um esforço ativo. “As pessoas relatam uma dificuldade muito grande de desacelerar e de sustentar momentos de presença”, completa.

Esse cenário ajuda a explicar por que práticas contemplativas deixaram de ser apenas uma tendência e passaram a ocupar um lugar mais estrutural na vida de muitas pessoas. Ainda assim, especialistas alertam para o risco de tratar essas ferramentas como soluções rápidas.

Para Thaís, é preciso olhar para a questão de forma mais profunda. “As pessoas tentam desacelerar com técnicas pontuais, sem reorganizar o próprio funcionamento", explica. "Vem o alívio imediato, mas não sustenta”. A proposta, segundo ela, é integrar. Ou seja, não deve ser só relaxar, mas reorganizar a mente, o corpo e as relações.

O engenheiro civil Bruno Almeida
O engenheiro civil Bruno Almeida | Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

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Festival Yogas

A professora Juliana Barrena é uma das idealizadoras do Festival Yogas, que vai ocorrer em Salvador nos dias 16 e 17 de maio, e pretende reunir diferentes práticas e linguagens em um mesmo espaço, ampliando o acesso e desconstruindo estereótipos.

Ela percebe essa demanda crescente no dia a dia das aulas que oferece. “A gente vive tempos em que a cultura da produtividade excessiva prevalece”, analisa. Para ela, há uma sensação constante de urgência. “É como se estivéssemos sempre atendendo a uma demanda externa infinita".

O festival, que será realizado no Museu de Arte da Bahia (MAB) aposta na pluralidade como eixo central. Diferentes estilos de yoga – do Vinyasa ao Kemetic – convivem com atividades como rodas de conversa, mantras, práticas de respiração e experiências sonoras.

A ideia é mostrar que não existe uma única forma de praticar. “O yoga é plural, vivo, se adapta a cada território e cultura”, diz Juliana.

Além das práticas, o festival também incorpora elementos culturais e de convivência, aproximando o yoga de outras expressões artísticas e do cotidiano da cidade. A escolha do MAB como sede reforça esse diálogo entre corpo, arte e consciência, de acordo com Juliana.

Esse tipo de iniciativa revela que o crescimento do yoga em Salvador não acontece de forma isolada. De acordo com a professora, ele está conectado a um movimento mais amplo de busca por bem-estar, mas também a uma necessidade concreta de lidar com os impactos de uma vida acelerada.

A professora de yoga Renata de Gino
A professora de yoga Renata de Gino | Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Para Juliana, a confusão da rotina pode esconder um cansaço coletivo. “Está todo mundo sofrendo por exaustão”, afirma. Nesse contexto, o yoga aparece como caminho possível para redirecionar a atenção: “Quando a gente olha para dentro, entende que essa pressa não é nossa, é algo externo".

Ao mesmo tempo, a expansão da prática levanta reflexões importantes sobre acesso e mercado. Juliana destaca a importância de valorizar os profissionais da área e de construir uma relação mais consciente com o consumo dessas experiências. “Aquilo que a gente escolhe movimentar é onde a gente move o mercado”, afirma.

No cotidiano, no entanto, a transformação acontece em pequenas escalas, de acordo com a psicóloga Thaís Prado [veja dicas da profissional no box ao lado]: na respiração mais consciente, no sono que melhora, na relação que se torna mais leve. Nathalia resume essa mudança de forma simples: “Uma pessoa mais leve tem relações mais leves também, vejo isso no meu dia a dia".

Serviço

Festival Yogas – Programação

Atividades gratuitas e pagas no auditório do MAB, com programação cultural e feira BaZá RoZê, feira que valoriza o empreendedorismo feminino com opções gastronômicas, artesanais e artísticas na área externa do museu

Endereço: Museu de Arte da Bahia (MAB), Avenida Sete de Setembro, 2340, no Corredor da Vitória, em Salvador, Bahia

Dias: 16 e 17 de maio

Sábado

Horários:

8h: abertura com roda de mantras

9h15: Vinyasa Yoga

14h: roda de conversa sobre pluralidade

16h: Kemetic Yoga

17h: Hatha Yoga

Domingo

Horários:

9h: Ashtanga Yoga

10h30: Budokon Yoga

14h: soundhealing

15h15: Iyengar Yoga

17h45: aula de rebolado

5 caminhos para desacelerar no dia a dia

(Dicas da psicóloga Thaís Prado)

A psicóloga Thaís Prado
A psicóloga Thaís Prado | Foto: Clara Pessoa | Ag. A TARDE

Desacelerar não significa parar completamente, mas encontrar um ritmo mais possível dentro da rotina. Em uma cidade como Salvador, onde a vida pulsa em muitos sentidos, pequenas mudanças já podem fazer diferença. Confira cinco caminhos simples para começar:

1. Comece pela respiração

Reserve alguns minutos do dia para respirar de forma consciente. Inspirar e expirar lentamente ajuda a regular o sistema nervoso e trazer o corpo para o presente.

2. Crie pausas reais

Não basta “dar uma olhada no celular” entre tarefas. Pausas efetivas envolvem se desconectar por alguns minutos — pode ser alongar o corpo, tomar um café com calma ou simplesmente não fazer nada.

3. Encontre uma prática corporal

Yoga, caminhada, dança ou qualquer atividade que conecte corpo e mente pode ajudar a liberar tensões acumuladas e aumentar a percepção sobre si.

4. Observe seus limites

Nem toda demanda precisa ser atendida imediatamente. Aprender a dizer “não” e reconhecer o próprio cansaço é parte essencial do autocuidado.

5. Cultive constância, não perfeição

Desacelerar é um processo. Pequenas mudanças feitas com regularidade tendem a ser mais eficazes do que grandes tentativas que não se sustentam.

Vários tipos de yoga

Do mais dinâmico ao mais introspectivo, o yoga reúne diferentes estilos e propostas. O Vinyasa conecta movimento e respiração em fluxos contínuos e criativos. O Hatha é mais tradicional, com foco no equilíbrio entre corpo e mente. O Ashtanga segue séries fixas e intensas de posturas. O Iyengar valoriza o alinhamento preciso, com uso de acessórios.

A yoga restaurativa, como a praticada por Bruno Almeida, utiliza apoios para promover relaxamento profundo. Já o kurunta yoga (ou kurunga), praticado por Nathalia Bulcão, usa cordas presas à parede para dar suporte ao corpo, facilitando alongamentos e ampliando a percepção corporal. O Kemetic, por sua vez, resgata bases ancestrais africanas com movimentos geométricos e consciência respiratória.

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