MUITO
Surpresa boa na arte e na vida
Antônio Társis já estava desanimado de se inscrever em editais e concursos e só receber respostas negativas. Por isso, quando a namorada sugeriu que ele se inteirasse do Prêmio Energias na Arte, promovido pelo Instituto Tomie Ohtake em parceria com a EDP Brasil, ele assentiu que ia ver, mas não fez nada além disso. Sem reparar nenhuma movimentação, ela mesma o inscreveu. Entre 237 candidatos, o jovem artista visual baiano, de 21 anos, acabou premiado.
Seis obras suas participaram de uma exposição no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, encerrada no dia 4/12, ao lado de outros nove finalistas. Como parte do prêmio, ele também ganhou uma residência artística de cinco semanas no Lugar a Dudas, em Cali, Colômbia, para onde embarca no próximo ano.
Autodidata, Antônio começou a pintar aos 16 anos, depois de perder a mãe. Passava um tempo grande trancado no quarto ouvindo música e foi a partir dos artistas que pintaram suas próprias capas de disco que ele resolveu se arriscar nas tintas. Depois, foi enveredando pelos materiais populares que encontrava na Sete Portas, onde morava, criando imagens para as histórias que ouvia sobre o avô feirante.
Numa série de fotografias, usou sacolas e caixas de fósforos para cobrir o próprio rosto. A primeira exposição de que participou foi a mostra 40 Anos de Linguagem Contemporânea, em julho deste ano, no MAM. Se ele ficou surpreso com o prêmio, imagine sua família, que nem entende direito como ele ganha a vida.
Veja algumas obras que participaram da exposição (fotos - Ricardo Miyada/Divulgação):
Ofertão (fotografia)
Cavalo (fotografia)
Guarany - Quiboa (Pinturas em saco naylon)
Linha do Horizonte - Paisagens (Colagem)