PREOCUPANTE
Argentina investiga origem do surto de hantavírus em navio
Três pessoas que viajaram a bordo da embarcação morreram

A Argentina está fazendo uma investigação epidemiológica para determinar a possível origem do surto de hantavírus que atingiu o cruzeiro MV Hondius, que saiu do país em 1° de abril.
O primeiro relato de sintomas de um passageiro foi feito em 6 de abril. Até o momento, oito casos foram identificados.
Atualmente, o navio que se tornou um foco de hantavírus tem 88 passageiros e 59 tripulantes, de 23 nacionalidades, a bordo.
Reconstrução do itinerário
O Ministério da Saúde argentino afirmou que está reconstruindo o itinerário do primeiro caso relatado, que são os cidadãos holandeses. O comunicado diz que eles entraram na Argentina em 27 de novembro e viajaram pelo país por 40 dias de carro.
Em 7 de janeiro, eles cruzaram a fronteira com o Chile, por onde viajaram por mais 24 dias. Voltaram à Argentina por mais de 20 dias e depois foram ao Uruguai, em 13 de março.
Depois disso, só retornaram ao país em 27 de março, quando seguiram viagem até Ushuaia, onde embarcaram no cruzeiro.
Três mortes
Três pessoas que viajaram a bordo do navio — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
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Nenhum caso na Argentina
De acordo com o Ministério da Saúde argentino, até o momento, nenhum caso associado foi identificado no país.
Além disso, a pasta disse que equipes técnicas do Instituto Malbrán viajarão para Ushuaia para realizar operações de captura e análise de roedores.
“É importante ressaltar que, embora não esteja confirmado que a transmissão tenha ocorrido na Argentina e que a Terra do Fogo não tenha relatado nenhum caso de hantavírus desde o início da notificação obrigatória do evento em 1996, essas ações fazem parte da estratégia intensificada de vigilância epidemiológica que está sendo realizada em coordenação com as jurisdições responsáveis por fortalecer a notificação e a detecção de casos em seus territórios”, disse em nota.
A cepa andina, identificada como a do surto e a única conhecida capaz de ser transmitida entre humanos, só foi anteriormente detectada nas províncias de Chubut, Río Negro e Neuquén, e no sul do Chile, segundo o ministério.
O país também afirmou que está fortalecendo a cooperação internacional, enviando suprimentos aos países afetados e fornecendo assistência técnica para o manejo clínico dos casos.
O que é hantavírus?
O hantavírus pertence a uma família de vírus que causa duas doenças: uma que afeta principalmente os pulmões e outra que ataca os rins. A primeira recebe mais atenção por apresentar uma alta taxa de letalidade, de cerca de 40%.
A síndrome pulmonar por hantavírus, a doença respiratória, é mais comumente encontrada nas Américas do Norte e do Sul. A pianista Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, morreu de síndrome pulmonar por hantavírus no Novo México em 2025, conforme resultados da autópsia.
Sintomas
A hantavirose geralmente começa com sintomas semelhantes aos da gripe, como fadiga e febre, de uma a oito semanas após a exposição, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA).
De quatro a dez dias depois, surgem tosse, falta de ar e acúmulo de fluido nos pulmões. O diagnóstico nas primeiras 72 horas de infecção é difícil, diz o CDC, portanto os sintomas podem ser facilmente confundidos com os de uma gripe comum.
Tratamento
Não existe uma terapia específica para a infecção por hantavírus, por isso o tratamento foca em cuidados de suporte, incluindo repouso e hidratação. Os pacientes podem precisar de suporte respiratório, como o uso de ventiladores.
Prevenção
Especialistas afirmam que a exposição ao hantavírus pode ser minimizada ao afastar e eliminar roedores de áreas onde há presença humana. Evite usar aspirador de pó ou varrer excrementos secos, o que pode transformar o vírus em aerossol (partículas que flutuam no ar).
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