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Bachelet critica ataques de Bolsonaro ao Judiciário e às urnas

Chefe de direitos humanos da ONU relembrou assassinato de petista morto por policial bolsonarista no Paraná

Da Redação
Por Da Redação
| Atualizada em
Esta foi a última entrevista de Bachelet como chefe de direitos humanos da ONU. Ela fica no cargo até o dia 31 deste mês
Esta foi a última entrevista de Bachelet como chefe de direitos humanos da ONU. Ela fica no cargo até o dia 31 deste mês - Foto: Fabrice Coffrini | AFP

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou nesta quinta-feira, 25, os ataques recorrentes do presidente Jair Bolsonaro (PL) às urnas eletrônicas e ao Judiciário brasileiro. A

A ex-presidente chilena disse, ao comentar sobre o Brasil, que está preocupada pelo fato do chefe do Executivo brasileiro pedir a seus simpatizantes que protestem contra as instituições judiciais.

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“Podemos não concordar com decisões tomadas pelos outros Poderes e afirmar isto se for necessário, mas é preciso respeitá-los”, argumentou durante entrevista à imprensa em Genebra. “Não podemos fazer coisas que possam aumentar a violência ou o ódio contra as instituições democráticas, que devem ser respeitadas e reforçadas. Não devemos tentar miná-las com discursos políticos”.

Bachelet falou, inclusive, sobre o encontro do mandatário brasileiro com embaixadores, realizado em 18 de julho. Em decisão recente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a TV Brasil e redes sociais retirem o conteúdo do encontro do ar.

“O presidente Bolsonaro intensificou os ataques ao Judiciário e ao sistema eletrônico de voto, incluindo em um encontro com embaixadores em julho, o que gerou fortes reações (…) e eu tenho que dizer, tendo sido já chefe de Estado, que um chefe de Estado deve respeitar outros poderes, o Judiciário, o Legislativo, e não ficar vociferando ataques contra outros, porque é essencial para um presidente da República assegurar a democracia”, destacou.

Ela afirmou ainda que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU também está monitorando e analisando os discursos de ódio utilizados no Brasil durante o processo eleitoral e lembrou de como esse tipo de discurso pode levar às vias de fato ao rememorar o assassinato do tesoureiro do PT de Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda, pelo policial federal penal Jorge Guranho, apoiador de Bolsonaro, em julho.

“Quando você é um candidato, ou um presidente que é candidato, você tem que ser muito cuidadoso para garantir que as pessoas se sintam seguras para ir votar. Eu sei, por exemplo, que em julho, um policial apoiador de Bolsonaro matou um apoiador de Lula. Casos como esse não deveriam acontecer, e quando um líder usa uma linguagem que pode ser utilizada em uma direção errada, isso é muito ruim”, condenou a dirigente da ONU.

Esta foi a última entrevista de Bachelet como chefe de direitos humanos da ONU. Ela fica no cargo até o dia 31 deste mês.

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