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Cardeal ligado ao conclave é acusado de abuso sexual

Pelo menos cinco mulheres relataram episódios de abuso

Isabela Cardoso
Por
O Papa Francisco e o Cardeal Cristóbal López Romero durante sua visita papal ao Marrocos em 2019
O Papa Francisco e o Cardeal Cristóbal López Romero durante sua visita papal ao Marrocos em 2019 - Foto: Arquivo/AFP

O cardeal espanhol Cristóbal López Romero, arcebispo de Rabat, no Marrocos, decidiu se afastar temporariamente das funções pastorais após ser alvo de uma investigação conduzida pelo Vaticano por supostas agressões sexuais.

Segundo informações da agência AFP, pelo menos cinco mulheres relataram episódios de abuso envolvendo o religioso de 74 anos.

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As denúncias são analisadas pela Santa Sé e levaram o cardeal a anunciar, nesta terça-feira, 7, que deixará de presidir celebrações públicas enquanto o caso é apurado. Até o momento, não há processos abertos na Justiça marroquina.

Cinco mulheres relatam episódios

De acordo com a AFP, duas vítimas aceitaram relatar os casos à agência. Uma delas, que colaborava com a Igreja, afirmou ter sofrido repetidas agressões sexuais, mas preferiu não autorizar a divulgação pública de seu depoimento neste momento.

Outra mulher encaminhou um relato formal à Nunciatura Apostólica, representação diplomática do Vaticano no Marrocos. No documento, ela afirma que o cardeal praticava "gestos físicos" considerados inadequados, como abraços prolongados e insistentes, além de uma tentativa de beijo da qual conseguiu se desvencilhar.

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Fontes ligadas à diocese ainda afirmaram à AFP que outras três mulheres também relataram situações semelhantes, algumas delas ocorridas durante atendimentos religiosos e confissões.

Cardeal nega acusações

Cristóbal López Romero afirmou que já apresentou esclarecimentos às autoridades eclesiásticas e disse que continuará colaborando com a investigação.

Em nota enviada à AFP, o religioso negou ter cometido qualquer ato de abuso. "Continuarei cooperando plenamente com eles na investigação."

Ele também declarou que decidiu se afastar temporariamente das atividades pastorais para não interferir no andamento das apurações.

"Durante este período de investigação, para não obstruí-la, me afastarei, não presidindo nenhuma celebração pública e sem participar de nenhuma atividade pastoral."

Até a publicação desta reportagem, o Vaticano não havia comentado oficialmente o caso.

Cotado para suceder o papa Francisco

Nome influente dentro da Igreja Católica, López Romero esteve entre os cardeais apontados pela imprensa internacional como possíveis sucessores do papa Francisco durante o conclave realizado em 2025.

Ordenado sacerdote em 1979, o religioso atuou por quase duas décadas no Paraguai e posteriormente exerceu funções de liderança na Bolívia antes de assumir a Arquidiocese de Rabat.

Como cardeal, fazia parte do grupo responsável por auxiliar o papa no governo da Igreja e, por ter menos de 80 anos, também possuía direito a voto no conclave.

Igreja Católica enfrenta novos desafios

As acusações contra López Romero surgem em um momento em que a Igreja Católica ainda enfrenta as consequências de sucessivos escândalos envolvendo abusos sexuais praticados por membros do clero em diferentes países.

Durante o pontificado de Francisco, encerrado em 2025, o Vaticano adotou uma política de tolerância zero para esse tipo de crime, além de promover mudanças nas regras internas para ampliar a investigação de denúncias e responsabilizar religiosos envolvidos em casos de abuso.

Agora, caberá às autoridades eclesiásticas concluir a apuração para definir os próximos passos em relação ao cardeal espanhol.

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