Busca interna do iBahia
HOME > MUNDO

INTERNACIONAL

De paraíso turístico a ruínas: veja o cenário após terremoto na Venezuela

Prédios desabados em Tucacas viram alvo de sucateiros e saqueadores em busca de dólares

Redação e AFP
Por Redação e AFP
Um homem carrega sucata retirada dos escombros do edifício La Mar Suite, em Tucacas, Venezuela
Um homem carrega sucata retirada dos escombros do edifício La Mar Suite, em Tucacas, Venezuela - Foto: FEDERICO PARRA/AFP

De um dos três prédios do complexo La Mar Suites, em Tucacas — pequeno paraíso costeiro no norte da Venezuela —, não resta mais que um monte de pedras sobre o qual alguns homens recuperam ferro-velho.

Uma dúzia de pessoas, cujos
corpos foram tirados dos escombros, fazem parte dos mais de 5.300 mortos do duplo terremoto que sacudiu o país em 24 de junho.

O conjunto residencial, que costumava ficar lotado nos fins de semana e recebia turistas de todo o país, por sorte teve pouca ocupação na quarta-feira em que a tragédia aconteceu.

Tudo sobre Mundo em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

A destruição na porta do Parque Nacional Morrocoy

Tucacas é uma pequena cidade situada na entrada do Parque Nacional Morrocoy, um destino famoso pelas praias de águas cristalinas, barreiras de coral e manguezais que abrigam tartarugas e flamingos rosados.

Com máscara para se proteger da poeira e evitar ser reconhecido, um dos sucateiros que reviram as ruínas fala sob a condição de anonimato:

"A estes [os mortos] não servem mais, não servem a ninguém, mas para nós, sim."

Os trabalhadores não têm permissão para subir no prédio que desabou, mas coletam metais e outros materiais que caíram nas laterais dos muros destruídos.

A corrida pelo ferro-velho e a luta pela sobrevivência

Aos pés do edifício, a rotina de busca por sobrevivência revela o impacto econômico imediato da tragédia no cotidiano dos moradores:

  • Perda de renda no turismo: sem visitantes nas praias, vendedores ambulantes e prestadores de serviço ficaram sem sustento.
  • Cotação da sucata: uma tonelada de ferro e alumínio recolhida rende cerca de 60 dólares (R$ 303), valor dividido entre três trabalhadores.
  • Improviso para comer: moradores locais também catam mexilhões e pequenas conchas na praia para garantir a alimentação do dia.

"Eu vendo sorvete de coco, magnum, cornetto, bombom, de frutas e sanduíche gostoso!", recita José Luis Teras, de 53 anos.

"Mas agora não há trabalho.
Coletamos sucata para sobreviver, sem prejudicar ninguém e sem faltar com o respeito. Estou ganhando a vida, não vou roubar", garante o trabalhador.

Saques e a busca por dólares escondidos nos colchões

Aos pés das ruínas, também se veem bolsas de colchões destruídos. Como em outras regiões afetadas, saqueadores procuram dinheiro escondido entre os destroços.

Diante da forte desvalorização da moeda nacional, o bolívar, muitos venezuelanos costumam guardar economias em dólares dentro de casa — e, com frequência, dentro dos próprios colchões.

Leia Também:

MUNDO

Número de mortos por conta de terremotos na Venezuela ultrapassa 5 mil
Número de mortos por conta de terremotos na Venezuela ultrapassa 5 mil imagem

AÇÃO SOLIDÁRIA

Mais de 50 gatos são resgatados por brasileiros após terremotos na Venezuela
Mais de 50 gatos são resgatados por brasileiros após terremotos na Venezuela imagem

MUNDO

Brasil envia seis toneladas de vacinas e insumos à Venezuela após terremotos
Brasil envia seis toneladas de vacinas e insumos à Venezuela após terremotos imagem

Apesar da presença policial, dois homens carregam um colchão intacto em uma moto e vão embora sob o olhar reprovador de testemunhas. "São uns abusadores, não têm nenhum respeito por nada", reclamam duas vigias de longe.

Na praia, Luis Enrique Aranguru, de 38 anos, cata mexilhões para comer e busca bugigangas para tentar vender. "Não é fácil neste momento", admite o morador diante das dificuldades financeiras que atingiram a região.

Esperança no retorno dos turistas ao paraíso costeiro

Perto do porto, que chegou a ser fechado pelo duplo terremoto, a expectativa dos comerciantes é de que o fluxo de visitantes ajude a reerguer a economia local.

Luis Miguel Sánchez, de 53 anos, opera um embarque que leva turistas para as pequenas ilhas da região por até
150 dólares (cerca de R$ 760) ida e volta.

“O movimento baixou um pouco com o terremoto, mas graças a Deus os turistas já estão chegando, o que é o importante. Todos os pontos têm seus serviços funcionando normalmente. Para quem vem de fora, aqui continua sendo um paraíso”, afirma.

/ 9
  • Um homem aplica pesticidas perto dos escombros de um prédio em Caraballeda, Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Um homem aplica pesticidas perto dos escombros de um prédio em Caraballeda, Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Pessoas buscam sucata nos escombros do edifício La Mar Suite, em Tucacas, Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Um homem com apenas um braço procura por corpos entre os escombros de um prédio em Caraballeda, na Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Pessoas buscam corpos em meio aos escombros de um prédio em Caraballeda, na Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Pessoas buscam corpos em meio aos escombros de um prédio em Caraballeda, na Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Uma equipe de resgate trabalha enquanto um homem aplica pesticidas sobre os escombros de um prédio em Caraballeda, Venezuela, em 22 de julho de 2026 — quase um mês após os terremotos de 24 de junho.
  • Voluntários conversam enquanto participam das buscas por corpos entre os escombros de um edifício do programa Obras del Poder Popular (OPP) em Caraballeda, Venezuela, em 22 de julho de 2026 — quase um mês após os terremotos de 24 de junho
  • Equipes de resgate trabalham nos escombros do edifício residencial Jurel, em Catia La Mar, Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Terremoto Tragédia venezuela

Relacionadas

Mais lidas