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Governo Trump investiga faculdade feminina por admitir alunas trans

Investigação faz parte deofensiva do governo contra políticas de proteção a estudantes trans

Isabela Cardoso
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Smith College é uma das maiores instituições exclusivamente femininas do país
Smith College é uma das maiores instituições exclusivamente femininas do país - Foto: Christopher Capozziello/The New York Times

O governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação de direitos civis contra o Smith College, nos Estados Unidos, para apurar se a política de admissão de estudantes transgênero viola leis federais antidiscriminação.

A medida foi anunciada pelo Departamento de Educação e marca a primeira vez que uma faculdade exclusivamente feminina entra na mira da atual gestão por esse motivo.

Investigação mira políticas de inclusão

A apuração está sendo conduzida pelo Escritório de Direitos Civis do Departamento de Educação. O foco é avaliar se permitir a matrícula de mulheres trans, além do acesso a espaços exclusivos como dormitórios, banheiros e vestiários, pode ferir proteções legais destinadas a mulheres.

Até então, as ações do governo estavam concentradas principalmente em temas como a participação de atletas trans em esportes femininos e o uso de banheiros em escolas e universidades.

Em nota oficial, a secretária assistente interina para direitos civis, Kimberly Richey, afirmou que “uma faculdade exclusivamente feminina perde seu significado se admitir homens biológicos”.

Segundo a secretária, a presença dessas pessoas em espaços destinados a mulheres levanta preocupações sobre privacidade, equidade e conformidade com a legislação federal.

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Smith College reafirma compromisso institucional

Localizado em Northampton, no estado de Massachusetts, o Smith College declarou que está ciente da investigação. A instituição reiterou seu compromisso com os valores institucionais e com o cumprimento das leis de direitos civis.

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A investigação foi aberta após uma denúncia apresentada pela organização Defending Education, fundada em 2021 e ligada ao movimento conhecido como “direitos dos pais”. O grupo tem pressionado por maior controle sobre políticas educacionais e já motivou outras investigações federais recentes.

Histórico de inclusão de estudantes trans

Com cerca de 2.500 estudantes, o Smith College aceita pessoas trans desde 2015. A mudança ocorreu após um caso em 2013, quando uma candidata trans foi rejeitada porque sua identidade de gênero não correspondia aos documentos financeiros apresentados.

Desde então, a maioria das faculdades femininas de prestígio nos Estados Unidos atualizou suas políticas para incluir estudantes trans. Uma das exceções é o Sweet Briar College, que não admite estudantes trans e orienta transferências durante processos de transição.

Contexto político e aumento de investigações

A investigação faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra políticas de proteção a estudantes trans. Dados recentes indicam que, em 2025, a atual administração resolveu 30% menos denúncias de direitos civis em escolas em comparação com o ano anterior, durante o governo Joe Biden, a maior queda anual em pelo menos três décadas.

Ao mesmo tempo, o governo abriu mais de 40 investigações contra instituições educacionais que adotam medidas inclusivas. O Departamento de Educação também tem revertido acordos firmados por gestões anteriores e moveu ações judiciais contra estados como Califórnia e Minnesota.

Segundo dados da Society for Evidence-Based Gender Medicine, cerca de 4,7% dos estudantes universitários nos Estados Unidos se identificam como transgênero.

Debate sobre direitos e legislação segue em aberto

O caso do Smith College reacende o debate nos Estados Unidos sobre os limites entre políticas de inclusão e a interpretação das leis federais de proteção a direitos civis.

A decisão final da investigação poderá influenciar outras instituições e redefinir diretrizes para admissões em faculdades femininas no país.

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