MUNDO
Investigação aponta que EUA teriam arma de micro-ondas para causar danos cerebrais
Apuração de nove anos aponta ligação com casos da chamada Síndrome de Havana, que afetaram funcionários do governo

Uma investigação conduzida ao longo de nove anos pelo programa 60 Minutes, da emissora americana CBS, trouxe à tona novas informações sobre episódios misteriosos que teriam afetado agentes e diplomatas dos Estados Unidos. A reportagem, divulgada nesta semana, aponta que uma tecnologia capaz de provocar danos cerebrais por meio de micro-ondas teria sido descoberta e até adquirida pelo país.
De acordo com a apuração, desde pelo menos 2016 funcionários ligados ao governo norte-americano, entre eles diplomatas, militares e integrantes da inteligência, passaram a relatar sintomas graves após serem atingidos por uma força invisível. As vítimas descreveram prejuízos na visão, audição, equilíbrio e capacidade cognitiva. Episódios semelhantes também teriam sido registrados em locais sensíveis, como a sede da Central Intelligence Agency, na Virgínia, e até nos jardins da Casa Branca.
Entre os casos citados pela reportagem está o de um tenente-coronel aposentado identificado apenas como Chris. Ele trabalhou com satélites espiões considerados altamente secretos e afirma ter sido atingido diversas vezes mesmo vivendo nas proximidades de Washington. Segundo o militar, foram cinco episódios em um intervalo de cinco meses.
“O primeiro incidente ocorreu em agosto de 2020. A sensação foi como se alguém tivesse me dado um soco na garganta e meu ouvido esquerdo estivesse entupido. Comecei a sentir dores agudas e lancinantes que desciam pelo meu braço esquerdo”, relatou.
Nos episódios seguintes, Chris disse que os sintomas surgiram quando ele estava dentro da própria casa. Ele descreveu a sensação de pressão intensa na cabeça, acompanhada de desorientação e tontura imediata. Também relatou contrações musculares dolorosas ao longo da coluna.
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“O quinto foi de longe o pior. Acordei com uma convulsão em todo o corpo, a pior dor que já senti. Parecia que um torno estava apertando meu tronco cerebral”, denunciou.
Situações semelhantes passaram a ser associadas ao fenômeno que ficou conhecido como Síndrome de Havana. O nome surgiu porque os primeiros registros ocorreram em Havana, capital de Cuba, envolvendo funcionários do governo norte-americano que atuavam na cidade.
A reportagem reuniu ainda depoimentos de outras pessoas ligadas à inteligência dos Estados Unidos que disseram ter passado por episódios repentinos e intensos. Em vários casos, os sintomas resultaram em sequelas permanentes.
“Senti como se tivesse entrado pela janela, direto na minha orelha esquerda. Imediatamente senti uma sensação de plenitude na cabeça e uma dor de cabeça lancinante”, afirmou outra vítima.
O governo dos Estados Unidos reconhece que parte desses funcionários sofreu ferimentos e, em muitos casos, custeia tratamento médico. No entanto, por anos as autoridades questionaram a origem dos sintomas. Algumas vítimas receberam explicações alternativas, que incluíam possíveis causas ambientais ou atmosféricas, vírus, condições de saúde preexistentes ou até a hipótese de histeria coletiva mencionada em uma investigação inicial do Federal Bureau of Investigation.
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