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Nova ameaça do El Niño surge no oceano Pacífico; entenda os riscos

Fenômeno observado é conhecido como onda de Kelvin

Isabela Cardoso
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Imagens de satélite - Diferença entre as temperaturas médias da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical
Imagens de satélite - Diferença entre as temperaturas médias da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical - Foto: NOAA Satellites

Uma gigantesca massa de água quente avançando pelo Oceano Pacífico reacendeu o alerta da comunidade científica para um possível retorno do fenômeno El Niño nos próximos meses.

A estrutura foi identificada pelo satélite Sentinel-6 Michael Freilich, desenvolvido pela NASA em parceria com agências espaciais europeias, e já provoca alterações mensuráveis no nível do mar próximo à costa da América do Sul.

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O fenômeno observado é conhecido como onda de Kelvin, uma extensa faixa de água aquecida que se desloca lentamente ao longo do Pacífico equatorial.

Em meados de maio, essa massa chegou às proximidades do Peru, elevando o nível do oceano em mais de 15 centímetros acima da média histórica, um dos principais sinais de acúmulo de calor nas águas superficiais.

Embora o registro isolado não confirme oficialmente a formação do El Niño, especialistas consideram o fenômeno um dos primeiros indicadores monitorados para detectar o desenvolvimento do evento climático.

O que são as ondas de Kelvin?

As ondas de Kelvin surgem quando os ventos alísios, responsáveis por empurrar as águas quentes para o oeste do Pacífico, enfraquecem ou mudam temporariamente de direção.

Quando isso acontece, parte da água aquecida acumulada próximo à Indonésia e à Austrália começa a migrar em direção à América do Sul. Como a água quente ocupa mais espaço que a fria, os satélites conseguem identificar pequenas elevações na superfície do mar, permitindo que cientistas acompanhem o fenômeno em tempo real.

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Segundo a NASA, episódios semelhantes foram observados antes dos grandes eventos de El Niño registrados em 1997 e 2015, considerados alguns dos mais intensos das últimas décadas.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica global e interfere nos regimes de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos em diversas regiões do planeta.

O fenômeno faz parte do chamado ciclo ENSO (Oscilação Sul-El Niño), que alterna períodos de aquecimento, conhecidos como El Niño, e resfriamento, chamados de La Niña.

Quando o aquecimento se intensifica e se mantém por vários meses, os efeitos podem ser sentidos em diferentes continentes, afetando agricultura, abastecimento hídrico, geração de energia e até a economia.

Como o fenômeno pode afetar o Brasil?

Caso o El Niño se consolide ao longo do segundo semestre, os impactos poderão atingir diferentes regiões brasileiras de maneiras distintas.

Historicamente, o fenômeno provoca aumento das chuvas no Sul do país, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e transbordamento de rios.

Já parte do Norte e do Nordeste costuma registrar redução das precipitações, temperaturas mais elevadas e condições favoráveis para secas prolongadas e queimadas.

No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos mais comuns incluem ondas de calor intensas, períodos de baixa umidade do ar e alterações na distribuição das chuvas.

Os impactos variam conforme a intensidade do evento. Episódios moderados tendem a provocar mudanças mais localizadas, enquanto grandes El Niños conseguem alterar padrões climáticos em escala global.

Ainda é cedo para confirmar

Apesar dos sinais observados pela NASA, cientistas destacam que ainda não há confirmação oficial da formação do El Niño.

A caracterização do fenômeno depende da persistência do aquecimento das águas do Pacífico por vários meses, além de outros indicadores atmosféricos monitorados por centros meteorológicos internacionais.

O pico do El Niño costuma ocorrer entre novembro e janeiro, período em que os modelos climáticos apresentam maior precisão sobre sua intensidade e seus possíveis impactos.

Monitoramento continuará nos próximos meses

Os próximos meses serão decisivos para determinar se a onda de Kelvin observada em 2026 representa apenas uma oscilação temporária ou o início de um novo ciclo de El Niño.

Caso novas ondas de calor oceânicas continuem se formando e o aquecimento persista, especialistas alertam para a possibilidade de um cenário marcado por temperaturas elevadas, mudanças nos regimes de chuva e aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas partes do mundo.

Por enquanto, a recomendação é acompanhar as atualizações dos órgãos meteorológicos, que seguem monitorando diariamente o comportamento das águas do Pacífico e seus reflexos sobre o clima global.

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