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EUA X VENEZUELA

Petróleo e fronteiras: como a crise na Venezuela afeta Brasil

Especialista avaliou se Brasil pode sofrer impactos com a tomada do petróleo da Venezuela pelos EUA

Edvaldo Sales

Por Edvaldo Sales

09/01/2026 - 5:08 h
Especialista avaliou se o Brasil pode sofrer impactos com a tomada do petróleo da Venezuela pelos EUA
Especialista avaliou se o Brasil pode sofrer impactos com a tomada do petróleo da Venezuela pelos EUA -

O ataque realizado pelos Estados Unidos (EUA) na Venezuela no dia 3 de janeiro foi motivado por dois principais fatores: econômicos e geopolíticos. Os principais interesses dos americanos estão no interesse pelo petróleo, na relação da Venezuela com a China e a necessidade de conquistar protagonismo na América Latina.

Atualmente, a Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, com cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a 17% do volume conhecido, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA.

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Esse volume coloca o país à frente de gigantes como Arábia Saudita, com 267 bilhões de barris, e Irã, com 209 bilhões, com ampla margem. Grande parte do petróleo venezuelano, no entanto, é extra-pesado, o que exige tecnologia sofisticada e investimentos elevados para a extração. É neste contexto que inicia o claro interesse dos Estados Unidos pela tomada da Venezuela.

Para Henrique Andrade, professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), geógrafo com mestrado e doutorado em Geografia, os impactos da tomada do petróleo venezuelano pelos EUA “são diversos”.

“Vai afetar todo o mercado global, a dimensão energética e a centralidade do poder econômico militar e geopolítico dos Estados Unidos no mundo, principalmente aqui na América do Sul”, explicou Andrade, que também é estudioso de geopolítica energética.

O geógrafo ainda destacou que a riqueza petrolífera vai ser operada nos Estados Unidos pela diversidade de multinacionais, de corporações globais do mundo do petróleo.

“Não tem como separar essa ocupação do território com a retirada do presidente forçada a partir de um sequestro com a tentativa de incursão de empresas petrolíferas estadunidenses no território da Venezuela”, ressaltou.

Soberania ferida

Os Estados Unidos iniciaram, na última quarta-feira, 7, a comercialização oficial de petróleo bruto e derivados provenientes da Venezuela. A medida ocorre em um cenário de transição drástica após a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Segundo o Departamento de Energia americano, toda a receita gerada pelas vendas será depositada em contas sob controle direto de Washington em bancos globais.

O plano, detalhado pelo presidente Donald Trump, prevê o refino e a venda de até 50 milhões de barris que estavam retidos devido ao bloqueio econômico. O volume equivale a aproximadamente dois meses de toda a produção atual do país sul-americano.

Esse cenário trouxe à tona questionamentos a respeito da soberania venezuelana.

No processo geopolítico e também geoeconômico global, é uma demarcação de uma reconfiguração. Não tem como não colocar esse ataque militar com o sequestro do presidente Nicolás Maduro, presidente constitucional de um país, diretamente com o rompimento grave do processo soberano”, disse Henrique Andrade.

A soberania de um país foi atacada diretamente com essa invasão ao território venezuelano pelos Estados Unidos e diretamente também pelo sequestro do seu presidente. Não tem como separar essa ação de um impacto na soberania de um país.
Henrique Andrade - estudioso da geopolítica energética

Por que o petróleo da Venezuela é importante para os EUA?

A incursão militar na Venezuela jogou os holofotes sobre o desejo do presidente americano sobre o petróleo daquele país. É importante ressaltar que, ao falar na Venezuela, não tem como separar de sua riqueza de petróleo e seus derivados, segundo relembrou o docente do IFBA.

“Os Estados Unidos são uma potência mundial que é baseada na dimensão dos combustíveis fósseis. Os acordos climáticos não foram assinados pelo país norte-americano. Recentemente, tivemos a COP30 aqui no Brasil, e ela representa desde o discurso das energias renováveis a uma mudança do padrão energético, mas ainda há uma centralidade mundial muito forte na dimensão do petróleo, de modo que como a Venezuela tem uma riqueza petrolífera, em quantidade e qualidade do petróleo, muito marcante”.

De acordo com o estudioso, os EUA terem o domínio dessas reservas é “mais uma etapa de sua concentração e diretamente da demarcação do seu poder econômico, militar e geopolítico frente ao avanço da China e da Rússia, principalmente agora no século XXI", disse ele, complementando:

"Há uma centralidade na questão energética muito forte no que é que está acontecendo agora com essa invasão do território venezuelano e o sequestro do seu presidente”.

Brasil pode ser impactado?

Dentro desse contexto, Henrique Andrade avalia que o Brasil pode sofrer impactos.

“Nós estamos falando do espaço geográfico da América Latina. O Brasil tem fronteira direta com a Venezuela. Nós temos um estado brasileiro que é Roraima, que depende do fornecimento de energia elétrica ainda por acordos multilaterais, bilaterais diretamente do Brasil com a Venezuela”, lembrou o especialista.

De acordo com ele, não tem como dizer que o processo que acontece na Venezuela está apartado do Brasil, tanto pelas relações comerciais, mas também pela centralidade do poder econômico que a Venezuela opera na América Latina por suas reservas.

“Há uma dimensão bastante concreta quanto a isso e que de fato pode afetar o mercado de petróleo. Não tem como separar os impactos que acontecem na Venezuela. Vão repercutir sim aqui no Brasil. A gente espera que a diplomacia, que a estrutura do governo Lula, garanta a manutenção do governo venezuelano e a garantia de uma estabilidade a despeito das pressões do governo estadunidense”, finalizou.

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