MUNDO
Trump ameaça atingir usinas e pontes do Irã em nova escalada
Presidente dos EUA condiciona suspensão dos ataques à abertura de negociações com Teerã


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã nesta terça-feira, 14, ao afirmar que a ofensiva militar norte-americana poderá atingir usinas de energia e pontes iranianas já na próxima semana, caso Teerã não aceite negociar um novo acordo.
Durante entrevista à emissora Fox News, Trump afirmou que a campanha militar continuará até que o governo iraniano concorde em sentar à mesa de negociações.
“Na próxima semana vêm as usinas de energia. Na próxima semana vêm as pontes. Vamos destruir todas as usinas de energia. Vamos destruir todas as pontes, a menos que eles venham para a mesa e negociem”, declarou.
O presidente acrescentou que o Irã “ainda tem alguma capacidade de luta, mas não muita” e afirmou que autoridades dos dois países mantiveram contatos diplomáticos nesta terça-feira.
Escalada após novos bombardeios
A declaração foi feita poucas horas depois de uma nova série de ataques aéreos dos Estados Unidos contra alvos no sul do Irã. Os bombardeios ocorreram antes da retomada oficial do bloqueio naval imposto por Washington a portos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz.
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Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a operação busca reduzir capacidades militares iranianas utilizadas em ações contra embarcações comerciais que atravessam o estreito.
Com a medida, navios vinculados ao Irã ficam impedidos de entrar ou sair de seus portos, enquanto o tráfego internacional permanece autorizado.
Quarto dia seguido de ataques
Os bombardeios desta terça representam o quarto dia consecutivo de ataques americanos ao território iraniano. A ofensiva faz parte da estratégia anunciada por Trump para retomar o controle da segurança no Estreito de Ormuz, rota responsável por uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo.
Infraestrutura civil entra no centro do debate
Não é a primeira vez que Trump menciona usinas e pontes como possíveis alvos. Em abril, antes de um cessar-fogo temporário entre Washington e Teerã, o presidente já havia feito ameaças semelhantes.
Na ocasião, especialistas em direito internacional advertiram que ataques deliberados contra infraestrutura civil podem violar o direito internacional humanitário e, dependendo das circunstâncias, ser considerados crimes de guerra.
Recuo sobre taxa de 20%
Mais cedo, Trump desistiu da proposta de cobrar uma taxa equivalente a 20% sobre as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz. Segundo ele, os custos da operação militar serão compensados por meio de acordos comerciais e investimentos firmados entre os Estados Unidos e países do Golfo.
Mesmo com o recuo, o presidente afirmou que o bloqueio naval continuará em vigor.
Tensão aumentou após ataques a petroleiros
A retomada do bloqueio ocorreu após o colapso do cessar-fogo firmado entre os dois países. Na segunda-feira, 13, o governo iraniano reivindicou ataques contra dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, alegando que as embarcações ignoraram ordens para interromper a navegação.
O episódio ampliou as preocupações do mercado internacional com possíveis impactos sobre o fluxo global de petróleo e elevou o risco de uma nova escalada militar no Oriente Médio.


