INTRINCADO E COMPLEXO
Chico César em Salvador: cantor apresenta novo álbum 'FOFO' em formato intimista
Nada 'Fofo': cantor traz canções complexas e inéditas em novo show em Salvador


Quando passou a ser conhecido nacionalmente, nos anos 1990, o compositor paraibano Chico César, 62, foi cortejado por dez entre dez intérpretes femininas. Era tido como um grande letrista, alguém que surgia para renovar a MPB.
Agora, mais de 30 anos depois, e já consolidado como um dos artistas mais criativos do cancioneiro nacional, ele lança FOFO, 11º álbum de carreira, e vem a Salvador para fazer show de lançamento do disco, na semana que vem, mais precisamente de 5 a 7 de junho, na CAIXA Cultural.
Em formato intimista, o músico revisita canções escritas nos anos 1980, entre João Pessoa e São Paulo. São 16 faixas inéditas que marcam um mergulho nas origens criativas do autor de Mama África.
“Embora o show seja em formato voz e violão, isso não significa facilidade. O formato é minimalista, mas não é simples. As canções são difíceis, intrincadas. O público atual está habituado a músicas rápidas e diretas, mas acredito que ainda há espaço para obras mais complexas – especialmente entre quem cresceu acompanhando minha trajetória e entre jovens que buscam novas camadas de escuta”, avisa o artista.
Chico conta que o disco surgiu do desejo de revisitar aquele jovem compositor – dos 16 aos 20 anos de idade –, criador de canções complexas, de melodias intrincadas, violão difícil de executar e letras que incomodam.
“Isso nasceu da intensidade dos shows do Aos Vivos que eu fiz no ano passado. Fiz mais de 70 shows voz e violão pelo Brasil, depois Portugal, Espanha, Suíça. Tenho muita intimidade com esse formato e pensei: acho que quero gravar aquelas canções tão complexas”, revela Chico.
“As canções da minha adolescência – desse Cezinha que tinha acabado de chegar de Catolé do Rocha e vivia em João Pessoa – não são nada fofas. São intrincadas, inquietas, tristes às vezes, revoltadas”, alinhava.
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Já no YouTube
Neste novo trabalho autoral gravado em estúdio, Chico decidiu retomar composições feitas no início da carreira, durante a passagem pela banda Jaguaribe Carne, criada no período da faculdade de jornalismo em João Pessoa.
“Os ouvidos da nossa época estão habituados a discursos diretos. A prática perceptiva foi subutilizada. As coisas são rápidas, e essas canções não são assim. Requerem atenção”, avisa Chico.
Em FOFO, treze faixas são assinadas somente por Chico César, e três, em parceria. Duas com os cantores paraibanos Pedro Osmar e Paulo Ró, ambos integrantes do Jaguaribe Carne, e a outra inspirada na obra da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.
Sobre a parceria com a autora africana, Chico reconhece que, na verdade, é mais uma citação do que propriamente uma parceria. “Eu estava em Paris lendo Americanah [livro de Adichie], que eu adoro. Há uma passagem em que o namorado tenta acalmar a personagem, e ela diz: ‘você é tão fofo’. Ele responde: ‘eu não quero ser fofo, eu quero ser a porra do amor da sua vida’. Parei imediatamente a leitura, corri pro violão e pensei: isso é música. Fiz a canção. Essa citação define a música e me encaminha para o disco”.
Chico diz ainda que não sabe como o público vai receber suas canções numa época em que a música precisa comunicar em 20 segundos. “Mas há espaço. Meu público cresceu comigo e tem gente nova buscando coisas mais complexas. É com esses que eu conto”.
E com relação à Bahia, o compositor paraibano confessa que tem um amor imenso pelo público daqui. “Acho os artistas muito criativos, livres. Admiro a Bahia por dois aspectos: a Bahia sertão, de Elomar e Xangai, que me inspira desde menino, e a Bahia de Jorge Amado, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Glauber Rocha”, sintetiza.
Já disponível no YouTube e, em breve, nas plataformas digitais, FOFO chega em formato voz e violão, retomando a proposta de Aos Vivos (1995), trabalho que marcou a estreia do artista e o consolidou como um dos nomes de destaque da música popular brasileira.
FOFO, show com Chico César / CAIXA Cultural - Rua Carlos Gomes, 57 / 5, 6 e 7 de junho / Sexta-feira, às 20h, Sábado, 17h e 20h, Domingo, 16h e 19h / R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)


