GRANDES ATRAÇÕES
Festival gratuito transforma Salvador na capital do jazz
Salvador Jazz retorna ao Rio Vermelho com shows gratuitos e oficinas musicais


Reunindo grandes nomes do jazz no Brasil, a 7ª edição do Festival Salvador Jazz retorna ao Rio Vermelho a partir desta quarta-feira, 27, até o domingo, 31, com uma line-up diversa e workshops de formação musical.
No palco, atrações como Sandra Sá, Amaro Freitas, A Cor do Som, Camila Rocha, Aguidavi do Jêje, Skanibais e Grupo Garagem, em shows gratuitos.
O tradicional Largo da Mariquita, conhecido por abrigar as noites boêmias da capital baiana, deverá receber um público estimado em mais de 15 mil pessoas durante os dois dias de shows (sábado e domingo, 30 e 31), antecedida por workshops de formação e capacitação musical (hoje, amanhã e sexta-feira, 29).
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Representatividade
Enquanto cidade mais negra fora da África, Salvador pulsa na história da sua formação as inúmeras contribuições das culturas de matrizes africanas – e com o jazz não é diferente.
Gênero musical que surgiu no final do século XIX e início do século XX nos EUA, mais especificamente em Nova Orleans, tem como berço uma espécie de “refúgio” da população afro-americana diante do horror da escravidão e uma maneira de expandir e fortalecer a sua cultura.
Ao ser sede de um dos maiores festivais de jazz do nordeste e do Brasil, Salvador se torna um polo de afirmação política, social e cultural da população negra.
Assim acredita um dos curadores do evento, o músico Fabrício Mota. “Realizar um festival de jazz em Salvador, que é a cidade mais negra fora do continente africano, é um ato de responsabilidade social, de reverência e de reconhecimento”.
Fabrício afirma que a celebração do jazz na capital baiana é uma maneira de construir uma conexão da cidade com outros locais do mundo.
“Quando a gente traz a música instrumental, vestida, encantada pelo segmento do jazz, estamos fortalecendo uma história da população negra, que conecta Salvador com outras cidade do mundo, como Nova Orleans e cidades do continente africano, mostrando que a história não é só local, mas global”, reafirma Mota.
Com 50% da line-up formada pela participação feminina e 70% por artistas negros, Fabrício reforça que essa é uma maneira de colocar em prática o que ele chama de “democratização dos espaços”.
“Não podemos fazer festivais cujo centro, o fundamento, o conceito central está na música negra e essa grade não representar essa majoritariedade. Esse é um exercício que fazemos em todas as edições do Salvador Jazz, de garantir o exercício da equidade e da responsabilidade social, também”, garante.
Atrações de primeira
Sete shows gratuitos irão embalar os dias 30 e 31 de maio, com nomes como Sandra Sá, dona de uma voz única e intérprete de sucessos como Olhos Coloridos, Joga Fora e Retratos Coloridos, entre outros.
Com uma mistura de jazz, soul, samba e MPB, a artista promete extasiar o público com canções de resistência, valorização da cultura negra e ritmos da diáspora africana.
Já o pernambucano Amaro Freitas, aterrissa na capital baiana para se apresentar pela segunda vez no Festival Salvador Jazz, com um repertório guiado pelo piano, que se transforma em território ancestral, levando melodias marcantes que se entrelaçam com a diáspora africana.
Mais recente premiado com o reconhecimento internacional Paul Acket (2026) – primeiro brasileiro a emplacar a categoria –, Amaro se sente extremamente feliz em retornar à primeira capital do Brasil.
“Eu me considero um homem de muita sorte, tenho tido a oportunidade de girar o mundo e morar em Recife. E sabemos da importância cultural que é o estado de Pernambuco e o estado da Bahia e, para mim, voltar a Salvador é como se fosse celebrar a minha própria existência”, celebra o admirado pianista.
Com uma história que atravessa gerações e faz o coração dos fãs baterem mais rápido, a banda A Cor do Som se apresenta no Salvador Jazz, com sua sonoridade única – e extremamente baiana.
“Com certeza, o público pode esperar um show forte, porque quando estamos no palco, tudo vem à tona, toda a nossa história. Lógico que tocaremos os clássicos, mas também aparecerão novidades para a galera”, afirma o baixista Dadi Carvalho.
Armandinho Macêdo (guitarra), Mú Carvalho (teclados), Ary Dias (percussão) e Gustavo Schroeter (bateria) completam a formação clássica que segue na ativa e vai se apresentar no Rio Vermelho.
Outras atrações são a contrabaixista e compositora Camila Rocha, vencedora do prêmio “BDMG instrumental”; o grupo Aguidavi do Jêje, que nasceu no quintal do Terreiro do Bogum e é liderado pelo mestre Luizinho do Jêje; a banda Skanibais, com seu repertório de clássicos do pop e da MPB em roupagem instrumental de jazz, ska e reggae e o mítico grupo Garagem, que há quatro décadas é possivelmente, a maior representação do jazz na Bahia.
Além das apresentações, o Festival Salvador Jazz também abriga oficinas criativas com grandes nomes da música, como o bluesman Eric Assmar, o baterista Tedy Santana (presidente do Centro Cultural Vai Chegar (Engenho Velho da Federação) e a professora Marília Sodré (do grupo Sambaiana), que trará uma visão objetiva do ‘processo fonográfico’, desde a escolha do repertório até a finalização da masterização.
Com artistas vindos de Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, o festival potencializa um intercâmbio artístico musical. A expectativa para essa edição, segundo o curador Fabrício Mota, está altíssima.
“Para o Salvador Jazz, a expectativa é sempre alta, é ocupar a rua, é um convite para as pessoas se reencontrarem com artistas já estabelecidos ou encontrarem os seus músicos favoritos. E o nosso slogan é misturar o jazz com várias outras sonoridades, o que torna o festival tão potente e diverso”, finaliza o curador.
O Festival Salvador Jazz é apresentado pelo Ministério da Cultura e Banco do Nordeste, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com produção da Maré Produções Culturais e realização do Ministério da Cultura e Governo Federal.
Festival Salvador Jazz
- Quando: a partir de quarta-feira, 27, até domingo, 31
- Hoje (27), amanhã (28) e sexta-feira (29): oficinas com Eric Assmar (hoje), Tedy Santana (amanhã) e Marília Sodré (29)
- Shows de sábado: Camila Rocha (18h), Amaro Freitas (19h30), Skanibais (20h30) e A Cor do Som (21h50)
- Shows de domingo: Aguidavi do Jêje (17h), Grupo Garagem (18h30) e Sandra Sá (19h50) /
- Onde: Largo da Mariquita (Rio Vermelho)
- Gratuito
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.


