MÚSICA NORDESTINA
Lendas do forró se unem em projeto gravado no Rio São Francisco
Audiovisual reúne Flávio José, Targino Gondim e Santanna em clássicos que atravessam gerações e celebram a força do forró nordestino


Às margens do Rio São Francisco, sanfonas e clássicos que atravessam gerações acompanham Flávio José, Targino Gondim e Santanna, O Cantador, no audiovisual 'Três Nordestinos – Um por Todos e Todos pelo Forró'.
Gravado na Ilha do Rodeadouro, em Juazeiro, o projeto celebra a tradição do forró nordestino em um repertório que revisita canções marcantes do gênero e reafirma sua importância para a música brasileira.
A ideia do encontro partiu de Targino Gondim e rapidamente ganhou adesão dos outros artistas. “Pra mim representa a união de três artistas em nome da autêntica música nordestina”, afirma Flávio José.
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O repertório, escolhido coletivamente, reúne músicas que acompanham a trajetória dos três cantores e dialogam diretamente com a memória afetiva do público e com a cultura popular nordestina.
Entre as 13 faixas do audiovisual, estão clássicos como Petrolina Juazeiro, Numa Sala de Reboco, Qui Nem Jiló, Respeita Januário e Eu Só Quero um Xodó, além de Esperando na Janela, composição de Targino que se tornou um dos maiores sucessos do forró contemporâneo, na voz de Gilberto Gil.
Para o sanfoneiro, revisitar a música no contexto do projeto reforça a relevância da canção para a história recente do gênero.
“Esperando na Janela acabou tornando-se um símbolo do forró, marcou uma geração inteira, até hoje”, comenta o cantor. Targino lançou a música em 1999, e em 2001 ela foi gravada por Gil para a trilha sonora do filme Eu, Tu, Eles (2001). No mesmo ano, venceu o Grammy Latino como ‘Melhor Música Brasileira’.
“O primeiro forró a ganhar um Grammy Latino foi Esperando na Janela”, relembra o artista.
A força de um gênero
De modo geral, a presença de músicas de artistas nordestinos, como o Trio Nordestino e Luiz Gonzaga são fundamentais para o projeto.
Santanna, O Cantador, que conviveu com o Rei do Baião e chegou a fazer abertura de shows do artista nos anos 1980, descreve a experiência como um reencontro afetivo. “Cantar as canções dele é um motivo de júbilo”, diz.
Além do repertório, a paisagem da Ilha do Rodeadouro se integra à proposta do audiovisual. “A ilha trouxe toda beleza natural, a história do Rio São Francisco, a importância desse rio para a nossa cultura”, afirma Flávio.
Para os artistas, iniciativas como essa ajudam a manter viva uma herança cultural que, embora popular, ainda enfrenta disputas por espaço no cenário musical brasileiro.
Dessa forma, mais do que um encontro entre artistas consagrados, Três Nordestinos é também um registro de valorização do forró tradicional e de suas referências históricas.
Ao reunir repertório, paisagem e trajetórias marcadas pela relação com a música nordestina, o audiovisual reafirma a força de um gênero que segue atravessando gerações e ocupando lugar central na cultura brasileira.
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.


