ILUMINADOS E INSPIRADOS
Mombojó faz show em Salvador nesta sexta com lançamento do álbum Solar
Banda pernambucana celebra 25 anos de carreira


Não é segredo: as bandas e artistas de Pernambuco, em geral, tem público cativo em Salvador. Desde Alceu Valença e Geraldo Azevedo, passando por Chico Science & Nação Zumbi, Eddie, Cordel do Fogo Encantado e outras bandas do mangue beat, o pessoal da terra do frevo é garantia de casa cheia por aqui. E com a banda recifense Mombojó não é diferente. Daí que é fácil cravar: sexta-feira vai ser mais uma noite gloriosa de encontro musical entre pernambucanos e baianos na Green House.
No show, a Mombojó vem lançar seu novo álbum, Solar, o primeiro de inéditas desde Deságua (2020). Lançado em abril último, Solar é um inventário de boas vibrações em forma de oito canções iluminadas por arranjos que privilegiam a leveza em melodias doces como o mel de uruçu cantado por Alceu.
O som é o Mombojó que os fãs já conhecem: aquele encontro suave entre indie tropical, samba e easy-listening com sotaque recifense, bom de ouvir, mas também de dançar – seja juntinho ou sozinho.
Abrihantam o álbum ainda participações de artistas como a parceira já habitual Laetitia Sadier (cantora da banda Stereolab), o pianista francês Anthony Malka, o baterista carioca Domenico Lancellotti, o tecladista francês Hervé Salters, a cantora carioca Letrux, o MC paulistano Lucas Afonso, o trombonista pernambucano Nailson Vieira, o educador pernambucano Queops Negão e a cantora recifense Sofia Freire.
“Realmente, o Solar tem uma atmosfera muito, digamos, solarizada mesmo. Quem conhece a obra do Mombojó vê que em vários discos anteriormente, em vários momentos da banda, a gente alternou nossa abordagem artística em momentos solares e momentos, digamos, invernais, com músicas mais introspectivas, experimentais. E o Solar, veio talvez com uma característica muito parecida, por exemplo, com Nada de Novo (2004, álbum de estreia da banda)”, observa o guitarrista Marcelo Machado.
Gravado ao longo dos últimos três anos, Solar veio sendo maturado de forma estratégica pela banda, que encaixou um álbum de releituras de Alceu Valença, Carne de Caju, lançado em 2024, justamente para dar tempo de amadurecer as composições e arranjos do disco novo.
“O Deságua saiu em 2020, e aí como não podíamos viajar, tivemos a oportunidade de fazer alguns lançamentos meio fora da agenda, que é o caso do nosso disco What Will You Grow Now (2023), que é da nossa banda conjunta com a Laetitia Sadier, Modern Cosmology. Mas não circulamos com ele, obviamente, pela complexidade da Laetitia morar em Londres”, relata Marcelo.
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Da Carne de Caju ao Solar
Com o fim do isolamento da pandemia em 2023 e a volta das turnês, a banda já se preparava para gravar um novo álbum de inéditas, mas o grupo sentiu que ainda não era a hora. “Sabiamente, Felipe S., nosso cantor, deu uma ideia de, ‘poxa galera, e se a gente aguardasse um pouco’, até porque a gente já estava gravando algumas coisas do Solar nessa época, ‘se a gente fizesse algo mais, digamos assim, estratégico, e ao mesmo tempo prazeroso’. Ele sugeriu que a gente fizesse uma releitura de algum artista já consagrado e que a gente curtisse, era um movimento que muitos artistas estavam fazendo na época”, conta Marcelo.
Daí veio o já citado Carne de Caju, só com músicas de Alceu Valença. “Foi muito intrigante. Grande parte da banda fez, ‘poxa, será?’ Mas ao mesmo tempo fazia muito sentido, por ser um cara muito da nossa terra e já impregnado nas nossas veias, com repertório muito pré-conhecido, e aí ficou fácil pra gente simplesmente vestir as roupas de Alceu com a roupagem Mombojó, e aí foi um período muito legal, que a gente conseguiu circular. Digamos que o algoritmo, o Alceu Valença, nos fez chegar em outras bolhas de atenção, falando dessa forma nesse mundo mais digital”, diz o músico.
Carne de Caju ganhou o Prêmio da Música Brasileira como Melhor Grupo de Pop/Rock no ano passado e a turnê foi um sucesso, levando a banda a fazer o circuito da Caixa Cultural pelo Brasil. Só em Salvador, foram quatro noites com lotação esgotada na sede da Rua Carlos Gomes.
“E aí sim, depois dessa circulação, foi que o Solar veio tomar forma, ele maturou esse tempo todo. Digamos que desde 2023 que ele vem maturando. E aí quando a gente sentiu que era a hora mesmo, as músicas estavam bem concebidas”, afirma Marcelo.
Salvador deu ‘match’
Além de Marcelo na guitarra e o já citado Felipe S. no vocal, o Mombojó tem na sua formação Vicente Machado (bateria), Chiquinho Moreira (teclados e sintetizador) e Missionário José (baixo e sintetizador). Marcelo é o único membro que não mora em Recife, residindo hoje no sul da Bahia – local para o qual sonha levar a banda para uma apresentação algum dia.
“Eu fico muito feliz quando tem show em Salvador, e gostaria, inclusive faço até um convite aqui aos leitores e contratantes, que se tivesse algum show aqui na região de Ilhéus, Itabuna e Itacaré, que é onde eu moro, seria maravilhoso a gente poder conversar sobre isso”, apela Marcelo.
Ele e os outros membros da banda tem grandes lembranças dos shows na capital baiana, então é sempre um prazer fazer show por aqui: “Salvador sempre foi uma grata surpresa pra a gente, assim, acho que desde os primeiros, com o Nada de Novo, nas primeiras circulações em meados de 2004, 2005, eu me lembro que sempre senti uma recepção assim, muito calorosa. Me lembro um episódio em que a gente tava pra entrar no palco e existia um frisson tão grande que as pessoas tavam batendo no chão do palco, sabe, tipo, da plateia, dava pra acessar o chão do palco, e eles batiam assim: ‘Mombojó! Mombojó!’ A gente ficou até meio, nossa, velho, que onda, né?”, ri Marcelo.
Então é isso, sexta-feira é dia de bater no chão do palco de novo pra chamar os meninos pra tocar. Eles já estão amarradões, só esperando o momento de subir no palco: “Temos sentido uma boa vibe do público com as músicas novas, nos últimos shows, mesmo com pouco tempo de disco lançado, muita gente já canta as músicas novas. Acho que deu match. Estamos bem felizes com isso e animados pra ver como vai ser em Salvador”, conclui o baterista Vicente Machado.
MOMBOJÓ 25 ANOS – Lançamento do álbum “Solar” / Abertura: DJ Um Cara Massa / Sexta-feira (14), 21h /The Green House (Rua Conselheiro Pedro Luiz, 369, Rio Vermelho) / Ingressos: de R$ 60 a R$ 120 / Vendas: Sympla


