EDITORIAL
A arte de lidar com dinheiro
Por que o ensino sobre finanças na educação básica é urgente para o Brasil


Educar para a vida também significa ensinar a juventude a lidar com o dinheiro de forma consciente, ética e sustentável. Por isso é bem-vindo o projeto de lei, já aprovado pelo Senado Federal, que torna a educação financeira parte obrigatória do currículo dos ensinos fundamental e médio.
A Casa legislativa aprovou a proposta com ressalvas, o que significa que retornará o projeto para a Câmara dos Deputados, antes de seguir para sanção presidencial. A decisão chega em momento adequado: o Brasil enfrenta o maior índice de endividamento da série histórica, com 80% das famílias comprometidas.
O cenário expõe uma curiosa e problemática contradição, pois a economia aquecida gera consumo, porém juros altos afetam todas as faixas de renda, levando à inadimplência. A proposta não cria uma nova disciplina, mas integra o conteúdo ao currículo já existente, permitindo a cada escola adaptar sua metodologia conforme o contexto social.
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A orientação é para assimilar a educação financeira em proposta multidisciplinar, articulada com matemática, história, geografia e cidadania, entre outros campos do saber. Alunas e alunos serão capacitadas a compreender a dinâmica de impostos, previdência e seguros, assim terão condições de interpretar com embasamento.
Embora a Base Nacional Comum Curricular já mencione o tema desde 2017, sua implementação ainda hoje, além de irregular, não conta com um ordenamento pedagógico. Ao inserir o tema na Lei de Diretrizes e Bases, o Congresso dá um passo importante para transformar orientação em política pública sob tutela do Estado.
Será necessário investir na formação de professores, produzir materiais adequados e evitar a redução a slogans como “gastar menos” ou “poupar mais”. Educação financeira não é solução mágica, mas pode transformar-se em ferramenta de autonomia e libertação, individual e coletiva.
Num país marcado pela banalização das desigualdades, o entendimento sobre movimentação financeira pode ajudar a inclusão social. Ensinar jovens a compreender a gira do dinheiro é ensinar a entender o valor das escolhas – impactando no futuro de cada qual e do país.


