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OPINIÃO

Ciência e tecnologia e indústria

Edivaldo M. Boaventura*
Por Edivaldo M. Boaventura*

Por que Albert Einstein conseguiu fazer tanta coisa ao mesmo tempo? O famoso físico americano Michio Kaku responde que o seu laboratório era o lápis. Fosse aonde fosse, de carro, avião ou barco, Einstein levava esse portátil laboratório. De igual modo, o professor Kaku trabalha com a mente. Tem sempre equações a dançar, constantemente, no seu cérebro. E, assim, possui tempo para tudo. Leva horas a manipular equações sobre a Relatividade e Física Quântica, no City College University of New York. Com livros publicados em todo o mundo, é igualmente um disseminador do conhecimento em programas de televisão e rádio, confessa em recente entrevista ao Expresso de Lisboa (26 fev. 2015).

Como físico, quer que o bolo de bens e serviços aumente de tamanho, pois a ciência é o motor da prosperidade. Isso só é possível com mais indústrias. A Física Quântica, para começar, fez duas inovações fundamentais: transístores e laser. Para Kaku, estamos a passar de um capitalismo baseado na transação de mercadorias para um capitalismo de bens intelectuais. Na economia de trocas de mercadorias, os preços ficam cada vez mais a baixar. Comemos no café da manhã o que o rei da Inglaterra não imaginaria ter há 100 anos. Mas na economia de bens intelectuais o seu preparo é cada vez mais precioso e muitas nações não percebem. Afirma: "não podemos produzir mentes em massa, para criar uma mente é preciso imenso trabalho. Temos de ir para a universidade, apurar e melhorar".

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Aplicando a ciência para aumentar o bolo com novas indústrias e criação de empregos, há redução de impostos para os inovadores e empreendedores. Os políticos fazem o que sabem, isto é, criam impostos que não agregam valor, apenas gerem a riqueza. Não há dúvida que o setor científico cria riqueza, mas os políticos parecem desconhecer. É o que parece acontecer com a Comunidade Europeia, que tem baixo crescimento econômico. Muitas inovações surgem nos Estados Unidos. Não é uma questão genética. É porque a cultura americana estimula o empreendedorismo, promove o risco, perdoa o erro e reconhece o peso da ciência no presente e no futuro.

Com o capital intelectual - experiência, conhecimento, análise, inovação e criatividade - teremos que oferecer algo que a inteligência artificial é incapaz. Assim os blocos econômicos se preparam para a mudança. A Rússia, por exemplo, estava a construir um Vale do Silício nos arredores de Moscou, mas todos nós sabemos que o problema da Rússia é ter a economia baseada no petróleo. Isso é perigoso porque o seu preço varia e tende a baixar devido à tecnologia.

Uma situação totalmente diferente é configurada com caso chinês. O professor Kaku participa de um programa de ensino chamado Cuspea, pelo qual os melhores físicos da China são enviados para estudar nas mais conceituadas universidades dos Estados Unidos. A China sabe perfeitamente que ciência e tecnologia são a chave do futuro. Em suma, a ciência, impulsionando a indústria com empreendedorismo inovador, é um fator de crescimento econômico.

*Edivaldo M. Boaventura l Educador, professor emérito e membro da Academia de Letras da Bahia l [email protected] l ESCREVE NA SEXTA-FEIRA, QUINZENALMENTE

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