OPINIÃO
Democracia ou abismo
Editorial de A TARDE analisa a importância do exercício da cidadania frente ao extremismo, ao risco de retrocessos sociais e às ameaças à soberania


O caminho da urna leva hoje ao futuro do país, transcendendo a eleição do presidente da República, pois trata-se de escolher entre a democracia e o abismo.
Cada pressionada no botão do voto vai carregar um pedacinho de Brasil, desenhando o mosaico de desejos relacionados aos fundamentos do nosso convívio.
Diante da configuração do Congresso dominado por extremistas da direita mais raivosa, resta apostar na última chance para conter o autoritarismo à espreita.
Quem viveu, lembra; os mais jovens podem buscar em fontes confiáveis dados seguros sobre os horrores da tortura, do sequestro, das prisões legalizadas.
É a última peça do quebra-cabeças terrivelmente absurdo de um país ameaçado de render-se a um miliciano disposto a comandar o maior retrocesso da história, a partir de sucessão de mentiras disparadas por inclinação hereditária.
Há toda uma influência maligna produzindo sensação de ódio, o principal mobile do fascismo; no entanto, a razão existe para conter os impulsos e os ímpetos.
Indecisas e indecisos podem escolher pensar, acionando a capacidade de raciocínio para perceber a importância de frear agora a estupidez bolsonarista.
Imerso em corrupção, o candidato sombrio vai de mau a cruel. A cidadã e o cidadão livres miram-se no espelho de si próprios, pois ficarão sob impacto da lembrança do voto de hoje, quando o Brasil vergar para os EUA.
Trata-se de política negativa: é preciso rejeitar o projeto de extrair direitos arduamente conquistados; é preciso defender nossa saúde, universidades e creches.
A decisão entre mudar para melhor ou mudar para pior vai mobilizar a espiral dialética de retornar ao próprio eleitor o efeito do voto, como um bumerangue.
Depois de tanta luta, tornar-se cúmplice de escumalha mafiosa equivale a assinar a rendição e tentar escapar em vão do inferno.