OPINIÃO
Editorial - Alfabetizar para libertar
Dia mundial da alfabetização é celebrado nesta quinta-feira, 8 de setembro


O domínio das palavras e frases tem sido o acesso mais firme das pessoas ao conhecimento, graças à alfabetização, cujo dia mundial é celebrado nesta quinta em todo o mundo civilizado.
Instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a data tem por objetivo lembrar aos governos seu dever de investir no aprendizado além de estimular a cidadania e o magistério a exigirem o cumprimento deste direito fundamental.
Não basta saber ler e escrever: a compreensão de onde deriva a capacidade de interpretar precisa compor este conjunto de habilidades com objetivo de libertar as pessoas por assimilarem informações confiáveis, levando-as a entender os mecanismos de opressão para poder vencê-los.
Alcança a dimensão politica a arte de pensar a partir de textos, revelando seus contextos, daí a importância das referências de mestres como Paulo Freire e Cosme de Farias.
Fora aquele numeroso grupo competente apenas para juntar sílabas, são 11 milhões de brasileiros de 15 anos acima na condição inglória de ignorar as mensagens escritas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) mais recente.
A dificuldade de leitura e redação, associada ao crescimento do hábito de absorção de conteúdos por meios áudio-visuais, muito utilizados nas novas tecnologias, pode retardar o desenvolvimento de um país, porque seus cidadãos ficam expostos ao costume da debilidade na elaboração do pensamento.
Ao contrário, uma nação letrada teria maiores oportunidades de decidir seus rumos, escapando de governos com propostas totalitárias, além de discernir por escolhas baseadas em boas práticas, como o antirracismo, o combate à misoginia e LGBTQIA+fobia, produzindo ânimo para lutar por uma sociedade menos desigual.
No âmbito do indivíduo, o mercado de trabalho pode oferecer melhores chances de remuneração, enquanto em sentido contrário, vai se fechar em opções brutas de recrutamento de mão de obra para serviços de menor valor econômico.