OPINI
Editorial - Arma não é brinquedo
Não é raro encontrar grupos de meninos e também meninas a mirar seus artefatos uns nos outros


A escalada da violência nas escolas do Brasil é resultado de uma série de atitudes permissivas ou incentivadoras da inclinação para o conflito, tendo como emulador a sandice de presentear crianças com arma de brinquedo.
A hipótese converge olhares de especialistas na área de educação, mas não é raro encontrar grupos de meninos e também meninas a mirar seus artefatos uns nos outros, em treinamento precoce para possíveis carnificinas futuras.
Hoje, 15 de abril, é a data anual de apoio ao desarmamento infantil, combatendo-se a venda e compra de pistolas, revólveres e até fuzis de plástico, usando-se de espoleta para simular tiros com maior verossimilhança.
A pesquisa científica contemporânea vem fazendo a sua parte, ao alertar para a gravidade do descalabro, como é o caso mais recente do Núcleo de Cultura de Pesquisas do Brincar da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo.
A especialista Maria Ângela Barbato Carneiro aponta o risco de o mimo descabido atualizar a potência consolidada para situações conflituosas, pela própria natureza humana, agravado o problema em brigas familiares.
Observa-se com frequência o disparate, apesar de sinalizar desmesura devido à inadequação da infância para uma postura belicosa, dada a necessária inocência desta faixa etária em busca de iniciação para o convívio pacífico.
É de pasmar a aleivosia de pais, mães e responsáveis, entre os quais algumas de formação em pedagogia, ao ofertar réplicas barulhentas e dotadas de luzes em modo pisca-pisca, mecanismos capazes de produzir fascínio e entusiasmo.
Dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sobre o direito à brincadeira, sem precisar advertir para o risco da doutrinação, no caso das terríveis geringonças a repetir no formato a máquina de morte dos adultos.
Acresce a gravidade do paradoxo em Salvador o fato de lei municipal número 9.188, de 2003, proibir o comércio destas engenhocas, cujo efeito é o de semear atiradores novatos, contribuindo para formação de uma juventude hostil.