OPINIÃO
Editorial - O projeto do caos
Atenção em bairros de pessoas com rendimento de R$ 5 mil acima contrastam com abandono das regiões de pobreza


Prestam-se os dados coletados pela primeira pesquisa AtlasIntel/A TARDE sobre políticas públicas municipais tão-somente para cumprir a finalidade do Decano da Imprensa no sentido de apontar as necessidades da população, nada além.
Deveria a equipe de trabalho da prefeitura prestar a devida atenção nas revelações contidas na sondagem, em elevada reprovação de 15 dos 16 itens abordados, exceto se há intencionalidade nos planos de efeito excludente.
Não apenas revelam-se desiludidos os cidadãos, como sofrem antecipadamente com o pessimismo, antevendo dias piores, dado o sofrimento esperado da trôpega gestão.
A percepção de um projeto de caos, entidade representativa do abismo sem chão, em treva absoluta, pode relacionar-se ao exagero de custo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), onerando empregadores e cidadãos.
Ademais, os cuidados com bairros de pessoas com rendimento de R$ 5 mil acima contrastam com o abandono das regiões de pobreza, formando guetos.
Problemas herdados do antecessor e mentor desmancham a tênue imagem do prefeito, em seu pueril esforço de maquiar a cidade com construção de pracinhas, execução de operações tapa-buracos e outras nuvens passageiras.
No único item aplaudido, a iluminação pública, as luzes estão acesas nos bairros de CEPs valorizados, reforçando a hipótese de voltar-se o novel alcaide para atender preferencialmente aqueles superdotados das contas bancárias gordas.
Uma curva bem definida da pesquisa mostra uma cadência entrosada entre as melhores avaliações e o maior hábito de transferências de valores via pix, enquanto os extratos de renda até R$ 3 mil manifestam-se injustiçados.
Restaria ao prefeito de sobrenome nobre e plural calçar as conhecidas sandálias da humildade e mudar de trilha, sob pena de abortar precocemente sua carreira política à sombra do guia ao subir íngreme ladeira de tantas lacunas a preencher.