OPINIÃO
Editorial - Punição ao destempero
TSE proibiu uso das imagens em Londres e Washington como campanha

O comportamento digno e compatível com o cargo de presidente não permite o uso de dinheiro público para custeio de campanha, como bem assinalou o Tribunal Superior Eleitoral em alvissareira ligeireza, ao proibir uso das imagens em Londres e Washington, onde esteve o chefe de Estado.
O despertar das instituições da República, como deu exemplo a corte, é a chance de o país livrar-se da incômoda treva onde se meteu com desmazelo constante do mandatário ao afrontar leis e Constituição.
Acresce ao despautério o fato de enxovalhar momento de luto do Reino Unido, em meio ao funeral da Rainha Elizabeth II, transformando em entusiasmado comício o pesar esperado de um ser humano minimamente respeitável.
Não poderia chamar-se “molequeira” o ato seguinte, ao dirigir-se à Assembleia das Nações Unidas, com a mesma dificuldade de controlar seus ímpetos e impulsos, mas quem não o segue teria de interpretar como absurdo.
Ninguém, exceto psiquiatras dedicados ao estudo do comportamento humano, consideraria a repetição destes gestos como psicopatia, doença mental impenetrável a tratamento.
Somente um profissional autorizado pelos conselhos e diplomas teria como certificar indícios de falta de empatia – colocar-se no lugar do outro –, bem como vaidade extrema e a dificuldade, esta mais evidente, de suportar o contraditório.
A compulsividade, atributo capaz de alegrar mitômanos admiradores, viria a associar-se à falta de remorso por ser imune à culpa, além de distúrbio psicologicamente atribuído à forte paranoia, como se diz no senso comum.
É difícil descartar o fato de o líder das pesquisas ter chances de decidir o pleito já no primeiro turno, neste caso, o plano declarado de um golpe de Estado, alegando fraude na votação, viria a ampliar o estresse do segundo colocado.
Nesta hipótese, 27 senadores, 513 deputados federais e mil estaduais tenderiam a alinhar-se em defesa da democracia, reduzindo as chances de o candidato derrotado tentar, ao seu jeito destemperado, reverter o resultado.