OPINIÃO
Escolas contra o racismo
Confira o editorial do jornal A TARDE desta segunda-feira


A Bahia comemora um vice: tiramos 2º lugar nacional em políticas de educação antirracista, segundo o Diagnóstico Equidade 2026 do Ministério da Educação. O título, analisado em si, já seria suficiente para uma grande alegria, acrescida pelo salto da 18ª posição de rebaixamento para o degrau número dois deste podium da cidadania.
Os mentes-toscas poderiam refutar o avanço, se a estatística amparasse uma marmota narrativa, no entanto, as práticas do cotidiano servem de tira-teima. Uma dedução, tendo como corpus, os mil endereços da rede pública, por certo, seria mais difícil, enquanto o método indutivo pode indicar alta probabilidade.
Para resultado confiável, basta uma visita ao Colégio Estadual Carlos Marighella, onde rodas de conversa seguem uma máxima do mártir: “só perde quem desiste”. Neste ponto de educação como razão crítica, estudantes leem e debatem obras, entre outras, “Torto Arado”, “O Avesso da Pele” e “Querido Estudante Negro”.
O livro, a poderosa arma temida pela caterva, ajuda jovens a reconhecer suas identidades, ampliar repertórios e compreender a destrutiva realidade racial. No Marighella, atividades como canto afro, capoeira, percussão, Semana dos Povos Originários e Julho das Pretas mostram a educação antirracista como prática viva.
O combate ao racismo nas escolas decorre de ações estruturantes: formação continuada de professores, currículo contextualizado e distribuição de conteúdos. Campanhas de autodeclaração e ampliação das escolas em tempo integral produzem a sensação de reduzir injustiça derivada da escravidão.
O estado também lidera a Educação Escolar Quilombola, com 43 espaços dedicados a políticas de territórios, saberes e identidades das comunidades. A marcha da juventude rumo a novas auroras se revela nas vozes dos estudantes, como Miquéias de Almeida, 17 anos, ao reconhecer violências antes invisíveis. Aprende-se a andar nesta trilha, tendo como guia conceito decisivo: a luta é contra o racismo, incluindo também estudantes brancos, solidários à gente de Zumbi.