OPINIÃO
Incivilidade e saneamento

A situação geral do meio ambiente, em especial do saneamento básico de um país, estado, município ou cidade, reflete o grau de civilização de seu povo e, em especial, dos seus dirigentes. O município em particular, dado que é de sua exclusiva competência constitucional proporcionar um decente e civilizado sistema de saneamento. Por isso, os prefeitos devem ser avaliados pela importância que dispensam ao saneamento. E este, por sua vez, deve ser classificado pelo que apresente de saudável ao meio ambiente. Cidade suja não é apenas aquela que cuida mal dos resíduos sólidos. É também aquela que descuida de sua rede hidrográfica e cobertura vegetal e assim estará dando um atestado de incivilidade indesculpável. O estado geral da rede hidrográfica, cobertura florística e a limpeza da cidade denotam o grau de civilidade de seus dirigentes, em especial do próprio prefeito e de seu povo. Prefeito civilizado cuida do meio ambiente e, particularmente, do saneamento, tal como deve cuidar do asseio de sua própria casa.
Cidade civilizada aparenta uma situação ambiental saudável, com sua cobertura florística e sua rede hidrográfica cuidadas de forma, rigorosamente, profissional. Ainda que se venha a encontrar uma situação caótica, tem-se a obrigação de, no mínimo, se partir para um planejamento geral, de longo prazo, com metas claras e precisas para superação do atraso da degradação. No mundo, dito civilizado, não se envelopam rios e nem se canalizam suas margens, mas, sim, se cria um cordão sanitário ao longo delas, ajardinando-as, ao tempo em que se evita erosão. Ao final, se poderão ver águas cristalinas e peixes desfilando em cardumes! Nesse devido momento, chegar-se-ia ao grau de civilidade desejável.
No Brasil, editou-se um amontoado de leis relativas ao meio ambiente e uma lei específica para o saneamento. E o legislador, ainda não satisfeito, editou lei diferenciada para o lixo. Todas contendo diretrizes, prazos e sanções para que os prefeitos saíssem de sua letargia e tomassem as adequadas providências. Não por que pudessem acordar repentinamente conscientizados, mas, sim, pelo receio de punições financeiras e políticas. Entretanto, a primeira atitude foi pressionar o Congresso e o Executivo para empurrarem com a barriga os prazos para as providências que a legislação e a civilidade exigem. É lamentável que, a despeito de todos os esforços traduzidos em lei, as prefeituras não se mobilizassem sequer para dotar sua estrutura administrativa de uma entidade com grau de importância compatível com a urgente superação da sujeira e incivilidade, traduzidas pela degradação ambiental que chafurda e enlameia as cidades e nos envergonha. Ainda que os dirigentes não estejam nem aí para essa situação, não têm o direito de nos tornar cúmplices. Assim, só nos resta bradar contra mais essas mazelas, pois já se está cansado de alardear contra a corrupção desenfreada e incompetência generalizada, que se vê por aí e, ainda, campearem em outras instâncias cada dia mais mordomias e privilégios. Haja indignação e paciência! E, quem sabe, um dia a casa venha a cair, pela conscientização do povo, expressa, democraticamente, pelo voto!