OPINIÃO
Metafísica digital
Confira o editorial do Grupo A TARDE desta segunda-feira, 19


As denúncias envolvendo a Meta durante o segundo turno das eleições presidenciais evidenciam o erro crasso de conferir neutralidade às tecnologias. Ora, à frente de cada monitor e ao alcance de todos os botões e comandos, estão pessoas sujeitas a hierarquias, interesses, intenções e todo tipo de egoísmo.
Disfarçadas pela mentira de agir eticamente, “jogam” sem marcação as plataformas digitais no campo da circulação de informações, produzindo impacto direto no eleitorado. Quando as redes sociais se transformam em espaço de disputa política, falhas técnicas, bloqueios ou alterações de grande alcance deixam de ser meras questões operacionais.
Trata-se de censura, sequestro de equipamentos e covardes atentados às livres manifestações, em plena ressignificação de princípios da etiqueta democrática. Relatos de usuários apontam para suspensões de perfis, perda de engajamento e restrições de visibilidade em redes como Facebook, Instagram, WhatsApp e X.
O caso ganhou maior repercussão após a divulgação de mensagens internas da Meta indicando limitações operacionais para prejudicar a campanha do presidente Lula. A empresa nega favorecimento político e atribui os episódios a falhas técnicas globais — argumento a ser considerado apenas se prevalecer a ingenuidade do interlocutor.
A grande dificuldade reside em como comprovar a intenção deliberada, embora a repetição das alegadas falhas técnicas multiplique a probabilidade da trapaça tecnológica. A questão mais grave é o sigilo e a complexidade dos algoritmos responsáveis por determinar o alcance de conteúdos e a distribuição de informações na internet.
Quando nem usuários, nem autoridades, nem os próprios candidatos conseguem compreender com clareza os critérios adotados pelas plataformas, instala-se a desconfiança generalizada. Nesse contexto, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de exigir tratamento igualitário entre as candidaturas mostra-se correta, embora sem garantia absoluta de êxito.
Até quando as Big Techs vão seguir impunes, agredindo democracias como se vê nas eleições no Brasil? A quem interessa, afinal, o império digital pirata?