OPINIÃO
Mineração inteligente
Confira o editorial do jornal A TARDE desta segunda-feira


A presença da Bahia em Sydney, semana passada, para o Brazil Mining Day 2026 e a Imarc, maior conferência de mineração da Austrália, é jogada de craque. Enquanto o governo Trump exala cobiça pelos minerais críticos e terras raras do Brasil, a Bahia escolhe se projetar com inteligência na geopolítica.
Representando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, a delegação foi aprender com gigantes, estabelecer parcerias e diversificar alianças na luta por soberania; dos 31 minerais críticos, 27 estão nos territórios de Brasil e Austrália.
O subsolo da Bahia atrai os predadores devido ao portfólio invejável: lítio para baterias e transição energética; nióbio vira aços especiais e ligas aeroespaciais. E tem também 17 terras raras para motores elétricos, turbinas e ímãs de alta potência, mas vale registrar nem serem “terras” tampouco tão “raras” assim.
O nome vem do fato de serem encontradas misturadas à “terra”, dando a falsa impressão de escassez – exemplo clássico de um erro tornar-se nome aceito. Como mostrou investigação recente no extremo sul do estado, a cobiça já tem CNPJ e endereço: há 41 processos minerários no entorno das ilhas de Cassurubá.
No arquipélago entre os municípios baianos de Caravelas, Alcobaça e Nova Viçosa, próximo ao Parque de Abrolhos, cresce a cobiça internacional, de olho em riquezas do solo, a exemplo de titânio, monazita e terras raras.
Neste xadrez, a saída é escapar aos extremos: nem o isolacionismo nem a entrega. A Bahia foi em busca do ponto de equilíbrio, evitando o xeque-mate em Sydney. A missão cumprida é ampliar o diálogo com atores estratégicos, trazer tecnologia, discutir sustentabilidade e fortalecer a cadeia de valor aqui.
Aproximar a Bahia de parceiros qualificados favorece identificar novas opções de desenvolvimento. Em vez de tornar-se quintal, pode até fazer o império de lixeira.