OPINIÃO
Pessoas com Competência
Confira o Editorial desta sexta-feira


Ao completar 35 anos, a Lei de Cotas (nº 8.213/1991) tem contribuído para corrigir desigualdades históricas e combater a discriminação no acesso ao trabalho. Correspondeu a norma ao espírito do tempo de avanço nas conquistas sociais, quando o país superava o período nefasto da ditadura de mais de duas décadas.
A missão das cotas: determinar às empresas com mais de 100 colaboradores uma reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCDs), inaugurando política afirmativa. Três décadas e meia depois, seu papel permanece relevante, muito embora a fiscalização não venha atuando com o rigor necessário, haja vista a desobediência.
De toda sorte, com o crescimento do marketing empresarial, há companhias atentas às oportunidades de divulgação e à visibilidade associada à marca, ao empregar PCDs. Mas apesar de a lei ter aberto portas, estas conduziram ao desafio de garantir permanência, desenvolvimento profissional e ambientes inclusivos de verdade.
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Jovens e adultos com deficiência seguem enfrentando barreiras difíceis de transpor, desde o preconceito ao desconhecimento, sofrendo sob os olhares da ignorância. A deficiência ainda pesa mais em relação às competências, limitando oportunidades e reforçando os estigmas do capacitismo, via banalidade do mal.
Combater as síndromes de ambíguo vitimismo exige disposição para rever práticas arraigadas, mantendo como utopia o enfrentamento da mecânica de mercado. A solução passaria por preparar recrutadores para conduzir seleções mais justas, nas quais limitações físicas superáveis não sejam usadas como critério de exclusão.
No entanto, a formação de gerentes atende à exploração estrutural da força de trabalho, raramente reconhecendo os talentos de quem tem alguma limitação. A inclusão é conquista civilizatória, mas o Brasil preenche menos da metade das vagas previstas pela legislação, sinal de resistência à diversidade.


