OPINIÃO
Realidade alarmante
Confira o Editorial desta sexta-feira


Os dados divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência contra os povos indígenas em 2025 revelam uma realidade alarmante. A estatística deveria indignar toda a sociedade brasileira, no entanto sabe-se o quanto uma grande parte dela é indiferente e até apoia os massacres.
O assassinato de 258 indígenas, número superior aos 211 registrados em 2024, não representa apenas uma tendência preocupante. Apesar dos esforços, o Estado brasileiro continua incapaz de garantir segurança, dignidade e direitos básicos aos povos originários.
O relatório mostra o absurdo de uma violência muito além dos homicídios, pois há um crescimento das invasões de terras, dos conflitos territoriais e dos suicídios. Cresceram também os índices de mortalidade infantil e das violações decorrentes da omissão do poder público, evidenciando uma vulnerabilidade permanente.
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O sofrimento escala aceleradamente especialmente em regiões onde a disputa por terras e recursos naturais é mais intensa, exacerbando a questão fundiária. Centenas de terras indígenas seguem sem regularização, enquanto processos de demarcação avançam em ritmo inferior ao necessário para fazer valer a justiça.
Este hiato cria um ambiente propício para conflitos, invasões e ataques contra comunidades em luta pelo reconhecimento de áreas garantidas pela Constituição. O fato de óbitos estarem ligados a causas evitáveis, como doenças respiratórias, infecções intestinais e desnutrição, supõe falhas profundas nas políticas de saúde.
Em plena terceira década do século XXI, a falta de acesso à água potável, saneamento básico e atendimento médico adequado vai ceifando vidas indígenas. Mais grave é a situação dos povos isolados, muitos dos quais não possuem reconhecimento oficial e ficam sempre expostos a invasões e à destruição das matas.Quando o Estado demora a agir, abre espaço para a violência se tornar uma forma recorrente de pressão sobre os indígenas, como é de costume desde Cabral.


