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Caso Benício: médica vendia maquiagem enquanto garoto agonizava

Polícia aponta que o garoto de seis anos estava em estado crítico quando profissional trocava mensagens por celular

Gustavo Zambianco
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Garoto Benício, de 6 anos de idade
Garoto Benício, de 6 anos de idade - Foto: Reprodução

O inquérito sobre a morte do garoto Benício, de 6 anos, foi concluído pela Polícia Civil nesta segunda-feira, 4, e revelou que a médica responsável pela prescrição que levou à morte do menino negociava a venda de cosméticos pelo celular enquanto a criança era atendida.

Ela foi indiciada pelo crime de homicídio doloso com dolo eventual.

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O caso aconteceu em novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus, porém, as investigações revelaram novos detalhes sobre a conduta da médica durante o atendimento.

Relembre o caso

Benício deu entrada no hospital com tosse seca, sem sinais aparentes de gravidade. Porém, durante o atendimento, a médica, identificada como Juliana Brasil, prescreveu adrenalina aplicada diretamente na veia.

Porém, o protocolo real para tal situação seria a ministração do medicamento via inalação. A criança sofreu uma superdosagem e morreu horas depois na UTI.

Médica estava vendendo maquiagens por celular

Conforme o inquérito da PC, enquanto Benício estava na chamada “Sala Vermelha”, reservada para pacientes em estado crítico, a médica acompanhava o quadro do garoto enquanto vendia maquiagens pelo WhatsApp.

A mulher acertava valores, descontos e formas de pagamento da venda de produtos de beleza.

Em uma das conversas, a médica informa o valor da maquiagem vendida, recebe o comprovante de pagamento e responde com figurinhas e mensagens carinhosas. Em outra, envia a chave Pix após ser chamada de “lindona” por uma cliente.

As mensagens aconteceram aproximadamente uma hora depois da aplicação da adrenalina, período onde o menino já apresentava sinais graves de reação ao medicamento.

“Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”, disse Joyce Xavier, mãe de Benício.

Segundo a polícia, a médica ficou boa parte do tempo no celular, enquanto o menino era atendido.

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Médica tentou se isentar

Além da troca de mensagens, o inquérito ainda demonstra que a médica tentou se isentar da responsabilidade após a morte da criança.

À Justiça, ela chegou a apresentar um vídeo alegando que o sistema eletrônico do hospital teria automaticamente alterado a forma de administração do medicamento.

Uma perícia técnica, porém, descartou qualquer falha no sistema.

Além disso, investigadores encontraram mensagens indicando que a médica chegou a oferecer dinheiro para a produção de um vídeo que sustentasse sua versão.

Médica indiciada

A médica foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, que consiste na pessoa assumir o risco de causar a morte.

Além disso, Juliana Brasil também foi indiciada por fraude processual e falsidade ideológica. A polícia ainda constatou que a mulher se apresentava como pediatra, mesmo sem ter especialização na área.

Caso pode ir a júri popular

A técnica de enfermagem que aplicou a adrenalina e os diretores do hospital também foram indiciados.

A Polícia Civil concluiu que houve falhas individuais e estruturais, como a falta de profissionais suficientes e de um farmacêutico para conferir a prescrição.

A médica e a técnica de enfermagem podem responder por júri popular.

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