POLÍCIA
Caso Davi Fiúza: audiência de instrução termina sem definição em Salvador
Jovem desapareceu em 24 de outubro de 2014 após ser abordado por policiais militares


A nova audiência de instrução sobre o desaparecimento do jovem Davi Fiúza, realizada nesta segunda-feira, 25, no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, no bairro de Sussuarana, em Salvador, terminou sem definição.
Ao portal A TARDE, o historiador e cofundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro, que acompanha o caso ao lado da Anistia Internacional Brasil, comentou o andamento do processo.
"A fase de instrução foi encerrada com a oitiva das partes. A defesa dos acusados optou por não prestar depoimento em juízo, apesar de todos estarem presentes. Agora, as partes terão prazo de cinco dias para apresentar manifestações por escrito. Em seguida, a acusação também terá o mesmo período para se manifestar", afirmou.

Ele também afirmou que será incluída a manifestação por escrito de dona Ruth Fiúza. "Depois corre mais um prazo de 20 dias para as alegações finais de ambas as partes até a decisão do juiz, que nós esperamos que seja de pronunciar os réus e levarmos à júri popular".
Expectativa de Júri popular
Durante entrevista coletiva realizada na audiência de instrução, a mãe de Davi, Rute Fiúza, afimou que segue lutando por Justiça e expressou o desejo do caso ir para júri popular.
"Meu clamor é por júri popular [...] Até agora nós não sabemos o que é que o juiz vai fazer, se ele manda a júri popular, se ele arquiva. Pode ser também, né? Então tudo é uma possibilidade, quando se trata da justiça desse país, tudo pode acontecer [...] Eu só espero que não seja arquivado, porque tem provas robustas de todo o fato. Não é invenção da cabeça de ninguém", enfatizou.

Relembre o caso
Davi Fiúza desapareceu aos 16 anos, em 24 de outubro de 2014, durante uma abordagem policial realizada por equipes do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) e da Rondesp, no bairro de São Cristóvão, em Salvador.
Segundo relatos, o adolescente conversava com uma vizinha na Rua São Jorge de Baixo quando foi abordado, teve mãos e pés amarrados e foi colocado no porta-malas de um veículo sem identificação oficial. Desde então, não há informações sobre o seu paradeiro.
A mãe, Rute Fiúza, relata que buscou o filho em delegacias, no Instituto Médico Legal (IML) e até em locais conhecidos como “desova”, mas nunca encontrou pistas sobre o desaparecimento.